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Por: André Costa

Crítica | The Newsroom 3×06: What Kind of Day Has it Been [series finale]

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[com spoilers do episódio 3×06] É curioso: quando do início de What Kind of Day Has it Been,(que também é o título do season finale da primeira temporada de Sports Night, The West Wing e Studio 60 On Sunset Strip, as outras três series criadas por Aaron Sorkin) o series finale desta gigantesca cachoeira de inspiração e iluminação dramática chamada The Newsroom, praticamente todas as tramas já estão definidas – a exceção é o que Pruit vai fazer com a ACN, mas, devido à morte de Charlie, sabemos que não será nada radical. Assim, ao invés de investir no desfecho das histórias, o episódio consegue olhar para o início, levando o espectador por uma viagem doce que percorre as motivações das personagens, reforça seus laços e suas mudanças e, paradoxalmente, dá à série um ponto final definitivo e emocionante.

Dá também seus tropeços, é verdade, pois a chegada de Neal após o exílio na Venezuela causa pouquíssima comoção e ainda desanda em uma cena seca, mal acabada, claramente escrita no mesmo espaço de tempo tempo necessário para beber uma dose de tequila (ou ao mesmo tempo em que uma dose de tequila é ingerida). Da mesma forma, o romance entre Jim e Maggie não convence muito, e, embora eles tenham uma química divertida quando separados, chega a ser até um pouco esquisito ver ambos de mãos dadas (tanto que eles mesmo decidem morar longe um do outro). Ao menos o desfecho dos pombinhos foge da cartilha de comédias românticas populares, dando um pouco mais de credibilidade ao jovem casal.

Mas quando What Kind of Day Has it Been acerta, é nocaute. Ao longo do episódio, Sorkin nos leva não por momentos grandiosos e repletos de obviedades, e sim pelas divertidas interações entre as personagens: Will e Charlie, Don e Sloan, Charlie e Mac, etc. É como se o series finale fosse uma festa de despedida onde podemos acompanhar e entender aquelas pessoas cada vez mais. Motivações são explicadas (o Will emulando House nos flashbacks reforça sua mudança ao longo das temporadas, a atração de Sloan por Don justifica o comportamento dela ao dar em cima dele) e o início da jornada quixotesca ganha corpo, tornando a história ainda mais inspiradora (há algo de épico em juntar uma bêbada jogando boliche e um solitário tocando violão e atirá-los em algum lugar para produzir faíscas). Ao olhar para o início, The Newsroom nos revela um pouco mais da intimidade dessas pessoas, aumentando o nível de grandiosidade de tudo que acompanhamos desde que Will teve um surto de estatísticas na universidade.

E o que esta última hora consegue fazer também é engrandecer Charlie. Ele é uma figura tão simpática e acessível que esquecemos que foi ele quem acabou juntando todo mundo no início, e é uma rima temática emocionante o fato de que o seu enterro está juntando todos pela última vez. What Kind of Day Has it Been consegue ser uma homenagem ao falecido sem cair para a pieguice ou previsibilidade. Mais do que isso: ele homenageia uma personagem através das outras, investindo em pequenos momentos repletos de significado (Don recebendo a gravata de Charlie, por exemplo, ou mesmo entregando ela a Sloan – um par de cenas que demonstram muito cuidado na construção daquele universo, pois imediatamente sabemos da importância da gravata e da importância de Sloan para que Don entregue a ela). Trata o público como parte desse círculo de amigos, confiando na capacidade dele de compreender e se emocionar com gestos mais íntimos.

Além disso, o episódio traz Sorkin adiantando o Natal e presentando todo mundo com diálogos vitoriosos (“Sabe por que? Eu estarei encarregado da moral“, “você não é tão útil quanto suas contrapartes fílmicas“). E, claro, o roteirista utiliza magistralmente a pista-recompensa para utilizar as expectativas do público em prol do efeito dramático, como na cena em que Mac diz que Charlie enviou um livro a ela (o momento em que a edição de Don Quixote sai da mochila é como um gancho puxando um sorriso de satisfação no rosto do espectador) ou na linda sequência, antecipada por uma conversa rápida entre Will e Charlie, em que as personagens se juntam na garagem e tocam uma versão de That’s How I Got to Memphis, de Tom T. Hall, que atira ciscos nos olhos do público sem piedade.

Contando também com várias opiniões e os já tradicionais levantes éticos defendendo um jornalismo eficiente, What Kind of Day Has It Been escolhe a forma ideal para terminar a série: sem trilha, sem drama, sem eloquência, apenas mostrando aquelas personagens trabalhando no que acreditam. Todos loucos, como diz Will no rápido discurso que faz, mas que, durante três temporadas e vinte e cinco episódios, nos cativaram tanto durante sua jornada que vai ser difícil não sentir falta dessa loucura a cada domingo chuvoso ou manchete sensacionalista.

5star

5 respostas para “Crítica | The Newsroom 3×06: What Kind of Day Has it Been [series finale]”

  1. Hélder Stackhouse disse:

    É triste ver uma série espetacular como essa acabar de forma tão precoce.

  2. TecaBorges disse:

    O final da temporada de THE NEWSROOM foi bem construído e vai deixar saudades. Uma pena o Reese (Cris Messina) não ter participado deste Gran finale” . Grandes atores, grande estória, inteligente, atualíssima, intrigante….coisas Raras de se ver nas séries…….

  3. lipe disse:

    Por favor, alguem me explica o significado da gravata, por favor !!

  4. Bárbara Reis disse:

    Tb quero saber

  5. Lua disse:

    O Charlie sempre usou uma gravata borboleta durante a série. A esposa dele dá uma delas para o Don no último episódio como uma recordação..

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