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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Gotham 1×02: Selina Kyle

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[com spoilers do episódio 1×02] Estamos recém no segundo episódio de Gotham, mas já podemos afirmar ao menos uma coisa: a série está completamente perdida. Se o piloto já deixou a desejar, este Selina Kyle expande ainda mais a burocracia, previsibilidade e completa falta de noção que permeiam Gotham, onde diálogos ridiculamente expositivos e cenas absurdamente mal estruturadas soam como o verdadeiro crime que Gordon deveria estar investigando.

O principal problema é que a série parece simplesmente despejar as cenas no episódio, sem nenhuma preocupação com a construção delas ou o efeito que devem ter, como se estivesse apenas citando os tópicos importantes em uma apresentação de PowerPoint. Isso resulta em situações inexplicáveis, tipo o momento em que Barbara liga para o jornal da cidade, solta uma declaração anônima durante trinta segundos e o jornal simplesmentente aceita como verdade e usa a notícia na capa da edição seguinte. O absurdo não é tanto o jornal ir atrás da denúncia, mas a abordagem faz de qualquer jeito que impera na cena, dando um tiro na testa em qualquer atmosfera de seriedade que Gotham queira construir – investir na discussão entre Gordon e Barbara e cortar a cena no momento em que ela diz “Gotham Gazette? A redação, por favor“, por exemplo, seria suficiente para deixar bem claro o que está acontecendo e evitar uma conversa que precisaria ser mais longa para ser crível.

Mas claro, a corrupção na cidade é tão grande que as pessoas não confiam em ninguém, nem mesmo no espectador, e lá vamos nós para mais um desfile de diálogos tão explícitos que certas sequências poderiam ser acusadas de atentato ao pudor. Vamos ver: em menos de dez minutos somos lembrados duas vezes que Gordon está “com o programa” e que ele “matou” o Pinguim; após um coadjuvante dar um logotipo com um prato e um garfo como pista, vemos Gordon na cena seguinte inacreditavelmente dizendo ao parceiro “pelo visto não há empresas em Gotham com caminhões que possuem um logo com um prato e um garfo” – e a diferença entre as duas cenas é de cerca de dois minutos; Fish Mooney se encontra com Falcone e logo depois discursa para seu capanga, explicando detalhadamente para ele – e o espectador – como vai proceder.  É incrível que esse tipo de diálogo, que já seria embaraçoso para uma história escrita por um aluno da oitava série, realmente tenha passado pelas revisões e apareça no corte final, e o resultado é que boa parte das conversas de Selina Kyle são risíveis.

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O episódio também comete erros amadores, como apresentar o logotipo só no terceiro ato (se tívessemos visto o logo e participado do raciocínio de Gordon, a recompensa seria maior) e ignorar completamente a investigação dos detetives, já que, após descobrir a qual empresa o tal do logotipo pertence, eles meio que aparatam no local, pois surgem do nada no momento certo para impedir que Selina seja morta (como eles descobriram onde fica a empresa? A quem pertence a empresa? Não havia capangas do lado de fora para avisar da chegada deles? Por que não levaram uma força policial maior? Como a sequestradora não ouvia os passos de Gordon, que entrou correndo no local? Por que os donos da empresa sequer apareceram no episódio, já que aparentemente eles estavam trabalhando com os bandidos?). São sequências desprovidas de qualquer desenvolvimento, surgindo de forma fácil demais e falhando miseravelmente em envolver o espectador na ação (e, em outra associação com Harry Potter, só posso concluir que a futura Mulher-Gato vestiu a capa da invisibilidade para não ser vista naquele ônibus).

Soma-se a isso a previsibilidade completa de praticamente tudo que acontece na tela (quem não sabia que o Pinguim ia atacar os caras do carro, ou que Gordon salvaria Selina, ou que Selina convenceria o adulto a fazer o que ela quer ameaçando dizer que foi  tocada?), a construção porca de personagens (todo mundo só age em prol da trama – Barbara, por exemplo, nunca surge como a namorada de Gordon, e sim para realizar algo que tenha consequências na investigação) e o protagonista limitado que pronuncia as falas sempre com a mesma entonação, e pronto, tem-se quarenta minutos de desperdício de tempo.

Para ser justo, algumas das cenas com o Pinguim são interessantes e Falcone novamente chama a atenção, mantendo-se extremamente frio e educado em uma situação difícil e, justamente por isso, saindo dela ainda mais perigoso (diabos, eu sei que ele não acreditou na Fish Mooney, mas mesmo assim ele quase me convenceu disso). É muito pouco, entretanto. Gotham tem uma premissa sensacional, só que precisa parar com a bagunça e estruturar melhor suas ideias, entender a função das cenas, trabalhar para envolver o espectador na história e não se limitar a informar ele do que está acontecendo. O excesso de diálogos e de travellings de prédios estão atirando a série no marasmo e impedindo que ela crie uma identidade própria para a cidade de Gotham. Mas, enquanto se preocuparem mais em jogar pequenas iscas de satisfação para os fãs (como Ed Nygma iniciando a conversa com um “adivinhem só“) do que em desenvolver algo próprio, o resultado vai ser insosso como este Selina Kyle.

 1star

14 respostas para “Crítica | Gotham 1×02: Selina Kyle”

  1. Bruno disse:

    “O episódio também comete erros amadores, como apresentar o logotipo só no terceiro ato (se tívessemos visto o logo e participado do raciocínio de Gordon, a recompensa seria maior)” – O logotipo já aparece no começo do episódio, na cena no beco onde os adolescentes são sequestrados quando o casal está oferecendo comida.

  2. Felipe disse:

    Nada nessa crítica faz sentido.

