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Por: André Costa

Crítica | Homeland 4×05: About a Boy

homeland about a boy[Com spoilers do episódio 4×05] About a Boy mostra que Homeland continua firme no seu planejamento de ir regando aos poucos a narrativa para vê-la crescer firme e forte: novamente temos uma preocupação em investir nas tramas (na real nem todas, mas ok) e um episódio que conta com dois bons momentos tensos (porque é série de espionagem e série de espionagem tem que ter roeção de unhas). Além disso, os roteiristas inovam ao tornar Carrie uma personagem completa sem internar a moça em um hospício ou deixar ela fazendo cara de quem ficou sem sobremesa, o que é sempre bem vindo.

Assim, About a Boy se preocupa em envolver o público nas histórias e, principalmente, tornar as personagens mais interessantes – quando vemos Fara se divertindo em uma tocaia, por exemplo, passamos a gostar mais dela e a temer pela sua segurança quando é parada em uma blitz islâmica. O mesmo com Quinn, que faria tudo por Carrie e se amargura por isso (“você aprendeu com a melhor“, diz ele a Fara, apesar de ter viajado no momento em que a agente bipolar favorita da vizinhança solicitou), e Saul, workaholic que tenta cheirar sua dose de espionagem sempre que possível e por menor que seja: na conversa com Carrie fica claro que ele não quer ir embora e seu cérebro deve ter liberado uma hidrelétrica de dopamina ao ver o terrorista de comercial de shampoo no aeroporto.

Aliás, a sequência em que o ex-diretor da CIA fica perseguindo o terrorista enquanto se esconde atrás de sua barba é extremamente eficiente, conseguindo gerar tensão mesmo em um cenário movimentado e teoricamente seguro (até porque todo mundo consegue se identificar com a agonia da demora no raio-x). E a invasão do marido da embaixadora (primeiro-embaixador?) também gera uma boa atmosfera de suspense graças à fotografia escura e o tempo investido na Operação Tirar Foto de Uma Foto, que se alonga e parece tornar inevitável a chegada de outrém. São duas sequências que funcionam bem e ajudam a equilibrar as cenas mais pacatas com outras onde tudo pode acontecer.

Mas o grande destaque fica para o relacionamento entre Carrie e Aayan: longe de ser uma pessoa má, o agora desvirginado rapaz é pintado por Homeland como um garoto assustado, emotivo e inocente. O que só torna mais cruel a manipulação que a agente da CIA faz com ele, descartando completamente alguém que está se tornando dependente dela para poder ter acesso a novas informações (coisa que a série não faz questão nenhuma de mascarar. Não toma partido a favor da protagonista). Após tantos anos envolvida com tantas situações e pessoas problemáticas, Carrie parece mais estragada do que nunca e, diante do que é apresentado, vai embarcando naquele exclusivo ônibus com destino à sociopatia.

About a Boy coloca um pouco de água no chope com a já banal trama da embaixadora e do marido (que por acaso ouve ela contando a alguém não íntimo todas as coisas que ele precisava ouvir para a história andar) e na revelação de Aayan, já que, embora a confiança entre ele e Carrie tenha sido bem estabelecida, acaba surgindo em um momento um pouco gratuito. O episódio também se arrasta um pouquinho (achei a cena do bar desnecessária), mas nada que atrapalhe o panorama geral das coisas. Homeland entrou nos trilhos e não parece nem um pouco disposta a descarrilar.

4star

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