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Por: André Costa

Community continua inspirada em ‘App Development and Condiments’

app development and condiments

A equipe de Community sem dúvidas caiu em um caldeirão de criatividade quando era pequena, e App Development and Condiments, o oitavo episódio da temporada, é prova disso: mais uma vez a série cria um plot a partir de algo trivial e elaborando esse algo até as últimas consequências, em uma trama que mistura ficção científica, futuro pós-apocalíptico, totalitarismo e redes sociais – inclusive, o episódio aproveita para fazer uma crítica – ou melhor, uma tiração de sarro épica – da nossa obsessão por Facebook e pela palavra “cool”. E nem dá pra falar que a série está investindo em um “formulismo”, já que o desenvolvimento das situações é frequentemente de uma imprevisibilidade desconcertante.

App Development and Condiments já estabelece o conflito no início ao colocar Jeff e Shirley em estado de semi-discussão por causa de uma bobagem, o que vai acabar assumindo mais importância quando o MeowMeowBeenz (abraço, bizarra obsessão da internet por gatos) der as caras. O interessante é que o episódio mostra como a balbúrdia vai crescendo, iniciando apenas como uma ferramenta de status atéa descambar para a segregação total – e percebam como o monstruoso cenário do “Show de Calouros” soa natural dentro da narrativa, graças a uma história bem construída. Aliás, a direção de arte faz um trabalho primoroso: além de acertar ao colocar os Cincos sempre rodeados de branco (são os “puros”) e os Quatros repletos de cor (são os “novos ricos”, que querem ostentar sua posição), mantém os Três como uma massa cinzenta, sem cor, sem destaque, insignificantes perante o resto.

Tudo isso sustentando aquele humor brilhante que parece surgir na série como poça de água suja em tênis novo. De alguma forma (magia negra, acredito), Community constrói situações que permitem a inclusão natural de falas como “Mulheres são objetos” ou “Você estará olhando meu traseiro, mama, e se engasgando em sua ondulante pluma de poeira de qualidade“. A própria abordagem do tema, com travellings dramáticos em frases ridículas ou as brincadeiras com elementos já estabelecidos de outros gêneros (os nomes de cada classe social, a decoração meio soviética quando Britta assume o comando, as cercas de arame e barreiras na saída) já são engraçadas, incluindo aí uma homenagem ao Sean Connery de Zardoz que vai deixar aficcionados pelo gênero em polvorosa.

Mas o mais interessante é que Community não se priva de tratar mal suas personagens. Jeff e Shirley novamente fazem coisas indiscriminadas para sobrepujar o outro e tomar o poder (lembram do episódio do pebolim?), Annie não hesita em se humilhar para fazer parte de um grupo e Britta deseja tanto ser ouvida que toca mostarda no próprio rosto para que isso aconteça (e o simbolismo de ela estar suja quando assume o poder é uma grande sacada). E então temos Abed, que parece um pouco perdido sem Troy, mais vulnerável, e acaba atraído pela ideia de ser igual a todos (ele mesmo diz que era feliz como um Três e que agora está fazendo “conversa fiada”).

Ainda que a inevitável reconciliação não possua a catarse dramática que gostaria de ter, App Development and Condiments termina em modo aplausos de pé graças a um trailer falso estrelando Koogler, o estudante interpretado por Mitchell Hurwitz, criador de Arrested Development: injetando nostalgia nos corações alheios, a paródia dos filmes de universidade dos anos 80 é um encerramento mais do que digno para outro episódio onde Community correu à frente das expectativas. Uma temporada que, ao menos até aqui, não merece menos do que cinco MeowMeowBeenz.

5star

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