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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Gotham 1×05: Viper

gotham viper

[com spoilers do episódio 1×05] Gotham é a versão televisiva de um botton do Batman. De um bloquinho com o homem-morcego desenhado na capa temática. De um chocolate “com sabor de aventura” onde o herói aparece na embalagem. É nada mais do que empresários aproveitando uma oportunidade de explorar ao máximo um produto sem se importar se ele é realmente bom – e, ainda que eu não tenha nenhuma ilusão quanto ao relacionamento entre artistas e indústria (óbvio que uma série precisa se pagar), este Viper coloca Gotham no quinto episódio sem apresentar nada de memorável, nada de relevante, nada realmente interessante. Merecia estar na lojinha de presentes, e não na televisão.

Aqui – e ao contrário do episódio anterior – fica claro que a série sentiu saudades de transformar sua investigação em uma quase paródia de investigações, fazendo com que os detetives descubram pistas e informações porque sim: mesmo ignorando que Gordon achou o frasco da droga meio que por mágica, o público ainda é estapeado com um insight detetivesco brilhante na hora de descobrir o laboratório (“vamos no maior de Gotham, deve ser lá!“), a análise subjetiva do cenário no primeiro objeto que Gordon tira da caixa (“livros! E uma caneca com mascote! É um professor de filosofia!“) e a Síndrome de Vilão de 007 quando um co-conspirador deliberadamente entrega todo o plano aos detetives (e a forma com que Gordon percebe onde acontecerá o atentado vai literalmente baixar o QI de quem estiver assistindo em uns dez pontos).

Não que eles precisem ser brilhantes, claro, já que o vilão é estúpido o suficiente para anunciar seu ato terrorista e dar tempo para as pessoas evacuarem o local antes que a vaca vá para o brejo (quando Gordon atira no cabo e libera crack do Hulk na cara do sujeito, provavelmente o salão inteiro já estava postando selfies fora de perigo com as hashtags #atentado #quasemorri). Aliás, as personagens continuam extremamente capengas e sem graça, de Bullock (cuja única característica é ser corrupto) a Bruce Wayne (já livre de conflitos e a apenas alguns Whey Protein de se tornar o Batman), passando pela Selina Kyle (que aqui surge inexplicavelmente roubando alguém à luz do dia e na frente de Gordon. E ela chega ali caindo em cima de um carro, mesmo que não haja de onde cair. Mas ela tem que cair, afinal, mulher-gato, né) e pela Fish Mooney – que, graças à sua teatralidade caricatural e imutável cara de arrogância, é mais eficiente do que um Dramin para quem quer cair no sono. Ela inclusive surge em uma cena de sexo extremamente expositiva (e não me refiro ao corpo dos atores, mas sim ao diálogo).

Para não dizer que nada se salva, é interessante colocar Gordon à mercê das duas famílias de mafiosos, embora Gotham não pareça ter se dado muita conta disso. E o Pinguim continua interessante, mesmo com o recurso de colocar ele lavando um copo e ouvindo conversas alheias tendo ultrapassado o limite do aceitável (mas não deve voltar a acontecer). Fora isso, Viper é só mais um monte de coisas amontoadas de qualquer jeito, sem qualquer cuidado, por gente que só quer espremer toda a pasta de dente antes que precise encontrar outra que funcione.

1star

6 respostas para “Crítica | Gotham 1×05: Viper”

  1. James T. Kirk disse:

    Eu acho que tá ficando feio esse haterismo todo com a série. Já li alguns reviews desse ep. em sites gringos e nenhum falou tão mal dele assim. A avaliações mais baixas foram do JoBlo e Rotten Tomatoes, com 5 e 5.8 respectivamente. IGN deu 7.8 e no IMDB Viper ganhou nota 8.2. E não foi só nesse episódio, só vejo criticas negativas à serie aqui. Não reparei se é sempre a mesma pessoa que escreve as criticas de Gotham, mas se for, por favor, experimentem colocar outra pessoa pra fazer a critica.

  2. L1nc0FF disse:

    EU LEIO BASTANTE CRITICA AQUI DOS SERIADOS QUE ASSISTO E ELAS NA MAIORIA DAS VEZES SÃO NEGATIVAS.

  3. Mariana Lima disse:

    Me diverti muito com sua review André, ri alto com o “crack do Hulk” e o “vilão 007”, mas confesso que me diverti igualmente com o episódio.
    Eu estou gostando bastante da série e espero que ela comece a assumir melhor esse lado galhofa, tipo o 007 do Roger Moore, para ficar mais divertida.

  4. Marcus VBP disse:

    Concordo com a autora, pra mim Gotham tá num ciclo de referências fracas e sem sentido que tá tornando o seriado cada vez mais indigesto.

    Curiosamente a série tem tido boa audiência e ganhou uma temporada completa, o que demonstra como qualquer coisa que esteja ligada ao batman vende fácil, fácil.

    confesso que só estou insistindo porque muita série que assisto agora que não começou bem melhorou após o mid-season.

    mas se era pra fazer uma série de referências, era melhor ter feito uma adaptação de Gotham Central, que se passa no “presente” de Gotham, mas o Batman não é o ponto central da série.

    guardem o que eu vou dizer agora: o fundo do poço vai ser quando o baby-wayne fugir e resolver se intrometer em uma investigação do gordon, e será salvo pelo próprio, com ajuda do Alfred.

    Na forma como as coisas estão andando, não deve demorar.

  5. Anderson Lima disse:

    Essa Selina Kyle está ridícula. Ok, já sabemos que ela é uma ladra. Não precisa ficar mostrando isso em todo episódio.

  6. Jimi Pozza Silva disse:

    Acho que a série até aqui não surpreendeu mas tem potencial e alguns personagens interessantes sim,especialmente o pinguim que é de longe o melhor.Tem sim algumas infantilidades na história mas vários seriados começam titubeantes,como SHIELD, e depois se encontram.Realmente as críticas desse site e alguns outros do Brasil estão muito pesadas.

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