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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Hannibal 2×04/2×05: Takiawase e Mukozuke

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Há um problema evidente em qualquer série que se dispõe a exibir um flashforward de algum acontecimento importante para sua trama. Ainda que na maioria dos casos (e aqui se aplica também) o mesmo sirva para aguçar a curiosidade do espectador, invariavelmente vai empalidecer algumas situações nas quais os personagens se verão envolvidos, por já termos uma ideia do que vai acontecer.

Esse fator fica evidente no momento em que Beverly começou a se mostrar apta a confiar nas acusações que Will fazia sobre Hannibal; daí já sabíamos de antemão que sua participação na série estava chegando ao fim. Hannibal ainda vai demorar algumas semanas para ser descoberto, como nos apontou a primeira cena da temporada, então a morte da investigadora não foi nenhuma surpresa para nós (ainda que o modo como aconteceu e o estado do cadáver quando encontrado, foram de dar arrepios). Do mesmo modo, quando o “discípulo” de Will Graham é incumbido da missão de liquidar o Dr. Lecter, também já podemos prever que isso não acontecerá (mesmo porque a série acabaria caso seu personagem-título fosse morto).

No entanto, esses pecadilhos estão longe de desmerecer uma produção que nos proporciona um estudo de personagens tão complexo. É interessante notar como Will, mesmo tentando soar frio e impassível diante de tudo o que acontece ao seu redor, não consegue conter seus ímpetos e, num gesto de desespero, ordena a morte da pessoa que lhe pôs na cadeia (e também a única pessoa que pode provar sua inocência), o que jogou por terra todos os seus esforços em aparentar fragilidade perante Hannibal. Por conseguinte, acabou por dar a certeza ao seu ex-psiquiatra de que ele não desistiu de sua teoria inicial, que o aponta como culpado pelos assassinatos cometidos pelo Estripador de Cheasepeake.

Por sua vez, Hannibal parece longe de despertar a menor suspeita de qualquer outra pessoa, já que Beverly cometeu o erro de não avisar Jack sobre o andamento de suas investigações. Aliás, Jack parece cada vez mais ligado a Lecter depois que este evitou o suicídio de Bella, criando uma relação de dependência que pode se tornar muito perigosa para ambos os lados, ainda que uma parte do diretor tente a todo custo acreditar na inocência de Will, mesmo que não consiga encontrar uma evidência plausível para suportar essas acusações.

Mas a série vai bem além da relação Will-Hannibal-Jack: sentimos tristeza pela partida abrupta de Beverly e amamos odiar a intrometida Freddie Lounds. E, se Alana parece completamente deslocada no roteiro, surgindo apenas eventualmente para expressar o seu pesar pela situação na qual Will se encontra, o mesmo não se pode dizer do Dr. Chilton, que vem ganhando destaque nos últimos episódios ao bater de frente com o psicopata canibal em algumas ocasiões. Levando em consideração o destino das pessoas que costumam atrapalha-lo, já podemos ter uma ideia sobre qual será o próximo prato do menu de Lecter.

4star

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