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Por: Davi Garcia

Um breve balanço sobre a ótima sexta temporada de Sons of Anarchy

Vinganças, surpresas e tragédias marcam o excelente sexto ano da série

Sons of Anarchy 613

[Texto com spoilers para quem ainda não viu o season finale] Kurt Sutter, criador e principal roteirista de Sons of Anarchy é um maníaco viciado em tragédias. Não é à toa, aliás, que sua série traga, desde o início, tantos reflexos da grande obra de Shakespeare, Hamlet (e nesse final de sexta temporada mais especificamente, até um eco de Romeu & Julieta). Nesse contexto, ao humanizar os criminosos de sua história à medida em que estabeleceu a complexidade das relações familiares e os muitos conflitos e dilemas morais explorados nas ações de uma gangue travestida de clube de motociclistas ao longo das temporadas, Sutter potencializou também o aspecto trágico do universo que criou e que no encerramento de seu sexto e penúltimo ano, atinge o ápice num evento carregado de choque e surpresa que evidencia de uma vez por todas a certeza de que essa é uma história sem perspectiva de final feliz.

Na temporada em que resolveu disputas importantes do clube (como aquela com os irlandeses, por exemplo) e mais notadamente a de Jax com Clay (morto num acerto de contas tardio, mas não menos impactante), Sutter também ampliou o protagonismo do personagem de Charlie Hunnam que viu seu Jax Teller cada vez mais consumido pelo conflito das decisões que visavam tirar o clube da ilegalidade, mas que no processo custaram a vida de inocentes (vide as crianças mortas no início da temporada por armas que os Sons ajudaram a distribuir); de um melhor amigo que pagou um preço alto demais (Opie na quinta temporada) e agora de Tara, que mesmo mergulhada na sujeira da qual tanto queria se afastar (como não lembrar de sua fala  “Olha no que você me transformou” para Jax em dado momento) ainda representava a tênue esperança que ele nutria para deixar o universo vil do clube que ama em prol da família que queria proteger.

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E assim, por mais que os eventos da temporada já nos dessem a indicação de que Tara acabaria morta, nada nos preparou para a forma violenta, cruel e chocante das circunstâncias em que ela ocorreu. Afinal, ao trazer Gemma como a assassina motivada pela vingança oriunda de uma traição que não ocorreu (e aqui reside o quê de Romeu & Julieta citado anteriormente), o evento, além disso, traz também outro aspecto devastador: o de que o sacrifício de Jax, então decidido a trocar sua liberdade pela segurança de suas duas famílias (o clube, Tara e seu filhos), pode, no fim das contas, ter sido totalmente em vão, o que, por tabela, reforça a ideia de tragédia que Sutter conferiu a todos os personagens envolvidos com o Samcro neste ótimo penúltimo ano da série.

Que sejamos mais uma vez surpreendidos e sintamos o impacto brutal dessa instigante história na sétima e última temporada de Sons of Anarchy é tudo o que espero do desfecho preparado por Sutter e cia para 2014. E vocês?

5star

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