  3. André Nique Costa disse:

    Verdade, eu não tinha percebido. Mas aparece em um frontlight, em uma parte do quadro onde não chama muito a atenção e durante um plano de três segundos. Ainda acho pouco pra resgatar ele no final.

  4. Bruno disse:

    Reclama dos diálogos ridiculamente expositivos e quer uma explicação ridiculamente expositiva? Dentro do seu ponto de vista, devia agradecer por não ter sido jogado na cara.

  5. André Nique Costa disse:

    Cara, na verdade eu acho meu comentário reflete o meu ponto de vista. A linguagem não se divide entre “escondido” e “ridiculamente expositivo”. Quando eu falo que os diálogos são expositivos, é porque eles ou repetem algo que já foi falado ou traduzem algo que a imagem poderia dizer (por exemplo, o discurso da Fish Mooney).

    Seria expositivo se o logo aparecesse e Gordon apontasse pra ele e falasse “olha só que legal esse logo”, ou se surgisse em algum plano-detalhe desnecessário. Mas para resgatar o elemento no final é preciso estabelecer ele antes, o que o episódio não faz – e só colocar o logo em lugares mais fortes do quadro ou inserir a empresa na trama já poderiam resolver o problema apontado crítica. Gotham falha muito por não confiar na força das imagens e nem na inteligência do espectador, mas isso não significa que a solução é colocar tudo bem escondido.

    Abraços.

  6. D. disse:

    Eu leio as reviews de vocês só pra passar raiva

  7. Vini disse:

    Esse cara caga nas reviews, tá louco… Vide The Leftovers e Scorpions (essa sim merecia só uma estrela, ele foi lá e deu quatro… Bom, pãos ou pães…)

  8. Gleibson Acácio disse:

    cara, tu é chato pacas, quer ver realidade vai assistir jornal.

    Esse site caiu muito de nível, uma pena.

  9. Wagner disse:

    Depois de ler essa crítica, acho que as vezes a ignorância é uma benção… Como mero espectador e voraz consumidor de séries, estou curtindo Gotham. Como não observo nada técnico, série boa para mim é a que me distrai e diverte o suficiente para querer acompanhar as sequências, então por enquanto, Gotham está legal.

  10. Anderson Lima disse:

    kkkk que crítica ridícula… vou nem comentar, mas pra mim a série está engrenando muito bem… =]

  11. Perolas Corporativas disse:

    UAHUHAUHAUHAUHUHA

  12. Ana disse:

    Me desculpe, mas, abe querer que alguém apontasse o símbolo e achasse “legal” soa tão clichê… Tão filminho sessão da tarde… Soa tão: chamar o expectador de idiota. Ainda bem que NÃO tiveram essa ideia idiota. O jeito que ele aparece em cena desde o começo e é captado por poucos (pelo visto) ficou muito mais interessante.

    Como o pessoal comentou aqui, chega a só dar raiva ver essas “avaliações” de vocês. Isso sim é perder o tempo, ler algo achando que será minimamente construtivo e na verdade não… Isso sim não adiciona nada.

    Uma coisa: você por um acaso já leu algum gibi na vida, meu filho? Eles não narram cada “peido” dos personagens. Muita coisa sub entende-se e isso é o que faz leitores críticos e realmente perceptivos (gente que vê o símbolo desde o começo, saca? E que não precisa que apontem e fale “puxa que símbolo legal”…enfim).

    No mundo as pessoas alugam galpões e não querem saber o que você fará com eles, pagando o aluguel e não destruído você pode cagar lá dentro que ninguém dá a mínima!

    Se estamos falando de uma cidade mergulhada em corrupção é até compreensível que os tais donos até dêem uma chave aos tira e passe livre, mas se neguem a dar as caras lá. Afinal, é o tal negócio: o que os olhos não vêem o coração não sente.

    Alugar um galpão não é ilegal! Eles não precisam ser cúmplices porque alugaram, ok? E, vamos e convenhamos, eles seriam uns retardados se fossem lá dar a cara para bater e mostrar que estavam do lado da policia se aparecessem lá, era dar chance para serem perseguidos eternamente e assassinados a queima roupa se os bandidos escapassem (ou quando saíssem da cadeia).

    Eu estou gostando muito da série, e, claro, ao contrario de
    vocês eu gostava de 24 Horas e Touch, simplesmente acho que nossos gostos não batem mesmo, isso me faz dar cada vez mais meses entre uma visita a outra no site… Aliás, eu só vim hoje porque os outros sites que visito estavam fora do ar mesmo, simplesmente por falta de opção, mas já me arrependi. Melhor a tendenciosidade do omelete que a burrice daqui.

  13. Felipe Lima disse:

    André, uma boa e bem construída crítica. As pessoas cada vez menos conseguem diferenciar uma análise crítica bem elaborada de uma ofensa ao seu gosto pessoal. Apontar os pontos negativos de um episódio, uma série ou filme não é o mesmo que chamar os seus espectadores de estúpidos. No próximo review, se quiser ganhar muitos likes ou “melhorar o nível do site”, basta babar o ovo de todas as séries, cuidado para não ofender os fãs, seja parcial e tendencioso, porque atualmente o que todos querem é entrar num site e ter o seu ego massageado. Debate pra quê? Todos são donos da razão. Pensar além de uma única perspectiva está cada vez mais raro.

  14. Belfort disse:

    após meses de exibição e obtendo contato com o episódio pela primeira vez em dias, não poderia concordar tanto com uma crítica como concordei agora. É até de certa forma aterrorizante ver alguém não concordando e, na pior das hipóteses, xingando o crítico (André Costa) por uma descrição tão verossímil do que é está sendo essa série. Com certeza, falta contato com séries tops por parte dessa galerinha sub 15

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