FOTO: REPRODUçãO

Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: Old School

Cada vez mais acertada, série mostra seu melhor episódio até aqui

brooklynninenine

É hora de começar a pensar em anti-dopping para a produção de Brooklyn Nine-Nine: se até aqui a série já vinha inspirada, com uma dinâmica boa e momentos realmente engraçados sem apelar para piadinhas fáceis (estou olhando para você, The Big Bang Theory), Old School pegou tudo que vinha sendo bem-feito, jogou no liquidificador e serviu um episódio tão bom que só é possível defini-lo como uma trufa de chocolate televisiva.

O exagero nas brincadeirinhas de Jake, que já havia tentado dar uma rasteira em outros episódios, aqui foi solenemente algemado e nocauteado e colocado em um avião com destino ao Tadjiquistão. Assim, o detetive com idade mental questionável novamente realiza diversos home-runs cômicos, seja através de diálogos épicos (“ok, eu vou falar como um homem: você me embriagou e abusou de mim!”) ou gags físicas envolventes (o momento em que ele se deita no chão). Mérito também para Andy Samberg, que novamente encarna Jake com o carisma e o timing cômico habituais.

Mas um dos grandes trunfos de Brooklyn Nine-Nine é ter uma grande galeria de personagens e saber usar elas. Assim, as tramas envolvendo os coadjuvantes também tiram do chapéu situações engraçadas (“homem cometer crime”), normalmente aproveitando a dinâmica de conflito que permeia a galerinha (por exemplo, o espírito de “pitbull possuído pelo demônio” de Rosa contra o estilo Gossip Girl de Terry e Boyle). Isso faz com que Old School tenha um ritmo invejável, indo e voltando das histórias sem jamais deixar a peteca cair (e inclusive os flashbacks se mostram vitoriosamente divertidos e engraçados).

Atingindo aqui sua melhor forma (digna de foto no Instagram) na maneira como explora o contraste entre câmera documental/histórias absurdas (o que ajuda a tornar as piadas uma surpresa), a série mostra ter dominado o humor a que se propõe – reparem como os diálogos e/ou situações ágeis rapidamente recebem sequência, em uma dinâmica bastante diferente daquelas sitcoms com risadas in loco (onde muitas vezes há um espaço de tempo após a piada para esperar o público parar de rir), mas que aqui funcionam bem o suficiente para receber um A e uma estrelinha dourada. Após sete episódios ajustando sua mira, Brooklyn Nine-Nine deu um tiro certeiro aqui.

5star

Deixe uma resposta

ss