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Por: Davi Garcia

True Detective: com novas surpresas, quinto episódio mantém alto nível da série

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Muito mais do que marcar o início da segunda metade da temporada de True Detective, “The Secret Fate of All Life” foi também o episódio que apresentou uma instigante pergunta para nós, espectadores: devemos acreditar em 100% dos relatos dados por Rust Cohle e Martin Hart em 2012 assim como nas ações que vimos de 1995? Afinal, se ficou claro que há uma boa distância entre a maneira como o caso de 95 foi ‘solucionado’ e as circunstâncias em que ele de fato ocorreu, é razoável – dada a natureza singular de Cohle e sua tendência a divagar sobre tudo (dessa vez até sobre o tempo ser uma ilusão ele falou) como se fosse uma ferramenta de distração – entender a dúvida levantada em 2012 pelos detetives que os entrevistavam.

Dito isso, e considerando o altíssimo nível da série até aqui, me parece claro que não faz sentido dar muito crédito à tese de que Rust Cohle possa ter manipulado toda a investigação (ou pelo menos parte dela) para ocultar uma improvável participação nos crimes, já que neste mesmo episódio também vimos quão obcecado ele ficou, já em 2002, ao descobrir, através do homem que interrogara na prisão, que haviam elementos indicando que o verdadeiro assassino de Dora Lange continuava livre e, pior, possivelmente matando outras mulheres.

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A passagem de tempo da história (saltando de 95 para 2002), aliás, trouxe também um breve e não menos curioso vislumbre das mudanças que a dupla de protagonistas da série experimentou. Assim, se por um lado Martin ganhou uma segunda chance para refazer sua família ainda que eventualmente acabasse minando a oportunidade graças a seu temperamento irascível (o que fica claro na passagem em que dá um tapa na filha mais velha, por exemplo), por outro, Cohle parece ter experimentado um período de relativa tranquilidade/normalidade (visto que até um relacionamento afetivo ele teve) que só seria quebrada novamente a partir da investigação que decide retomar.

Com esse panorama, é válido destacar mais uma vez como True Detective se beneficia do fato de ter todos os episódios escritos e dirigidos pelas mesmas pessoas (Nic Pizzolatto e Cary Fukunaga respectivamente), já que é notória não apenas a coesão, mas também o cuidado com que a cadeia de eventos e as próprias ações dos personagens, foram pensadas para funcionar como um quebra-cabeças intrigante para o espectador.

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Dessa forma, à medida em que a trama se desenvolve ao longo dos episódios, nós acabamos quase que assumindo uma posição de terceiro detetive durante aquelas conversas de 2012, visto que a imagem que vamos formando sobre o caso ainda parece tão turva e inquietante quanto à noção que temos sobre os dois personagens vividos com maestria por McConaughey (com atuações sempre minimalistas) e Harrelson. E sendo assim, a essa altura quem está por trás dos crimes e qual é a motivação (se é que há alguma) é o que menos importa de fato, já que saber mais sobre Cohle e Martin e testemunhar seus conflitos e contradições tem sido uma experiência bem mais interessante.

5star

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