FOTO: REPRODUçãO

Por: Redação Ligado em Série

Hemlock Grove é renovada para a última temporada; falamos com Eli Roth e Famke Janssen!

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Finalmente os fãs de Hemlock Grove podem respirar aliviados. Depois de um final de temporada que deixou muita gente de cabelo em pé e ainda terminou com um cliffhanger literal e arrasador, a notícia mais esperada por todos foi oficializada: Hemlock Grove está renovada para a terceira, porém última temporada.

O retorno será em 2015, sem data definida, e para mais dez episódios. A série de terror da Netflix tem como produtor executivo Eli Roth (Hostel) e é baseada no romance de Brian McGreevy, de mesmo nome. “A resposta dos fãs para a segunda temporada foi marcante, e sabemos que Chic, Eli e equipe farão um final misterioso e chocante para completar a série,” disse Cindy Holland, executiva de programação original da Netflix.

Há duas semanas o Ligado em Série sentou com o produtor Eli Roth e as atrizes Famke Janssen (Olivia) e Maddie Brewer (Miranda), que estiveram em São Paulo para falar sobre a série e as perspectivas para o terceiro ano, que até então era ainda não estava 100% confirmado, embora era esperado por todos com ansiedade. Leia abaixo como foi o papo:

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Eli Roth

Ligado: Eli, obrigado por falar com o Ligado em Série! Primeiramente, queríamos saber: o que foi aquele doutor voador no final? 

Eli: Quando trabalhei com David Lynch (Twin Peaks) na conversão de Eraserhead de VHS para DVD soube que ele é um diretor que não costuma gravar comentários sobre suas obras. Mas como eu já estava lá resolvi perguntar o que era a cena do bebê no filme e a resposta foi enfática: “Eli, você sabe que não deve me perguntar essas coisas!” Então aqui você pode me perguntar sobre qualquer coisa hoje, mas de forma alguma vou responder sobre essa cena, porque isso vai entregar algumas coisas que só veremos na próxima temporada. O mais bacana de Hemlock Grove são as suas reviravoltas e surpresas neste mundo que não é real, mas está bem próximo da realidade. E mesmo com os Upirs e criaturas fantásticas, achei que aquele fim seria um momento de choque em que faríamos o espectador voltar a repensar o que já viu na série. O doutor alado é algo que definitivamente só vamos explicar no terceiro ano.

Ligado: Por que você é tão fascinado pelo horror a ponto deste ser o único gênero no qual dirige e produz?

Ora, esse não é o gênero mais divertido? Pra mim é! Se eu vou levar uma garota para o cinema numa comédia romântica, ela olha para o Matthew McCounaughey e olha pra mim não vai dar muito certo! Agora, se o Freddie Krugger aparece na tela e ao lado dela estou eu, eu acabo ficando bem na fita, não é? É uma ótima forma de fazer garotas segurarem o meu braço!  O terror é algo universal e a resposta ao gênero é unânime em todos lugares que eu vou, pois cada local tem sua própria tradição de folclore e de histórias de terror. Isso não acontece com a comédia, por exemplo, que dependendo do caso só funciona em certo contexto cultural e referencial. Eu não faço meus filmes só para os EUA, eu faço para o mundo todo. Pra mim não há nada melhor do que quando as luzes apagam nos cinemas, as pessoas gritam e saem apavoradas e saem querendo ter “apagado” aquilo de suas memórias, como se estivessem modificadas pelo que viram. É isso que eu amo.

Ligado: Por que, então, sair do cinema e ir para a Netflix? O que essa nova mídia proporciona para o gênero?

EliO bacana é que com serviços como a Netflix podemos criar algo que se assemelha a um filme de terror de 10 horas que você pode assistir como quiser, sem regras. E não falo apenas em termos de evolução da mídia para a audiência moderna, mas também sobre a liberdade que temos para criar um episódio violento, com sangue jorrando e tudo. Esse é o tipo de coisa que sempre quis fazer na televisão e nunca pude, pois os canais tradicionais diziam: “não podemos fazer isso de forma alguma”, e a Netflix, ao contrário fica lá atiçando: “faça mais, vá mais longe!” Além disso, o modelo de negócios da empresa – de lançar todos os episódios de uma vez – permite ao realizador poder voltar ao capítulo dois, por exemplo, e alterar ou ajustar algo, já que não temos a obrigação de entregar um episódio toda semana como na TV tradicional. Isso nos dá um controle muito mais sobre a obra. Algumas cenas, também, como a da transformação do lobo em humano não poderiam ser feitas a tempo na TV comum por conta do cronograma de produção. Com a Netflix, eu posso separar mais tempo para gravação, pré e pós-produção, ainda que a cena complicada seja exibida no início da temporada.

Ligado: O que vocês aprenderam com a primeira temporada e que agora mudaram para o segundo ano?

Eli: Uma das coisas fundamentais foi poder analisar a temporada anterior como um todo e selecionar o que funcionou ou não, criativamente e até em termos de produção. Por exemplo, nós gastávamos um tempo absurdo dirigindo até a mansão para gravar e voltar. Ao eliminar essa locação da segunda temporada, conseguimos gastar mais com cenas de horror e gore – as mais celebradas -, e isso é algo que o público não nota. 

Ligado: O que podemos esperar da terceira temporada, se renovada?

Eli: Eu quero que a terceira temporada seja diferente, especial e também queremos fazer uma série melhor. Eu olho para dramas fantásticos como Breaking Bad – que é brilhante do início ao fim – mas que claramente foi melhorando a cada temporada e é nisso que eu me espelho. E há uma infinidade de ideias que quero explorar com o Dr. Pryce e os monstros e queremos ter algo ótimo. 

