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Por: Bruno Carvalho

Crítica | A incrível guinada de The Good Wife

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[com comentários dos episódios 6×02 a 6×04] Enquanto o episódio de estreia da sexta temporada de The Good Wife serviu para provar que a série não pretende fazer nenhuma espécie de “reboot” em sua trama, ao iniciar já com uma complicada situação na migração de Diane para o Florrick/Agos e a crise com Cary, os capítulos seguintes foram além.

Em 6×02: Trust Issues, Alicia tem que lidar com todo o caos envolvendo a prisão de seu sócio e a perseguição do Poder Público a um de seus maiores clientes, Lemond Bishop, bem como foi constantemente assediada por Eli na campanha para a promotoria do Estado, atestando a plena capacidade do drama em manter múltiplas tramas com maestria.

E vejam só, The Good Wife é tão eficiente na construção de suas personagens que, ao mesmo tempo em que torcemos por Cary e Alicia, jamais apresenta Castro e, especialmente, Finn como sujeitos maquiavélicos, tornando moralmente impossível odiá-los. Afinal, todos eles estão fazendo seu trabalho – independente do fim – e Bishop é, notoriamente, um dos maiores traficantes de Chicago (sem contar ser o mandante das mortes de seus delatores).

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Até que ponto o discurso ético de que “lidamos apenas com seus negócios legítimos” – leia-se “lavagem de dinheiro” pode se sustentar sem comprometer a integridade da nova firma? É com essa complexidade que o drama avança enquanto a possibilidade de Alicia ganhar como promotora é esfregada em sua cara com as pesquisas de intenção de voto que praticamente lhe dão a cadeira.

Com Diane na firma e uma calmaria com o pessoal do Lockhart Gardner, a decisão parece depender apenas de tempo (e ainda assim fiquei surpreso que a série tomou esse rumo nos capítulos seguintes). Não obstante, a série ainda encontra tempo para “casos da semana” interessantíssimos, como aquela arbitragem “católica” ocorrida no 6×03: Dear God, que rendeu os melhores momentos cômicos da temporada e soube utilizar muito bem a esquecida Grace.

Mas o grande acontecimento destes capítulos de The Good Wife foi definitivamente Alicia decidindo concorrer oficialmente ao cargo de promotora, trazendo uma virada de 180º na temática da série e reorganizando todas as peças do tabuleiro. A começar pelo “background check” trazido pelo novo coordenador de sua campanha (e tem história aí), os esqueletos da família Florrick ficam expostos e a referência da pílula vermelha/azul de Matrix trazida por Eli não poderia ter sido mais genial!

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Avançamos então para o espetacular 6×05: Shiny Objects que trouxe, pela primeira vez, o embate de Alicia com a sempre incrível Elsbeth Tascione (<3). Abro um parêntesis para exaltar a sempre subversiva estrutura narrativa da série, que usa de sua linguagem para emular sistemas, telas de computador, celulares e até mesmo – de forma brilhante – o aparente distúrbio de atenção que a causídica interpretada pela ótima Carrie Preston tem usando câmera subjetiva. Fecho o parêntesis.

Shiny Objects trouxe o triunfo de Alicia e uma das cenas mais fortes da personagem nesses seis anos de série, quando confronta, aos gritos justificados, a intransigência de seu marido Peter em apoiá-la no ápice de sua carreira, cortando para o momento em que eles reencenam o episódio piloto com os papeis trocados. Agora é Peter que está ao lado de Alicia e uma importante rima narrativa se completa nessa majestosa guinada de The Good Wife.

5star

Que venham os próximos! Desculpem o atraso, a partir do episódio 6×05 teremos críticas semanais desta incrível série!

5 respostas para “Crítica | A incrível guinada de The Good Wife”

  1. Fábio Lima disse:

    Nossa, esse S06E05 foi quase um Hitting the Fan de tão maravilhoso. The Good Wife eh a melhor série da atualidade, sem duvidas!!!

  2. Bruno Luz Sousa disse:

    Feliz de acompanhar esse site desde os seus primórdios, quando ainda era um blog, e notar o quanto cresceu. Parabéns, Bruno Carvalho.

    PS: Para fins de nostalgia, você poderia escrever um post mostrando a evolução do site (com fotos). Que tal?

  3. Brenno disse:

    Críticas semanais, eita que coisa boa <3

  4. Não tenho o arquivo mais ;(

  5. Rodolfo Costa disse:

    É, pra mim, a melhor série de tv atual. Não se repete, não enjoa, não tem um episódio mediano. Todos são ótimos ou excelentes.

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