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Por: André Costa

24: Live Another Day | Quarto episódio é pura intensidade

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[com spoilers do 9×04]24: Live Another Day chega ao seu quarto episódio testando nervos e marcapassos mundo afora – mas, além da tradicional sinfonia de pessoas gritando e tiros, a trama colocou no limite as relações entre as personagens: Jack e Chloe, Jack e Heller, Mark e Aubrey, Naveed e Simone, e, principalmente, Margot e a filha. Até teve uma explosão na história (afinal, nunca se deve deixar uma explosão de lado quando há a oportunidade), mas o nervosismo ficou por conta do tic-tac durante as conversas, mesmo.

Por falar em nervosismo, é impressionante como o episódio não teve saídas fáceis (o que, quando aplicado, é um dos grandes trunfos da série). Não tem essa de olhar no Google Maps e ver a rota e sair de alguma sede militar como se estivesse fugindo da aula no colégio. Alguma coisa acontece na última hora, a casa cai, tudo vira de cabeça para baixo e alguém tem que tirar um coelho da cartola. Isso ficou bem claro não só na cena em que Jack tentou fugir da embaixada, mas também na conversa com Tanner (quando parece que o militar genérico pedindo para levar uma coronhada na cabeça não vai atender ao telefone e atende) e no bate-papo informal com o presidente Heller (quando parece que ele vai ceder e resolver todos os problemas de Jack. Mas ele não cede, aquele semi-careca mal agradecido).

Essa abordagem confere um tom de imprevisibilidade que deixa a ação sempre interessante, já que nada ali é certo ou seguro (assim como na vida e na carreira do Nicolas Cage). E 24: Live Another Day tem se beneficiado especialmente disso porque mantém as tramas gravitando perto do plot, sem precisar investir em arcos narrativos mais longos (pela falta de tempo mesmo), fazendo com que a série ganhe um tom de urgência ao aliar essa imprevisibilidade ao fato de que logo alguém vai roubar um drone e tratar Londres como se fosse um kit de Lego. Além disso, a frequência com que as personagens tomam decisões ousadas e inteligentes (ok, na maioria das vezes) torna a caçada ainda mais intensa: se Heller está em desvantagem, decide entrar na toca do leão ao falar com o parlamento britânico; se Jack descobre um meio de entrar na embaixada, Kate corre para anular o cartão dele, que corre para achar uma forma de fazer upload dos dados… é um jogo onde um tem que constantemente sobrepujar o outro.

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Aliás, Kate é um dos grandes achados dessa temporada. Inteligente, decidida, enérgica e com aquele hábito de fazer as regras comerem poeira, acaba se tornando uma espécie de Jack Bauer de saias (e com menos cicatrizes e menos traumas emocionais devastadores). Ela traz uma ótima dinâmica para a série, que agora tem duas personagens muito fortes e com uma grande capacidade de fazer o circo pegar fogo – e, graças à atuação contida e carismática de Yvonne Strahovski, as atitudes da agente soam naturais, com a gravidade necessária de alguém naquela posição e sem ficar naquelas de só fazer pose de durona (como é comum em filmes e séries de ação). Dessa forma, a conexão que a moça cria com Bauer no final e a intensidade com que defende seu prisioneiro chegam a ser comoventes.

Até porque as relações entre as personagens são um dos tiros certeiros neste episódio. Além de Kate, Jack também precisa lidar com o presidente Heller, mas eles não vão simplesmente sentar e tomar uísque enquanto conversam sobre os velhos tempos: o diálogo é tenso, feito por necessidade e carregado de carga dramática pelas coisas que aconteceram no passado (tanto que Heller não exita em colocar Jack, uma pessoa por quem ele tem um respeito, no fogo cruzado. Tipo, literalmente). Do outro lado, Naveed bota sua segurança em risco pelo amor a Simone, que, dividida, sofre ao ir contra seus sentimentos e relatar os planos do marido para a mãe. É uma relação complexa e – dentro do possível – tridimensional, obrigando os pombinhos a lidarem com situações apesar de estarem apaixonados. O amor deles não facilita as coisas: dificulta. O que só faz Naveed e Simone se tornarem personagens mais reais e interessantes.

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E, claro, temos Margot, a terrorista determinada que sequer hesitou ao arrancar um dedo da filha para conseguir o que quer (o que também justifica o medo de Simone em dar no pé). É uma cena que ilustra o fanatismo da mulher e como ela vai tocar o terror até o plano ser concluído, não importando quem esteja pela frente. Essa demonstração de crueldade e de cegueira ideológica torna Margot uma antagonista implacável, aumentando a dificuldade da missão dos mocinhos por sabermos que, se a mulher faz isso com a filha só porque alguém não quis ajudar, imagina o que ela fará com alguém que está deliberadamente tentando atrapalhar (e estou com a impressão que ela e Kate vão se cruzar em algum momento, e olha, não vai ser bonito).

Assim, 24: Live Another Day fecha seu quarto episódio posicionando a trama no lugar certo: longe de qualquer resolução, repleta de conflitos, tiroteios, gritaria, correria, explosões e uma intensidade que faz um ataque de drones parecer uma partida de gamão. Daqui para a frente, as situações só vão ficar mais perigosas – e provavelmente coisas mais importantes do que dedos serão machucadas.

5star

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