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Por: André Costa

Community vira desenho animado no sensacional G.I. Jeff

gi jeff community

[com spoilers do episódio 5×11] Uma das coisas mais legais em Community é que a abordagem da série permite utilizar diferentes formatos sem que isso soe deslocado – assim, por exemplo, foi com naturalidade e expectativa que vimos o grupo de estudos se transformar em massinha de modelar no triunfante Abed’s Uncontrollable Christmas, da segunda temporada. E o mesmo acontece com este G. I. Jeff, onde a série emula o desenho animado dos G.I. Joe (Comandos em Ação) dos anos 80 (pausa para lágrimas de nostalgia), aponta as convenções do gênero, subverte o formato e o utiliza como plataforma para contar uma história mais dramática de forma mais criativa.

Na real, só a genialidade por trás dos nomes g.i.joezados do elenco já valeria o episódio: colocar Abed como um índio chamado Fourth Wall já é Whey Protein sabor inspiração, mas nomear a Britta como Buzzkill é um exemplo de como Community se envolve com os detalhes (e o fato dela ter uma serra no braço só reforça isso). Mas G.I. Jeff vai além, colocando em campo aquela capacidade da série de desenvolver as situações e não ficar em terreno fácil, pois a “mecânica” do formato logo é quebrada (Jeff, ou Wingman, mata alguém) e a partir daí a atmosfera de Community se insere em cada frame – temos o velório do vilão, o julgamento de Wingman, o aumento no plano de saúde dos vilões (porque agora eles podem morrer), a placa com os dias de trabalho se mortes e por aí vai. Não é o tipo de série que se contenta apenas com a surpresa do formato diferenciado, injetando criatividade nas cenas para criar algo que realmente pertença ao seu mundo.

Mas, claro, ver o grupo de estudos desenhado a lápis é uma atração à parte, seja pelas características (e é curioso notar como Annie meio que virou a musa sexual da série, já que ela é certinha e estudiosa), seja pela diversão de ver Community se apropriando das características dos desenhos da época, como a animação parada, os cenários pintados, os erros de sincronia labial e a repetição de animações para poupar dinheiro – que despeja uma bomba de humor na cena onde a equipe abre um portão. Os diálogos afiados também se mostram mais certeiros do que os tiros (“os caras do mal são cobras e os caras do bem são a galera do exército“, “quando conheci Destro, ele me perguntou se devia ter sua cabeça cromada“, “você tem sua mochila voadora ou é vendida separadamente?“), funcionando também para empurrar a história de acordo com o gênero (“meus poderes de Fourth Wall, somados à falta de lógica desta mídia, devem permitir que eu consiga uma solução extremamente simplificada“).

E é extremamente plausível que Jeff não apenas crie esse mundo de G.I. Joe como queira ficar lá, onde é sempre jovem, atlético e heroico, ao invés de confrontar sua própria idade no mundo real. E aí que G.I. Jeff adiciona uma nova camada ao episódio ao literalmente adicionar uma nova camada na história, a dos comerciais com as crianças e o narrador empolgado, obrigando o ex-advogado e agora professor a literalmente fugir da infância (e suas infantilidades) para conseguir acordar no mundo real e lidar com o fato de que já é tiozão. Um bem vindo simbolismo de uma série que, mais uma vez, supera as expectativas. No bar de Community, as doses de inspiração e inteligência são sempre servidas em copos de um litro.

5star

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