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Por: André Costa

Crítica | Homeland 4×11: Krieg Nicht Lieb

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[com spoilers do episódio 4×11] Por que, Homeland? Após dez episódios sólidos, bem desenvolvidos e intensos – ainda que com alguns tropeços em 13 Houras in Islamabad -, chega esse Krieg Nicht Lieb e puxa o freio de mão, fazendo a temporada derrapar perigosamente quase na linha de chegada. Inexplicável como o drama conciso rapidamente se transformou em um empilhamento de qualquer coisa para tocar a história para a frente, e justo no penúltimo episódio da temporada, claramente mudando a série para uma direção diferente: a errada.

Diante de tramas mal construídas, que se apoiam em apresentações e intervenções de última hora continuarem, os quarenta e três minutos de descarrilhamento do episódio deixam bem claro que o conceito por trás de Krieg Nicht Lieb foi o “sei lá, bota aí”. Dá até para visualizar um diálogo entre dois roteiristas onde um deles chega a um problema na trama e o outro responde com tal expressão – por exemplo:

– Mas como Quinn vai ter apoio para chegar a Haqqani?
– Sei lá, bota aí uma mina alemã do passado dele que por acaso tem todas as ferramentas necessárias.

Ou então:

– Mas qual a motivação de Max para ir contra as ordens de Carrie?
– Sei lá, bota aí que ele era apaixonado pela Fara e ficou amargo após Haqqani ter redecorado a garganta dela.

Ou ainda:

– Carrie parece normal demais, o que fazemos?
– Sei lá, bota aí um drama familiar. Ela não tem um pai?
– Acho que não nessa temporada.
– Sei lá, bota aí ele morrendo e ela ficando mal com isso.

E por aí vai. claro, há também o problema de Carrie subitamente decidir acatar ordens, tentando salvar Quinn mesmo ele tendo Haqqani na mira, ainda que a própria Carrie sequer tenha hesitado em mandar o Saul desta para uma melhor quando teve Haqqani na mira (e coincidentemente foi impedida por Quinn). Mas felizmente isso não dura muito, pois apenas dois flashbacks tão curtos que caberiam em um tweet são necessários para ligar a moça em modo CIA novamente, criando aquele suspense pré “não vai acontecer nada de mais porque na última hora alguém impedirá”. E a situação só chega a esse ponto por causa do protesto, que Quinn fez acontecer aumentando o preço das passagens de ônibus convocando para a operação aquela amiga de Aayan, lembram dela? A Deus Ex-Machina. Homeland engana o espectador ao apresentar elementos de última hora que solucionam as dificuldades, fazendo com que a jornada de Quinn – e a de Carrie, de certa forma – tenham a consistência de um pudim (uma das máximas da Pixar, inclusive, é “usar coincidências para colocar as personagens em dificuldades é ótimo; usar coincidências para tirá-los de dificuldades é trapacear”)

É tanta batida com o dedo mindinho no pé da cadeira que fica até difícil separar os momentos bons, como a sensação de urgência durante o protesto (que possui uma atmosfera perigosa mesmo sem descambar para a violência generalizada) e o jogo duplo feito por Raza, que parece estar de um lado mas na verdade está do outro (menos por ideologia e mais pelos olhos claros e personalidade destrutiva da Carrie, é verdade, mas enfim). A montagem mantém o ritmo sempre fluido e o elenco consegue dar uma certa credibilidade à bagunça (a cena de Carrie falando com Max, após conversar com a irmã, é quase comovente). Entretanto, Krieg Nicht Lieb (precisei manter esse nome na área de transferência enquanto fazia a crítica) dá um mergulho olímpico na lama do fracasso com aquele final digno de Dan Brown, cuja única lógica é a de botar ali a pessoa que menos se espera que esteja ali e dane-se a lógica propriamente dita.

E agora só tem mais um episódio pela frente. E o que vai ser, Homeland: quarta temporada cheia de tensão e tramas envolventes ou draminhas fiasquentos como na época da Dana?

2star

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