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Por: André Costa

Crítica | The Newsroom 3×03: Main Justice

newsroom main justice

[com spoilers do episódio 3×03] Três episódios, metade da temporada (escrevi isso fazendo uma careta de dor) e Aaron Sorkin habilmente conseguiu levar as tramas de The Newsroom até um ponto onde, a partir de agora, tudo será drama, tensão e ética jornalística. Assim, Main Justice é recheado de cenas determinantes, intercalando tudo com diálogos épicos e alguns dos momentos mais engraçados da temporada.

Mas o mais interessante continua sendo as provocações que The Newsroom despeja em cada episódio: se temos Mac desafiando a presença do FBI com câmeras e a ameaça de uma transmissão, temos também Will aceitando passivamente e falando “não tenho realmente certeza se somos os mocinhos“. Da mesma forma, enquanto Jim critica Hallie pelo crime inafiancável de trabalhar como refém de “pageviews”, a moça retruca comentando que o jornalismo sempre dependeu do dinheiro de uma forma ou outra. Não é uma questão de botar personagens saindo por aí gritando ordens de utopia jornalística, e sim de jogar a pergunta no ar e deixar que o espectador reflita a respeito da balbúrdia. A série não busca saídas fáceis para temas complexos, preferindo provocar o espectador com questões cabeludas.

O que pode parecer extremamente chato e acadêmico, claro, exceto pelo fato de que Main Justice é tão dinâmico que merecia batizar alguma lei da física. O pingue-pongue de diálogos chega bem perto de quebrar a barreira do som (a cena envolvendo Jim, Don, Maggie e Sloan na sala de controle é absolutamente brilhante, um Quebra-Nozes feito de palavras), os momentos engraçados se empilham sem piedade (“lá se vai o convite para um acompanhante“, “mas, por agora, vamos apenas beber… pra casa, vamos apenas pra casa“, “a intersecção entre cultura pop e o Holocausto“, e por aí vai), o elenco está afiadíssimo e a mise-en-scène tão harmônica que ganha o mérito de ser escrita em itálico (a cena no escritório de Don vale por uma temporada inteira de algumas comédias) e as tramas completamente imprevisíveis (ok, quase sempre) e envolventes (quem não se surpreendeu com a localização de Neal atire a primeira pedra).

Conforme a história vai se desenvolvendo, o episódio dá novas dimensões para os eventos – e se a ameaça à liberdade de Neal em Boston se tornou algo concreto em Run, neste terceiro ela cresce e pega Will de calça-curta, em um momento que, apesar de ligeiramente previsível, teve impacto e intensidade graças à construção feita ao longo da trama. A coisa toda piora com o prazo imposto pela fonte dos documentos vazados, enquanto a salvação para a ACN parece tão certa quanto um episódio bom de Gotham e o departamento de RH começa a fungar no cangote de Don e Sloan. Os pinos de quatro ou cinco granadas foram retirados e tudo indica que, nos três episódios restantes, muita coisa vá explodir.

Main Justice ainda consegue emular aquela sensação de achar dinheiro perdido no bolso da calça na cena envolvendo o Toby de The Office (que tem um nome diferente na série, mas eu me recuso a reconhecer ele como outra pessoa), uma pequena pérola de humor e resignação que ninguém esperava e que decora muito bem o episódio. Assim, caminhando com vitória e tiradas geniais, The Newsroom segue jogando suas personagens (e até a Maggie está legal nesta temporada) em situações divertidas, situações tensas, situações inusitadas e situações jornalísticas. Ainda tem três episódios pela frente, é verdade, mas mesmo assim já há uma sensação latente de que seis é pouco, muito pouco. E que o sofrimento pela abstinência está próximo, muito próximo.

5star

Uma resposta para “Crítica | The Newsroom 3×03: Main Justice”

  1. Claus by the Wind disse:

    galere do the office aparecendo em the newsroom. primeiro o toby e agora o ryan. xD

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ss