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Por: Bruno Carvalho

Crítica | A volta de Orange is the New Black

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[com spoilers] Em uma sessão para a imprensa, a Netflix convidou jornalista para assistir aos dois primeiros episódios da segunda temporada de Orange is the New Black no cinema. A experiência foi interessante, já que dificilmente temos a oportunidade de ver como a comédia de humor negro de Jenji Kohan contagia o público. Looks Blue, Tastes Red nos leva de volta à penitenciária de Litchfield em Nova York confinados junto à protagonista na solitária, após a intensa briga que vimos no fim do primeiro ano. Assim como o espectador, Piper ficou um tempo fora do dia a dia da com suas colegas de cárcere e juntos fomos reintroduzidos à trama sem saber o que estava acontecendo. A sensação de estranheza é mútua quando Piper, subitamente e no meio da noite, é colocada sem explicações em um avião com vários outros detentos e acaba em uma prisão de segurança máxima em Chicago.

Será que ela foi condenada pelo ataque à Pennsatucky? Transferida? Teve seu regime alterado? As mesmas perguntas que circulam a mente de Piper são as mesmas que passam pela cabeça do espectador, o que denota uma escolha acertada dos roteiristas para reintroduzir a série subvertendo as expectativas. Sem mostrar nenhum contexto do que está acontecendo, somos obrigados a descobrir com Chapman o que é que está acontecendo. Além disso, o receio de não revermos as personagens que passamos à toda a primeira temporada acompanhando é inevitável. Ao sermos apresentados a um novo e interessante grupo de prisioneiras, esse parece ser o rumo da temporada, ainda mais considerando o histórico de Kohan com Weeds e seus vários do-overs ao longo dos anos.

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Com um texto fluido (que às vezes é prejudicado pela duração extensa dos capítulos), a roteirista prova sua capacidade em criar histórias e diálogos ágeis, mesmo envolvendo personagens que acabamos de conhecer. Destaque para a companheira de voo de Chapman e para as detentas obcecadas em utilizar baratas para traficar cigarros na nova prisão. Felizmente, a história que seguíamos na primeira temporada retoma quando descobrimos que Piper foi apenas temporariamente transferida para servir como testemunha do julgamento do traficante para quem ela e Alex trabalhavam, com direito a uma interessante reviravolta ao final do terceiro ato.

Enquanto o primeiro episódio é focado apenas nas duas contraventoras, o segundo retorna a Litchfield dando sequência aos acontecimentos do ano de estreia, nos atualizando da situação de cada uma e também de Larry. A produção segue adotando a estrutura narrativa popularizada por LOST com flashbacks intercalados, porém aqui eles continuam bem pontuais, focando em aspectos da história das personagens que imediatamente irão completar ou contrapor com o presente (o que acaba se tornando conveniente e óbvio demais em alguns momentos). Ainda assim, tudo aquilo que se tornou uma marca registrada de Orange is the New Black voltou potencializado: das situações, digamos, “escatológicas” ao roteiro ousado em suas piadas, provando que, pelo menos até agora, Jenji Kohan aprendeu e muito com os (vários) erros e acertos de Weeds.

4star

Orange is the New Black estreia com todos os capítulos no dia 6 de junho na Netflix. 

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