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Por: Davi Garcia

Crítica | Game of Thrones 4×03/4×04: Breaker of Chains e Oathkeeper

Eu adoro as reviravoltas provocadas pelas mortes inesperadas e geralmente violentas ocorridas na extensa trama de Game of Thrones. Contudo, admito que gosto ainda mais quando a série se debruça sobre suas muitas intrigas e conspirações como vimos nesses dois episódios que se seguiram à morte de Joffrey. Afinal, são através delas ou por causa delas que a maioria dos personagens acaba mostrando quem são e que papel desempenham no jogo dos tronos.

Partindo desse contexto, se no episódio “Breaker of Chains” tivemos a indicação de que Mindinho conspirara com alguém próximo do falecido rei, no mais recente, “Oathkeeper”, tivemos a confirmação: Olenna Tyrrel (feita pela ótima Diana Rigg) agiu diretamente na jogada sorrateira que ainda por cima lançou sobre a agora fugitiva Sansa e o prisioneiro Tyrion a suspeita instantânea. E mais: se a parceira dos conspiradores se refeltiu num plano engenhoso, as visões objetivas de ambos sobre os meandros da política e de como proteger seus interesses num mundo como aquele trouxeram conceitos e perspectivas tão interessantes quanto.

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Assim, se a orientação de Olenna para que Margaery agisse para impressionar o jovem Tommen (no que rendeu uma cena que parecia saída daquele polêmico filme da Xuxa) muito provavelmente garantirá a proximidade dos Tyrrel ao trono de ferro, a frase de Mindinho (“Um homem sem motivos é um homem que ninguém terá como suspeito”) resume bem a importância (e os perigos) que underdogs como ele representam na trama.

E com Sansa incansável como a inocente que não sabe de nada na história, Tyrion, por outro lado, é o personagem que melhor enxerga a movimentação do tabuleiro. Não é à toa, aliás, que sabendo quão ameaçado está, ele faz questão de tentar livrar aqueles que se mantiveram fiéis a ele (como Podrick, claro) ao passo em que enxerga em Jaime (com quem teve bons diálogos pontuados por sarcasmo), sua única chance de defesa frente Tywin e Cersei.

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Foi ela, inclusive, que protagonizou a cena polêmica do terceiro episódio, quando, ao tentar manipular o irmão/amante mais uma vez, virou vítima de um avanço sexual de Jaime que  acrescentou mais um capítulo bizarro na relação doentia entre os dois em pleno velório de Joffrey. Este, por sua vez, ganhou o desprezo de quase todos logo após morrer, como nos evidenciou a curiosa cena em que Tywin dialoga com Tommen para já ganhar a confiança do novo ocupante do trono.

Tywin, aliás, também teve boa presença no terceiro episódio na ótima cena que dividiu com Oberyn Martell, que depois de se “divertir” numa festinha particular, ouviu o papai Lannister jurar que não tivera envolvimento direto com a morte de sua irmã, além de receber a proposta de fazer parte do julgamento de Tyrion o que parece apenas corroborar a ideia de que Tywin, querendo ‘comprar’ a aliança de Martell, deve sim ter tido algum papel na morte violenta da irmã do libertino príncipe de Dorne.

E se é promissor o panorama do desenvolvimento na trama envolvendo Jon Snow, a iminente invasão dos selvagens na área do Castelo Negro e, principalmente, o grande acontecimento em torno Bran Stark e cia que culmina no fechamento do quarto episódio e o ressurgimento dos chamados White Walkers, impossível não valorizar ainda mais os eventos de Mereen onde vimos Daenerys e seu exército de imaculados.

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Um ponto interessante daquelas sequências surge da evidente prova de quão melhores estão os efeitos visuais da série. Afinal, além de valorizarem a chegada imponente da khaleesi naquele local grandioso, eles também ajudaram, dada a escala, a refletir o peso de suas ações, seja através do rápido confronto de Dario e, sobretudo, pelo discurso com tom marxista iniciado no episódio três e que leva à rebelião apresentada no quarto que também revela a porção implacável e radical de Daenerys frente a elite de Meeren e do que ela pensa sobre liberdade e misericórdia e de quem a merece ou não.

Em suma, dois belos episódios (melhores até que os dois primeiros, eu diria) dirigidos pela dupla Alex Graves e Michelle MacLaren respectivamente que, aliando técnica (reparem como Graves ao pegar Daenerys por ângulos baixos transmitia um senso de grandiosidade da khaleesi em Mereen)  e criatividade (na forma como MacLaren cria a tensão sexual de forma sutil na cena de Margaery com o garoto Tommen, por exemplo), avançaram as múltiplas tramas de Game of Thrones ao mesmo tempo em que conferiram peso e relevância a cada uma delas ajudando a corroborar a ideia de que vemos uma série bem madura nesta, até aqui, altamente elogiável quarta temporada.

4star

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