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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: 48 Hours

Série mantém ritmo dinâmico e o ótimo timing cômico

brooklyn

Mais uma vez Brooklyn Nine-Nine acerta em cheio: 48 Hours, o sétimo episódio da série (que já garantiu presença no clubinho de séries com temporada completa), chega disparando o humor afiado, o ótimo timing cômico e as atuações divertidas que têm mantido o nível da comédia lá em cima. Distribuindo bem suas tramas menores (que aqui soam bem mais interessantes do que as do episódio de Halloween), 48 Hours mantém uma dinâmica coesa o tempo todo, jamais soando cansativo – e inclusive explorando cada uma delas, em vez de se contentar com o absurdo da situação como piada (exemplo disso é a cena onde o sargento Terry digere um bocejo e explica por que não quer ir para casa).

Aliás, as gags físicas estão ainda mais elaboradas e afiadas neste capítulo, e o momento onde Jake vai tocar violão é um exemplo de timing e montagem em harmonia plena. Há um aspecto muito vitorioso na mise-en-scéne contida, que faz determinadas situações absurdas (como a do violão) se destacarem mais e sequestrarem risadas do espectador. Da mesma forma, os diálogos também continuam excelentes, olhando com desdém para o caminho mais fácil e buscando aquele ponto exato onde a coisa extremamente pensada soa extremamente natural (“eu nem gosto de comida!”, “eu sei três fatos sobre você e um deles é exatamente que você não deixa ninguém dormir na sua casa”). Além disso, Brooklyn Nine-Nine sempre ganha estrelinha no caderno porque se preocupa em desenvolver os diálogos, não apenas jogar tudo ali no meio e esperar que vire um meme. E como não elogiar um episódio capaz de fazer alguém dizer “estou tentando provar que não sou egoísta, então não me importo com o que eles pensam“?

Mas um dos grandes fatores diferenciais ainda é o elenco extremamente alinhado, que cria um clima natural pacas, envolvente, além de diferenciar cada personagem através de trejeitos sem que isso soe caricato (por exemplo, reparem como a postura e o olhar agressivo de Rosa contrastam bastante com os gestos um tanto floreados de Gina quando estão discutindo). Fica um porém, entretanto: como aparecem muito ao longo de cada episódio (muito mesmo. Quase exibicionistas, assim), os momentos de Jake se tornam previsíveis vez ou outra. Não é algo assim tipo “essa não, estragaram tudo, vamos reunir uma multidão furiosa com tochas e ir até a casa dos roteiristas”, mas é algo a ser observado porque vai influenciar diretamente na longevidade de Brooklyn Nine-Nine. E, baseado no que foi apresentado até aqui, eu espero sinceramente que ela viva até aquela idade onde pode erguer o dedo e dizer “no meu tempo…”.

4star

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