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Por: André Costa

Community: Analysis of Cork-Based Networking

Analysis of Cork-Based Networking

Analysis of Cork-Based Networking, o primeiro episódio de Community sem o Troy, é também o episódio menos inspirado dessa temporada: a trama envolvendo a organização de um baile é, em linhas gerais, uma âncora repleta de piadas ruins e nonsense que tenta afundar as outras histórias. Ainda bem que o resto no resto do episódio temos uma abordagem legal dos danos psicológicos que um spoiler é capaz de causar, além da brilhante odisséia que acompanha Annie e o professor Hickey enquanto tentam pendurar um quadro de avisos.

O grande problema aqui é Ben Chang – que é uma personagem divertida, mas, tal qual comida apimentada, funciona melhor quando só aparece de tempos em tempos, já que é completamente exagerado em tudo que faz. Assim, Analysis of Cork-Based Networking tem um monte de Chang fazendo caretas e/ou choramingando enquanto o resto se compadece da ideia tresloucada dele. Apesar de chamar a atenção para o nonsense extremo que acompanha algumas expressões, mas não é o suficiente para compensar pelo resto do tempo onde Chang acha que só destalar os dedos e ter trejeitos femininos é engraçado.

Ainda bem que Annie e Hickey chegam para salvar tudo, criando uma daquelas tramas tradicionais da Community onde um pequeno evento é elevado a níveis megalomaníacos – tudo com uma construção natural. Usando os setores de Greendale para criar uma descomunal cadeia de dependência política, Analysis of Cork-based Networking extrai seu humor da seriedade com que trata os absurdos (como a chique reunião dos zeladores), trazendo junto os típicos diálogos épicos da série (“a parada de Ação de Graças terminou e a vovó já está bêbada“, “eles me fazem estacionar no anexo B, como uma… mulher do refeitório“). Além disso, Community manja da arte de tirar sarro de convenções cinematográficas, e o desfecho dessa trama específica – com as pessoas frustradas com o fracasso (tentando acessar um site e não conseguindo, pesquisando preços de bicicletas) e a “catarse dramática” onde Hickey pendura o quadro onde mantinha as coisas do passado – é prova do cuidado e da capacidade que a turma de Dan Harmon tem (em geral) na hora de construir as histórias.

Beneficiado ainda por uma divertida situação onde Britta fica ultrajada com um spoiler dito por Abed e tenta retrucar, retratando bem a importância e a crueldade dos spoilers (além de mostrar Abed atrás de algum relacionamento agora que seu melhor amigo foi emora, e ficando de mal quando não dá certo), Analysis of Cork-based Networking fica com um saldo (bem) positivo frente à murrinha trama do baile. Mas Community precisa achar uma forma de preencher a ausência de Troy – e de Pierce também, na real – e, como o episódio desta semana provou, simplesmente jogar mais gente ali não resolve.

4star

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