Crítica | Extant 1×05: What on Earth is Wrong?
Crítica | Extant 1×05: What on Earth is Wrong?

Crítica | Extant 1×05: What on Earth is Wrong?

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[com spoilers do episódio 1×05] Tudo indicava que What on Earth is Wrong?, o quinto episódio desta caminhada meio bêbada de Extant em direção a sabe lá Spielberg onde, seguiria a encheção de linguiça do episódio anterior: durante a maior parte do tempo a história permanece estagnada, correndo ao redor de si mesma, fazendo um esforço hercúleo para não ir para a frente. Mas aos 40 do segundo tempo surgem alguns elementos novos na jogada e Extant consegue justificar um pouquinho o tempo que o espectador investiu ali, ainda que muita coisa precise melhorar para a série se tornar realmente interessante.

O que What on Earth is Wrong? realiza com mais eficiência, entretanto, é escancarar a covardia de Extant. Tudo parece pensado para adiar ao máximo possível qualquer comprometimento com uma linha narrativa – assim, o sequestro e a experiência realizados em Shelter não possuem quase nenhuma consequência neste episódio, pois a) a megacorporação superpoderosa tratou Molly como um Google Chrome ou Firefox e simplesmente apagou o histórico de gravidez dela, não deixando nenhuma prova física, b) Ethan passa o tempo todo desligado e, quando acorda, não lembra de nada; e c) Sam foi chantageada com uma historinha preguiçosa lá e não vai abrir o bico.

Percebam que todo esse esforço é para retornar ao status quo pré-sequestro/experiência/telecinese. O silêncio de Sam, por exemplo, apesar de uma breve discussão, não parece que vai alterar sua relação com Molly (a protagonista mesmo diz que devem ter algo muito grande contra ela, soando quase compreensiva). A doutora não foi morta. Não foi atacada. Está cooperando com a ISEA ao fingir que não sabia da gravidez, mas não está trabalhando ativamente contra a amiga. Não vemos nem Sam nem Molly sofrendo muito por causa da situação. Não há absolutamente nenhum conflito nessa trama, que mantém a personagem pronta para voltar ao lado “do bem” assim que precisar. Claro, é algo que corrobora a tentativa de desacreditar Molly, associar ela ao Clube da Camisa de Força, mas mesmo isso não parece fazer muita diferença, já que a moça simplesmente volta ao trabalho no final do episódio – sabem como é, quando a pessoa admite que estava tendo alucinações, significa que ela está pronta para trabalhar com experiências ousadas em laboratórios caríssimos. Durou pouco essa loucura.

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O mesmo com Ethan, que, com exceção daquele momento tenso onde é acordado por John, simplesmente volta ao seu estado natural, e com a ISEA, cuja grande revelação é o fato de que eles têm o bebê da Molly (algo que já havia ficado subentendido em Shelter, uma vez que vemos os cientistas cortando a barriga de uma moça grávida e realmente não parecia que iam fazer algum tipo de lipoaspiração). Por outro lado, Julie vai se tornando uma personagem mais interessante graças ao ciúme de ver Molly sendo a mãe de Ethan e a tristeza de estar distante do garoto, o que pode gerar subtramas interessantes (além disso, Grace Gummer consegue ter a sensibilidade de exibir tais sentimentos sem tornar Julie uma caricatura, dando um pouco mais de complexidade à personagem).

Também é bom ver Extant se preparando e dando sequência às situações sem terraplanar a suspensão da descrença do público. Assim, o fato de Molly lembrar da mordida do cachorro foi uma boa sacada e que favorece a inteligência da personagem, pois não é o tipo de pista que fica piscando em neon para todos saberem o que vai acontecer (a mordida já tinha aparentemente servido ao seu propósito: indicar uma estranheza na protagonista). Da mesma forma, utilizar um elemento de trabalho (o algoritmo) para analisar a filmagem no espaço torna a situação mais crível, já que é um elemento que faz parte daquele universo, faz sentido existir naquele momento, ao invés de algo que brota simplesmente para resolver o problema. E a série ainda nos apresenta a algum tipo perturbador de energia-sêmen que foi às vias de fato com Molly na espaçonave, oferecendo uma informação importante que altera um pouco a percepção do espectador sobre os eventos (as alucinações envolvendo Marcus e Tim passam a sugerir a presença dessa energia na Terra) e coloca mais mistério e expectativa sobre o bebê. Só espero que Extant saiba trabalhar em cima dessas possibilidades.

3star

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