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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Game of Thrones 4×07: Mockingbird

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Após o sexto grande episódio de Game of Thrones, era de se esperar outro bem menos empolgante no último domingo, mas confesso que fui surpreendida. Mockingbird foi um episódio cheio de contrastes, desde as cores, com o negro da cela de Tyrion em oposto ao branco da neve no Ninho da Águia, até o ato de misericórdia de Cão de Caça com o homem ferido versus a covardia de Littlefinger contra Lysa. Retomando o marcante final The Laws of Gods and Men, o episódio dirigido por Alik Sakharov inicia com Jaime e Tyrion conversando na cela. Jaime demonstra toda sua insatisfação com o fato do irmão não ter feito o que pediu e ter optado pelo julgamento por combate apenas por orgulho e para estragar os planos do pai.

Tyrion se vê em uma péssima situação quando compreende que Jaime não poderá ser o seu campeão, já que sua mão esquerda não daria conta de uma luta contra a Montanha, e coloca suas esperanças novamente em Bronn. Mas Cersei tratou de oferecer um bom casamento a ele, entre outras coisas, a fim de evitar que fosse o campeão do irmão. O Lannister tenta convencê-lo a lutar mais uma vez por ele, recorrendo ao lema de sua casa e a todos os benefícios que Bronn poderia obter de sua gratidão, mas não foi suficiente. Ele respeitosamente declina da oferta e Tyrion fica totalmente sem esperanças. Quem o tira da escuridão (e aquela tocha na mão, direcionada ao rosto do Lannister, foi uma ótima jogada figurativa) é Oberyn, que une o útil ao agradável com a possibilidade de finalmente vingar sua irmã Elia lutando com a Montanha – até agora o principal motivo que o levou a King’s Landing. Como no próximo domingo não teremos episódio de Game of Thrones, levaremos quase duas semanas para finalmente assistir a esta tão aguardada luta e descobrir o destino de Tyrion.

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Para reforçar o perigo que é enfrentar a Montanha, o personagem surge na tela lutando contra vários escravos, que dilacera sem piedade. É um momento gore do episódio, com muito sangue e vísceras (olá, The Walking Dead!). Durante essa cena o ator é filmado em ângulos de baixo para cima que engrandecem ainda mais o enorme personagem, aumentando a sensação de temor quanto a este combate. Já o outro Clegane está em um núcleo que fica cada vez melhor. Cão de Caça e Arya desenvolvem uma relação que segue cada vez mais complexa que deixa os dois agora mais se parecendo com pai e filha. Durante o encontro com um homem agonizante, Arya mostra o quanto está endurecida, niilista (“nada é apenas nada”) e ao mesmo tempo forte. Quando Cão de Caça dá o golpe de misericórdia no homem, Arya não se abala e ainda escuta atentamente o amigo (?) mostrar onde deve dar o golpe. Quando surge a dupla que ataca o Cão em busca da recompensa por sua cabeça e Arya percebe que um deles era um dos presos que estavam com Yoren, ela dá o golpe no homem e limpa a lâmina em sua roupa assim como Cão de Caça em uma espirituosa cena que remete à famosa lista de nomes de Arya.

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A relação dos dois ainda fica mais próxima quando a menina tenta cauterizar o ferimento do Cão de Caça e ele conta a história sobre seu rosto queimado, a dor de ter sido seu irmão quem causou aquilo e de seu pai não ter ficado do seu lado. Arya pede então para cuidar do ferimento dele de outra forma, e vemos os laços entre os dois se estreitarem e uma confiança mútua começar a ser construída. Mas existe algo que é bastante importante ressaltar no diálogo com o homem agonizante que eles encontram no caminho: quando o Cão diz não ser o pai de Arya, e sim seu captor em busca de resgate, aquele senhor fala sobre a importância de dar e receber como forma de equilíbrio, e isso vai estar presente em outros momentos do episódio como quando Tyrion tenta convencer Bronn a ser seu campeão (oferecendo gratidão e recompensa quando for senhor de Winterfell), Oberyn se oferece para ser o campeão de Tyrion (assim poderá ter a oportunidade de vingar sua irmã) e Brienne confia em Hot Pie e fala mais do que deveria, mas só assim consegue ter notícias sobre Arya.

