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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Hannibal 2×13: Mizumono [Season Finale]

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[Contém Spoilers] A certa altura desta season finale de Hannibal, o personagem-título comenta com Will sobre o último estágio da evolução de um ser, sua metamorfose final, traçando um paralelo entre este conceito e os novos rumos que parecem se desenhar na vida dos dois. Do mesmo modo, a definição de imago discutida por ambos é algo que se torna intrínseco ao próprio curso da série, que tomou um caminho sem volta e prende o espectador justamente por ficarmos curiosos para saber como se comportarão os personagens diante dos acontecimentos aqui testemunhados por nós.

Dando continuidade ao plano elaborado entre Jack e Will com o propósito de prender Hannibal (cujos desdobramentos chegaram a nos enganar em relação a uma possível mudança de lado de Will), o episódio impõe um caráter emergencial logo de cara ao sobrepor os diálogos de Graham com Jack e Lecter, num trabalho eficiente da montagem, que culmina num belíssimo plano repleto de simbolismos, ao evidenciar as duas facetas de Will, nos levando a questionar a que lado o mesmo depositará sua lealdade. Paradoxalmente, o roteiro procura não atropelar acontecimentos, gastando um pouco do seu tempo em diálogos brilhantes entre os personagens (e a cena que Freddie Lounds e Will dividem se torna importante para entendermos um pouco mais do que se passa na mente deste).

No entanto, é mesmo o embate entre os personagens o momento que esperamos durante a temporada inteira para assistir, e nesse quesito a série não decepcionou: a luta entre Jack e Hannibal, o retorno de Abigail, a descoberta de Alana (que convenientemente correu escada acima em vez de ir para a saída, mas vamos fechar os olhos para isso), o confronto final entre Lecter e Will, tudo isso sendo contado de forma brilhante pela direção inspirada do episódio (a sequência em que Abigail empurra Alana pela janela é de uma beleza visual que poucas vezes vi na TV). E vale também destacar o eficaz trabalho de decupagem do roteiro, que transitava entre vários cenários e situações sem nunca perder o crescente clima de tensão que permeou o episódio desde o primeiro segundo.

Ainda assim, não haveria roteiro primoroso que salvasse o episódio caso o elenco não correspondesse às expectativas criadas, o que felizmente não acontece aqui, graças, em grande parte, a Laurence Fishburne e Mads Mikkelsen. Enquanto o primeiro parece carregar um grande peso nos ombros durante todo o tempo (resultado da culpa que sente por ter sido enganado por Hannibal durante tanto tempo), demonstrando uma fúria instantânea a partir do momento em que percebe que vai perder mais uma batalha (talvez a definitiva), o segundo confere um ar de austeridade e frieza a Lecter, mesmo que, em alguns momentos, pareça demonstrar fragmentos de sentimentos “normais” (e a cena em que o mesmo detecta a mentira de Will surge como um exemplo perfeito da atuação minimalista de Mikkelsen, que representa um mundo de emoções apenas com um trejeito da boca ou um levantar de sobrancelhas). Ao mesmo tempo, o fato de que Gillian Anderson aparece pouco no episódio já faz com que o nível de atuação do elenco aumente, enquanto Hugh Dancy ao menos se mostra mais contido em seus exageros como ator, realizando apenas um trabalho regular que, repito, empalidece quando precisa contracenar com Fishburne e Mikkelsen.

Criando um gancho absolutamente arrasador para o próximo ano (afinal, quem vai morrer e quem vai sobreviver à chacina na casa de Lecter?), Hannibal finaliza sua segunda temporada como uma produção que, mesmo com alguns erros durante o percurso, conseguiu entregar um produto de qualidade. E, considerando que a série ainda representa uma exceção na TV aberta americana soterrada de programas de qualidade duvidosa, esse é um feito considerável.

5star

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