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Por: Davi Garcia

True Detective: quando a TV consegue ser melhor que o Cinema

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Dando uma pausa nas frases de efeito, nas reflexões niilistas de Rust Cohle e nos conflitos deste com o parceiro Marty, o quarto episódio de True Detective, mais do que mostrar que a série não tem medo de experimentar com sua narrativa, foi um desses raros e felizes momentos em que testemunhamos a TV conseguindo ser melhor que o Cinema. E dizer isso não é exagero. Afinal, quando 2014 acabar, certamente nos lembraremos mais do que o diretor Cary Fukunaga fez com o plano-sequência de cerca de seis minutos que fecha este “Who Goes There” do que da maioria dos filmes que chegarão às telonas esse ano.

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Incrivelmente gravado sem cortes, como revelou o diretor em entrevista à MTV, aquele plano-sequência, por si só, já representa um marco na TV em termos de valores de produção que, nos anos recentes, talvez só encontre reflexo nos episódios mais inspirados de Breaking Bad. Sua concepção e execução, revelam não só o trabalho minucioso de um diretor talentoso, mas também de uma série que, apesar das limitações da TV (como dinheiro e tempo, por exemplo), consegue dar a seus espectadores, o que muitos filmes não conseguem no Cinema.

A complexa mise-en-scène do desfecho deste quarto episódio foi tão impactante, que mesmo que já soubéssemos que Cohle não corria nenhum grande perigo de fato (afinal ele aparece inteiro em 2012), ainda assim experimentamos toda a tensão transmitida pela câmera durante aquele ataque à casa dos traficantes como se naqueles poucos minutos deixássemos de ser meros espectadores para virar testemunhas de cada ação e reação de Cohle ali.

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A propósito, se McConaughey merece (mais) elogios pela composição sombria que deu a seu personagem neste episódio, seja pelo desprezo que revela ter pelos problemas pessoais de Marty, pela forma fria com que manipula o parceiro (e até mesmo a esposa deste) para que ele se mantivesse focado no trabalho ou ainda pela maneira destemida com que se dispõe a revisitar seu passado de infiltrado, o roteirista e criador da série, Nic Pizzolatto, também não pode ser esquecido.

Afinal, mesmo escrevendo um episódio que, em termos práticos, poucos elementos novos trouxe para a possível resolução do crime (ainda sabemos pouco sobre a participação do tal Regie Ledoux naqueles eventos), Pizzolatto mais uma vez corroborou, com eloquência, a ideia de que True Detective é muito mais uma série sobre a complexidade e as contradições de seus investigadores do que sobre a própria investigação.

5star

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