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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | O assustador (e ótimo) terceiro episódio de The Strain

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Tenho gostado de The Strain desde o primeiro episódio, e uma das coisas que mais me agrada até agora é que a série tem conseguido manter um nível de qualidade. Uma dessas principais qualidades está na construção do suspense, e em Gone Smooth isso fica bem evidente. O episódio já começa com um clima misterioso em um ambiente lúgubre em que vemos Eichorst na sua forma física original passando por todo um ritual para vestir seu disfarce de humano, que inclui próteses de nariz e orelhas.

Eichorst foi importante ainda em outra sequência, quando Jim tenta visitar seu contato para desistir de fornecer qualquer ajuda futura (agora que se deu conta das consequências de ter facilitado a saída da caixa que foi transportada no fatídico voo) e ainda ameaça chamar a polícia quando se sente acuado. O emblemático personagem chantageia Jim, oferecendo a inclusão do nome de sua mulher, que sofre de câncer, em um experimento promissor em troca de seus serviços. Mais adiante, quando o nome da esposa de Jim realmente entra na pesquisa (em que 100 entre 30.000 foram aceitos), essa cena acaba simbolizando o tipo de poder que aquele grupo de personagens detém – e o perigo que isso representa quando somado à força sobrenatural do Mestre.

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Um momento enigmático – e bem resolvido em termos de produção – foi o aparecimento crescente dos ratos. A sequência envolvendo a menina que foi mordida no apartamento foi apenas um prelúdio, em seguida Vasiliy passa a vê-los pelas ruas até presenciar centenas deles saindo dos esgotos, aparentemente fugindo de algo. O exterminador do Serviço do Controle de Pestes já está intrigado, resta ver que resultado esse arco terá.

Se Gone Smooth teve algumas quebras no ritmo para mostrar o desenvolvimento da situação familiar de Eph e a saída de Setrakian da prisão (fundamental de ser apresentada, até mesmo pelo diálogo com Nora), mesclou habilmente com pequenos momentos de suspense. Um desses exemplos foi a visita de Eph à casa da menina que encerrou o episódio anterior, naquela ótima cena na banheira, assim como o desenvolvimento do contágio de mais um dos quatro primeiros sobreviventes do voo, que bebeu avidamente o sangue de um pedaço de carne que estava na geladeira, enquanto sua mulher observava com horror.

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Mas o episódio foi marcado por duas cenas mais chocantes, ambas envolvendo também dois dos sobreviventes originais do incidente com o avião. A primeira delas teve como protagonista Bolivar, que sente os efeitos de sua contaminação se acelerar. Além da queda de seu cabelo e outros sintomas relatados ao seu médico, a reação que recebe quando abre seu roupão já nos adianta o tipo de transformação que está sofrendo. E então vem a cena no banheiro. O som que ouvimos em determinado momento já seria suficiente – somado à reação anterior do médico – para compreendermos o que se passou, mas a série resolveu deixar tudo bem claro com uma tomada frontal que mostra a inexistência de qualquer órgão sexual. Bolivar já não é mais um homem, se tornou uma criatura.

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E o final? O que foi o final desse episódio? O piloto finalmente sucumbe completamente ao vírus, foge da quarentena e ataca Eph, Nora e Jim. Após uma sequência de luta entre eles, em que o novo vampiro ataca violentamente, Eph o mata de forma brutal e o episódio encerra com um corte brusco, indo direto para os créditos e nos deixando meio zonzos e meio desesperados pelo próximo episódio. E é bem assim que se faz um bom thriller.

PS: A trilha de The Strain, que ajuda a criar todo o clima de suspense necessário, é composta por Ramin Djawadi, que também cuida da ótima trilha de Game of Thrones.

4star

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