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Por: Davi Garcia

Crítica | Game of Thrones 4×01: Two Swords [estreia de temporada]

[Texto com leves spoilers do episódio que estreia domingo, 6 de abril, na HBO] Os Lannisters não são os únicos que pagam suas dívidas.” Tão enigmática quanto representativa, a frase dita por Oberyn Martell (feito pelo novato na série, Pedro Pascal) em dado momento do primeiro episódio da quarta temporada de Game of Thrones, parece resumir não só quem é e o que pretende este novo (e numa primeira impressão) ótimo personagem, mas também o sempre crescente tom de intriga política, maquinações diversas e ameaças que se agigantam no centro do poder de Westeros, Porto Real.

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Escrito pela dupla de produtores da série, David Benioff e D.B. Weiss e dirigido por este último, “Two Swords”, capítulo que abre o quarto ano de Game of Thrones, não traz (tirando a última cena envolvendo Arya Stark e Sandor “Cão de Caça” numa taverna) nenhuma grande sequência de ação, mas concentrando-se em evidenciar mudanças na natureza das relações de alguns de seus muitos personagens através de diálogos repletos de ironia e sarcasmo (com destaque para quase todos que envolvem Tyrion e seu escudeiro, Bronn), revisita e situa, de forma dinâmica e objetiva, parte de seus vários cenários e respectivas subtramas.

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Assim, enquanto a chegada do impetuoso e libertino Oberyn à capital dos Sete reinos promete, pelo menos num primeiro momento, refletir uma ameaça evidente ao status quo e o poder dos Lannister aparentemente cegados pela soberba (note como o sempre mimado e irascível rei Joffrey não abre mão de assumir créditos por uma guerra que ele não lutou nem tampouco venceu e como o Mão do rei, Tywin, assume morte de Rob Stark como a derrota definitiva das forças rebeldes então lideradas pelo filho de Ned), o conflito do agora mais uma vez renegado, Tyrion, motivado pela disposição de não abandonar Sansa à própria sorte, bem como o de Jaime que contraria um desejo de seu pai para tentar se reaproximar da arredia Cersei, também parecem carregar a promessa de muitas e boas reviravoltas.

Num outro contexto, mas que igualmente traz a ameaça como carro chefe, o episódio também resgata o plot envolvendo Jon Snow já recuperado de ferimentos no Castelo Negro, mostrando-o abraçado a uma postura semi rebelde e de menosprezo ao que o julgamento formal (e cheio de contradições) de seus superiores da Patrulha poderia implicar, para, no processo, alertá-los de que o ataque dos selvagens (cada vez mais fortalecidos, como nos mostra uma cena específica envolvendo Ygritte) não só era real como iminente.

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E se a sombra de uma grande ameaça não é o que parece preocupar (pelo menos por enquanto) Daenerys em seus esforços para expandir o exército de escravos e, por tabela, se estabelecer como um poder desafiante efetivo àquele de Westeros, a disputa interna dos homens que a servem e parecem dispostos a tudo para chamar sua atenção, surge, nesse início de temporada, senão como um grande elemento daquela subtrama, pelo menos como uma distração curiosa que aliada ao crescimento dos dragões (que tal aquela cena da khaleesi com um deles, hein?) e sua aparente natureza incontrolável, também podem render bons desenvolvimentos.

Seja pela ausência de mais ação ou pela falta de um evento realmente impactante, o retorno de Game of Thrones não chega a ser de todo espetacular (senti falta, por exemplo, daquelas discussões políticas tão características da série), mas sem qualquer dúvida acerta ao dosar a exposição de seus muitos personagens e tramas com aperitivos que, recheados de situações ou diálogos espirituosos, apontam a direção do que deveremos ver ao longo da temporada. Preparados para mais uma rodada do jogo dos tronos?

4star

Ligado em Série assistiu ao episódio a convite da HBO em sessão para a imprensa no último dia 03/04.

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