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Por: André Costa

Crítica | Homeland 4×10: 13 Hours of Islamabad

homeland 4x10

[com spoilers do episódio 4×10] 13 Hours of Islamabad é o “… e já!” dos últimos três episódios, o momento em que toda a antecipação descamba para o tiroteio desenfreado e as consequências inevitáveis dos atos. E é curioso como ele é também muito menos intenso: apesar das balas, da câmera sacudindo, do sangue, da lista (em filme/série de espionagem, sempre que aparece uma lista é porque algo muito ruim está para acontecer), o retorno de Homeland às soluções fáceis em algumas cenas acaba anestesiando um pouco o efeito que os eventos deveriam/poderiam ter.

O principal revés aqui é que, apesar das ótimas cenas de ação (mais sobre isso alguns parágrafos abaixo), os momentos decisivos ocorrem de acordo com aquela abordagem adorada por Hollywood que, para não ficar caindo muito em termos técnicos, vou chamar de “abordagem cagona”: coadjuvantes relativamente importantes são mortos, mas ninguém que cause muito impacto; alguém cede às exigências dos vilões e os vilões não cumprem o acordo; durante o tiroteio, o vilão é atingido no ombro para fingir que ele não é invulnerável e não tirar muito da mobilidade do sujeito; um oficial desafia ordens (se bem que esse é meio que o plot da série toda) e escapa da principal consequência da invasão (a evacuação); e por aí vai. É tudo muito preocupado em tentar criar impacto sem comprometer nada e o resultado acaba se tornando convencional demais, certinho demais, feito para não incomodar ninguém demais.

Também não ajuda muito mostrar a DR entre a embaixadora e o marido, já que o relacionamento entre ambos nunca foi um dos temas da temporada (a não ser para lances de terrorismo e espionagem e tal), nem adequar as personagens às necessidades do roteiro – confesso que levei as mãos à cabeça e exclamei “céus!” em assombro quando vi Carrie acatando uma ordem, mas logo depois ela voltou ao normal. Aliás, esse é um dos grandes problemas das séries: sabemos que determinadas personagens ficarão à parte do evento (no caso a evacuação), o que aniquila completamente nossa capacidade de envolvimento com as dúvidas e frustrações pré-escapatória-do-evento-no-último-minuto.

Ainda assim, na maior parte do tempo 13 Hours of Islamabad se mostra uma produção eficiente pacas, apresentando sequências de ação envolventes e que se apoiam nas habilidades das personagens (um soldado dá orientações a Carrie para ajudá-los e Quinn assume a Presidência do Tiroteio, conseguindo ler a situação, planejar rapidamente e tocar o terror em tudo). A câmera na mão e a montagem enérgica dão o tom de urgência necessário, caminhando de mãos dadas com uma fotografia granulada que realça a atmosfera seca e suja do lugar – e que, após a invasão dos barbudos, usa muito bem as sombras para ilustrar o quanto a situação está pesando para os sobreviventes. Inclusive, determinados momentos – Carrie ligando para o pai de Fara ou os machucados de Saul aparecendo no banho – são muito mais densos e intensos do que outros mais “importantes”, mostrando que o talento dos últimos episódios não arrumou as malas e foi embora (mas provavelmente saiu para ir no banheiro em determinadas cenas).

Além disso, estabelece bem qual será a trama dos últimos dois episódios da temporada (Quinn correndo atrás de Haqqani, Carrie correndo atrás de Quinn, o resto das pessoas correndo para os EUA, será basicamente um grande sprint), deixando claro o que está acontecendo com quem e onde e criando as estruturas dramáticas para o clímax. Só fico receoso de que a coisa seguirá por um caminho meio básico agora, acompanhando o pique-esconde e jogando no ar aquelas cenas do tipo “vilão pega alguém de refém e isso permite que ele e o mocinho conversem” (e inclusive não descarto uma tentativa de “final impactante” fazendo o Quinn comer capim ou sei la qual vegetação cresce no Paquistão pela raiz). Mas Homeland tem acertado tanto nessa quarta temporada – e, é bom lembrar, fez dois season finales fantásticos na segunda e na terceira – que o receio acaba dando lugar à curiosidade de ver o que os realizadores conseguem fazer com um terrorista, um agente irritado, uma agente bipolar e drones.

3star

Uma resposta para “Crítica | Homeland 4×10: 13 Hours of Islamabad”

  1. Marcos Freitas disse:

    “O receio acaba dando lugar à curiosidade de ver o que os realizadores conseguem fazer com um terrorista, um agente irritado, uma agente bipolar e drones.”

    Essa turminha do barulho vai aprontar altas confusões Islamabad na próxima semana. Muita ação, aventura e confusão na sua telinha!

    PS: sobre o episódio, deveriam ter chamado o Jack Bauer que em 5 minutos estava tudo resolvido

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