Já na Muralha, Jon retorna a Castle Black após a missão de sucesso na Fortaleza de Craster, mas nada disso muda a atitude de Alliser em relação a ele, dificultando os planos de Snow de selar o túnel abaixo da Muralha para que se protejam do ataque de Mance Rayder. É muito interessante ver como nesse ponto Jon e Tyrion estão muito próximos: são sempre injustiçados e rebaixados, não importa o que façam. O que nos lembra o ótimo encontro e diálogos que aconteceram entre os dois lá na primeira temporada, quando Tyrion identificou essa semelhança de imediato por Jon ser um bastardo e não ser reconhecido como um igual entre os Stark, assim como ele entre os Lannister.

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Em Pedra do Dragão, Melisandre e Selyse conversam sobre poções, ilusões e a verdade, além da necessidade de Shireen ficar ao lado delas, indicando que a menina tem algum papel importante a desempenhar. Gosto muito destas pequenas cenas em Game of Thrones que parecem não ter grande importância, mas que lá frente se mostram fundamentais. O mesmo aconteceu no núcleo em Meereen. Após uma merecida noite de folga junto a Daario Naharis (se é que vocês me entendem), Daenerys recebe Jorah, que a tenta convencer que a missão de Daario e dos Segundos Filhos de matar todos os mestres em Yunkai não é uma boa escolha (novamente a questão do equilíbrio). Chega-se à decisão de que Hizdarh zo Loraq irá como embaixador contar o que aconteceu com os mestres em Meereen e oferecer que escolham aceitar os termos da Khaleesi ou morrer. E a questão é se irão fazer mesmo esta escolha ou surgir com alguma surpresa.

Quanto à dupla Brienne / Podrick, pode-se dizer que desta vez acertaram no tom, com apenas um leve toque de humor não apenas devido ao atrapalhado escudeiro, mas também a quem encontram em uma estalagem: Hot Pie! Espaçoso e falante como sempre, acaba abusando da cordialidade dos viajantes, mas foi o suficiente para que ele soubesse que estão atrás de Sansa Stark. Como ele conhece muito bem sua irmã Arya, procura a dupla e, no final dessa cena temos uma doce lembrança da relação entre Hot Pie e Arya – ele pede que Brienne entregue à garota um novo pão, na forma do lobo símbolo dos Stark, que saiu bem melhor do que da última vez. Foi um momento doce bem colocado em meio a tantas cenas escuras e em torno da dor, vingança e falta de esperança neste episódio.

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Mas por mais escura que seja em termos cenográficos, a cena em que Oberyn visita Tyrion é bastante significativa, e tem um importante link com o episódio anterior e com o discurso do Lannister em seu julgamento. Enquanto Tyrion protestava sobre ter sido sempre renegado por ser um monstro, Oberyn descreve uma lembrança antiga sobre sua primeira visita a Casterly Rock e a curiosidade em conhecer o famoso monstro que diziam ter nascido. O Martell conta como se decepcionou ao ver que se tratava apenas de um bebê. Um pouco diferente, mas apenas um bebê. Com isso, Tyrion encontra consolo em saber que alguém não o considerava tão monstruoso assim e descobre que o ódio de Cersei por ele tem raízes muito mais antigas e profundas do que imaginava. Se Peter Dinklage impressionou por sua intensa e eloquente interpretação no episódio passado, nesse momento foi pela emoção, em uma atuação bem mais contida, mas que também revela todo o seu talento.

O episódio termina no Ninho da Águia, com Sansa desfrutando um dia de neve no jardim enquanto lembra-se de Winterfell e tenta reconstruir seus castelos. Até acontecer uma discussão com o jovem Robin, que a leva a dar um tapa no seu rosto. Tudo indica que isso trará péssimas consequências com sua tia Lysa, mas o que desencadeia um ataque de raiva é o beijo que Littlefinger resolve dar em Sansa, transferindo os sentimentos que sempre teve pela mãe para a filha. Lysa testemunha o beijo e chama a sobrinha para a beira da Porta da Lua, onde inclina sua cabeça para as centenas de metros de altura, ameaçando a jogar. Quem interfere é o próprio Littlefinger, que, após a acalmar, empurra Lysa para uma terrível queda. E é assim, com esta cena que começa tensa quanto ao destino de Sansa e termina com o assassinato de Lysa, que Littlefinger se firma como o mais perigoso personagem de Game of Thrones e definitivamente o mais ardiloso. Para alguns, pode parecer que ele matou Lysa para proteger Sansa, mas alguém realmente acredita que não foi por pura frieza e ambição? E será que alguém vai conseguir interferir nos planos de Littlefinger?

4star

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