Ligado: O horror é o elemento principal em Hemlock Grove, assim como em filmes como Hostel?

Eli: Não, o objetivo de Hemlock Grove não é o de ser “Hostel – A Série” e eu acho que hoje estamos na nova era de ouro do terror na TV com American Horor Story, The Walking Dead, Hannibal, The Strain e tem coisas que até não se pode fazer em filmes que já é possível fazer na TV (em poucos casos) e isso é ótimo. Mas pra mim eu queria criar uma série com um foco similar ao de Twin Peaks que combina vários elementos em um universo próprio. Roman e Peter são divertidos, há romance, mas também há elementos bizarros que nunca haviam sido retratados na TV e essa era a série que eu queria fazer.

Ligado: Como vai continuar a relação da série com o livro?

Eli: Na primeira temporada nós fizemos uma adaptação do livro do início ao fim. Na segunda temporada não há mais o livro para seguirmos, então o que fizemos foi usar o primeiro ano como base e a partir daí seguir e explorar várias direções. Espero que consigamos ampliar isso na terceira temporada, especialmente aquilo que considero ser a alma da série, que é a “luta contra demônios interiores” que todos os personagens vivem de uma forma ou de outra e que transcrevem através de emoções ancoradas na realidade, ainda que se trate de uma série sobrenatural.

Famke Janssen

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Ligado: As roupas de Olivia mudaram muito esta temporada, por que?

Famke: Na primeira temporada ela se vestia mais de branco, muito porque o livro especificava isso. Foi muito interessante porque todo aquele claro se destacava no mundo sombrio, mas no final da primeira temporada com todas as dificuldades que ela teve, muitas coisas mudaram e acho que a transição para cores mais escuras é natural, pois reflete o estado mental da personagem e que acaba mostrando uma Olivia diferente, mais fragilizada e surpresa com suas próprias emoções agora que ela – que é uma controladora – não possui mais controle sobre nada.

Ligado: Como é interpretar uma vilã e, ao mesmo tempo, lidar com a violência gráfica da série?

Famke: Eu não acredito que nenhum daqueles personagens seja ou se sinta como um vilão daqueles que acorda todas as manhãs e se olha no espelho com uma risada maligna. O fato de eles pensarem que são bons os deixam mais ainda assustadores e nenhum ali é necessariamente de um jeito ou de outro. São personagens complexos. Por isso eu tento fazer com que Olivia tenha diversas camadas, cores e estilos de personalidade e cabe ao público decidir quem é essencialmente bom, mau ou anormal.

Sobre a violência, às vezes sinto que é demais pra mim, como a cena do último episódio da segunda temporada em que eu chego e vejo toda aquela carnificina. Isso é coisa do sádico do Eli e tem horas que, como atriz, encarar isso é bem complicado, pois você não sabe o que esperar. A violência em filmes e na TV é algo complicado de lidar no mundo de hoje e eu penso que somente se ela for retratada de uma forma cinematográfica e contextualizada ela pode ser justificável, mas isso é coisa da minha cabeça. Eu não queria ser responsável por trazer mais violência ao mundo, mas aqui não sou eu que estou no controle, então preciso confiar no trabalho de Eli, dos roteiristas e diretores.

Maddie Brewer

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Ligado: Como foi a transição de Orange is the New Black, onde você interpretava a personagem Tricia – que morreu – e agora Miranda em Hemlock Grove?

Maddie: Depois de terminar Orange eu fiquei desempregada da TV e estava trabalhando como garçonete em Nova York. Fiz os testes para Hemlock Grove, mas fiquei sabendo que centenas de garotas estavam no páreo. Mas um belo dia meu agente me ligou, disse que o papel era meu e eu literalmente joguei meu avental no chão e saí para trabalhar. As duas personagens – Tricia e Miranda – são as únicas que interpretei na carreira, mas acho que elas são muito parecidas entre si e comigo, embora o contexto das produções sejam diferentes. São personagens bastante femininas, mas que que tem um toque áspero em suas personalidades. Ambas foram divertidíssimas de interpretar.

Ligado: Em seu segundo papel na carreira, você já chegou numa série de sucesso interpretando uma espécie de Sookie, que pega o vampiro e o lobisomem. Como é a sensação de já chegar abalando?

Eu acho que Miranda é muito mais do que Sookie Stackhouse, de True Blood. Ela não é só rostinho bonito e, embora ela de fato fique com vampiro, com o lobisomem (e depois com os dois de uma vez), o desenvolvimento da personagem acaba tomando uma proporção fundamental para a história, completando o sonho e fazendo o desfecho da temporada como um todo. Então eu acho que é isso.

As duas temporadas iniciais de Hemlock Grove estão disponíveis na Netflix!

5 respostas para “Hemlock Grove é renovada para a última temporada; falamos com Eli Roth e Famke Janssen!”

  1. Magaly Heloar disse:

    Por que ultima temporada? Gostaria que tivesse outras, é uma de minhas séries favoritas :/

  2. Manoel Lucas disse:

    Oi galera, temos um novo grupo no whats sobre Hemlock grove, além de outras séries! Quem quiser entrar, deixe o número nos comentários ou se preferir me chame no PV, no 084 98205909.

  3. Cassy Balarini disse:

    Onde vejo a terceira temporada?

  4. Dyhalto-BR disse:

    quando sair…. no netflix.

  5. Fabiana Barbosa disse:

    queria comprar o dvd da ultima temporada, será que nao vai ter??? :(

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