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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: Christmas

Ótimo timing cômico mantém a série em alto nível mais uma vez

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Estamos no décimo primeiro episódio da temporada e Brooklyn Nine-Nine mantém com eficiência seu ritmo ensandecido de sacadas inspiradas e diálogos certeiros: Christmas, episódio desta semana, refina a abordagem da série ao mesmo tempo em que não cai no lugar comum e cria uma trama criativa e inesperada – ao contrário dos outros episódios com pauta pré-estabelecida, de Halloween e Dia de Ação de Graças, que nasceram após uma noite muito mal dormida e se contentaram com historinhas batidas (embora o resultado final tenha ficado bom).

Em Christmas, o que se vê é a produção em plena harmonia para atingir o melhor trabalho possível, praticamente a utopia de qualquer CEO do planeta. Já bem entrosado e acostumado às personagens, o elenco continua acertando ao não cair na caricatura e deixar um tom de seriedade na tela, o que muitas vezes (propositalmente) destoa da situação e, assim, fortalece a piada – algo que fica claro na expressão de Terry ao pegar uma almofada. Além disso, a química entre os atores é sempre muito forte, resultando numa mise-en-scene no mínimo divertida graças às interações frenéticas entre eles (e também torna mais plausível quando alguém fica chateado ou irritado, já que todos parecem realmente amigos ali).

Enquanto isso, os diálogos continuam excelentes, indo além do óbvio e explorando ao máximo a situação (“diabetes canina? Quem liga para isso?” “ei, eles não podem se injetar insulina pois possuem patas!“), subvertendo as expectativas (“psiquiatras são apenas pessoas que não conseguiram ser psíquicos“) ou apenas aproveitando o timing dos atores para comentar as situações (“por que uma ameaça de morte seria importante? Ah sim, é porque ela ameaça uma pessoa de morte“). É um dos grandes trunfos de Brooklyn Nine-Nine, e é muito bom ver que alguns roteiristas ainda acham que escrever bem envolve mais coisas do que acertar a parte gramatical. E, já que estamos falando em trunfos, a montagem da série é outro elemento que vive pegando aquela estrela do Mario Kart: reparem como o corte rápido após Jake falar “Santiago comprou seis presentes” , dando mais intensidade à declaração, despeja mais graça na piada – papel que se repete com frequência nos episódios.

Christmas ainda consegue jogar a história e as relações mais para a frente, mostrando flashes de como o capitão era em sua juventude, onde ainda vestia a roupa de detetive e um bigode que contém todos os anos 70 dentro dele. Uma cena rápida, mas que dá indícios de por que o capitão responde qualquer atitude do Jake com uma expressão de quem tomou cerveja quente, já que vê ali um reflexo da pessoa que era e que fez questão de mudar. E o episódio também dá um empurrãozinho de leve na quase-meio-que-existente relação entre Charles e Rosa, criando um cenário que provavelmente vai sair daquele jogo onde ele tenta alguma aproximação e é inconscientemente afastado de forma hilaria. Essas evoluções são necessárias para que Brooklyn Nine-Nine não corra o risco de ficar presa às mesmas possibilidades – entretanto, depois de onze ótimos episódios, um voto de confiança é o mínimo que a série merece.

5star

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