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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Anjos da Lei 2

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Após o sucesso na investigação do distribuidor de drogas no colégio em 21 Jump Street (Anjos da Lei, baseado na série homônima), Schmidt e Jenko são convocados para desmascarar o esquema de distribuição de drogas em uma faculdade, dando sequência ao processo de crescimento exigido pela sociedade (talvez o 3 envolva tráfico de drogas em um emprego e o 4 em um casamento). Mas o ambiente mexe com eles, e, conforme a relação entre ambos vai se tornando mais difícil, eles terão que enfrentar muitos tiroteios, piadas inspiradas, sequências épicas e humor afiado para chegar ao final do mistério.

22 Jump Street (Anjos da Lei 2) é um filme que não se leva a sério. Nem um pouco. É tão fã da fanfarra, inclusive, que não hesita em tirar sarro de si mesmo – ao ver os policiais, o capitão diz que agora possui mais orçamento sem motivo nenhum e que tudo que eles precisam é fazer a mesma coisa do caso anterior para que todos fiquem felizes. Mas o filme não faz a mesma coisa: expande o bromance da dupla de protagonistas até a ionosfera, atirando granadas de carisma no público, brincando com as convenções do gênero e construindo uma película engraçada como poucas no ano.

O grande trunfo da produção, claro, é a química entre Schmidt e Jenko e a dinâmica entre ambos, que tratam a parceria quase como um relacionamento amoroso – o que certamente não é uma abordagem nova, mas aqui se destaca pelo tempo que o filme investe nas conversas, discussões e brincadeiras entre ambos e em algumas genialidades pontuais (como Schmidt ficando com ciúmes ao ver um vídeo de Jenko e Zook malhando juntos, enquanto o espectador só ouve os gritos de esforço deles, como se algo sexual estivesse realmente acontecendo; ou a frase “acho que deveríamos investigar outras pessoas“). O magnetismo da dupla é desconcertante, e sempre que estão em cena com seu comportamento frenético o filme transborda fanfarronice e diversão.

22 Jump Street também consegue subverter bem as convenções do gênero policial, criando situações tradicionais para logo depois atirá-las sem dó ao nonsense hilário (a cena inicial com os disfarces é diamante polido, bem como a conversa com um presidiário involuntariamente eunuco ou um determinado pulo altruísta), além de aproveitar os recursos cinematográficos para catalisar humor através de sequências empolgantes (como Schmidt pulando em câmera lenta ou o brilhante plano aéreo durante uma também brilhante perseguição de “carros”). Aliás, as gags físicas não apenas funcionam de forma vitoriosa como se acumulam feito os prêmios Emmy no set de Modern Family, um encadeamento de momentos divertidos que pega as bochechas do espectador e vai puxando até surgir o sorriso (a sequência do “trote” é um bom exemplo disso).

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A produção ainda cospe enlouquecidamente diálogos sensacionais como se não houvesse amanhã, utilizando o mínimo espaço possível para criar uma situação engraçada – algo ilustrado com perfeição pelo revoltado brado de “vão se fuder, pombas!” disparado por Jenko em determinado momento. Assim, frases como “sou o 1º da família a fingir que foi à faculdade“, “sabe o que não é caído? Segurança”  e a inesperada expressão “fieto” pipocam na tela com uma frequência cativante, mantendo 22 Jump Street em um ritmo alucinado de RPM (Risadas Por Minuto).

Para completar, as sequências de ação são extremamente eficientes e captam bem o clima do filme – ou seja, são também criativas e tresloucadas ao extremo. Do histérico surfe de caminhão no início ao sensacional salto olímpico em direção ao helicóptero, a produção se apropria dos elementos policiais e da, hã, insanidade de seus protagonistas para construir cenas divertidas e bem coreografadas, que  funcionam como motor da narrativa ao mesmo tempo em que soam atraentes por si mesmas, como a já citada perseguição de carro ou o tiroteio na biblioteca (que fogem do lugar comum, usando o cenário e/ou resgatando ideias plantadas anteriormente para conferir uma carga maior de braços erguidos e gritos de “é isso aí!” durante a projeção). E, no caminho, a película aproveita a diferença de persona entre Schmidt e Jenko para criar duas daquelas que sem dúvida estarão entre as melhores cenas de luta do ano.

Claro, 22 Jump Street só funciona porque Jonah Hill e Channing Tatum ficam em chamas durante todo o filme, compartilhando uma dinâmica divertida pacas e uma química que dá peso e credibilidade ao bromance, além de estarem embebidos em carisma. Em determinado momento, Jenko queima algum fusível do cérebro e sai pela delegacia distribuindo high-fives e gritando palavras de lascívia por algo que Schmidt fez, uma decisão tão absurda que só poderia ser tomada por alguém que realmente torce pelo parceiro – e a vontade do espectador é estar ali junto, distribuindo high-fives, se metendo em confusões e falando coisas como “spring break, motherfucker!“. 22 Jump Street pega o (ótimo) primeiro filme e adiciona toneladas de diversão, conseguindo superar seu predecessor, expandir aquilo que ele já tinha de bom. O resultado são duas horas de uma comédia cativante e genuinamente engraçada, como todas as comédias deviam ser.

 5star

Obs: as  cenas durante os créditos do filme são uma atração à parte!

Uma resposta para “Crítica | Anjos da Lei 2”

  1. IgorVidal disse:

    E em relação ao final??? Será que pode virar seriado?

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