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Por: Davi Garcia

True Detective: penúltimo episódio revela o monstro no fim do sonho

True Detective 107

O que mais me impressiona nessa reta final de True Detective, é que mesmo tendo uma clara mudança no tom e na própria estrutura da narrativa (que agora ocorre quase que totalmente no “presente”), a história conseguiu manter a intriga e o suspense em torno do mistério dos crimes cuja investigação começara em 95 e, principalmente, a complexidade que cerca a dupla protagonista  feita por McConaughey e Harrelson.

Mais do que isso até, o que este sétimo episódio fez, foi mostrar que, embora trate de violência e degradação humana, a série em nenhum momento se rendeu à tentatação de explorar o gore como recurso, preferindo sempre mostrar a reação de ojeriza que determinado personagem tem quando se depara com algo terrível (e duas cenas envolvendo Marty deixam isso claro) como ferramenta para provar quão vil é aquele mundo no qual estão inseridos.

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Assim, se por um lado a série abriu mão de explorar as reflexões niilistas de Rust Cohle ou mesmo de mostrar as contradições de Marty, por outro debruçou-se mais seriamente na eventual resolução do caso em si e ao fazê-lo promovendo uma até então improvável reaproximação dos protagonistas, evidenciou também a decadência que se abateu sobre ambos nos anos que se seguiram àquela ruptura ocorrida em 2002.

A propósito, é interessante notar como o roteiro de Pizzolatto valorizou e subverteu um pouco a relação conflitante dos dois personagens ao colocá-los descrevendo como o fim da parceria em 2002 refletiu uma mesma realidade: vidas de isolamento e extrema solidão para ambos (e no caso de Marty isso fica ainda mais claro quando descobrirmos que Maggie e suas filhas passaram a viver aparentemente muito melhor sem ele por perto).

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Sob essa perspectiva, ao reconhecerem que a mentira que abraçaram em 95 proporcionou uma continuidade ainda mais sombria daqueles crimes, tanto Cohle quanto Marty surgem dispostos a irem às últimas consequências para expor os responsáveis. Marty porque se convence de que fechar os olhos para sujeira daquele mundo não pode ser uma escolha e Cohle… Bem, porque se manteve obcecado com o caso e porque, ao contrário do diz em certo ponto do episódio, jamais teve cuidado ao ser bom no que faz.

E se o final deste “After You’ve Gone” aponta Errol Childress, o mesmo homem com quem Cohle conversara brevemente nos últimos minutos do terceiro episódio, como o a face monstruosa do culto sombrio perpetrado pelos Tuttles e pelos Ledoux (que de fato parecem estar intimamente ligados por uma rede de corrupção e proteção enraizada nos mais diversos escalões do poder no estado da Lousiana), a grande questão que o episódio final nos reserva agora é:  mesmo com suspeitas e evidências em mãos, será que os ex-detetives conseguirão trazer a verdade à tona ou sucumbirão na tentativa?

5star

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