Crítica | Game of Thrones 5×02: The House of Black and White

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[contém spoilers] Game of Thrones é uma história sobre intrigas, jogos de poder, conquistas, alianças e traições. Mas, em grande parte, é um conto sobre personagens errantes, que vagam pelo mundo sem saber a qual lugar pertencem nem qual propósito têm na vida – daí a reclamação de alguns telespectadores que se queixam de vê-los constantemente caminhando por diversos lugares dos Sete Reinos, sem fazer nada de relevante. Não poderiam estar mais errados: a jornada pelo autoconhecimento e os obstáculos que estes encontram pelo caminho são parte fundamental – e, sim, muito interessante – do arco principal da história que vem sendo contada.

Roteirizado pelo próprio David Benioff em parceria com D. B. Weiss, este segundo episódio da temporada mantém o ritmo da season première, ao focar de maneira pausada e sem pressa nos diversos núcleos da trama. Logo, quem esperava grandes reviravoltas inevitavelmente acabou se decepcionando, já que, assim como nas outras temporadas, os primeiros episódios costumam servir como a preparação dos conflitos que vão estourar mais à frente (mas nem por isso deixam de ser ótimos). Então, cenas como a guerra de egos instalada no pequeno conselho do rei Tommen (presidido por Cersei, como Rainha Regente) podem parecer enfadonhas a princípio, mas são importantes para que percebamos como a morte de Twyin abalou seriamente a posição da Casa Lannister em Porto Real.

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Do mesmo modo, a clara declaração de guerra enviada de Dorne para os Lannisters é outro indício de que Cersei pode ter muitos problemas pela frente: enfrentando um início de resistência por parte do conselho, aliado à frágil aliança que é mantida com a casa Tyrell (que será reforçada com o casamento entre Tommen e Margaery, mas nunca se pode confiar em casamentos nessa série), a rainha se vê cercada de possíveis inimigos, ao passo que Jaime, um dos poucos aliados que possui, estará ausente durante muito tempo da cidade.

No entanto, são mesmo as trajetórias de Arya, Brienne e Tyrion que dão as cartas neste episódio. Depois de muito vagar pelos Sete Reinos desde a morte de seu pai, Arya finalmente encontrou um lugar onde pode se sentir segura, ao adentrar na Casa do Preto e Branco e se ver na companhia de Jaqen H’agar. Mais do que isso, consegue um aliado em seu plano de eliminar as pessoas que tiveram papel na execução de Ned Stark. Ao mesmo tempo, Tyrion procura recuperar o poder que experimentou no pouco tempo em que foi Mão do Rei, e para isso prossegue em sua jornada até Mereen para encontrar Daenerys Targaryen, num caminho que provavelmente terá muitos percalços (conhecendo o histórico da série, não podemos esperar outra coisa que não vários empecilhos para Tyrion e Varys). Apesar disso, é Brienne quem parece ter chegado a um beco sem saída, ao ser rejeitada pelas duas pessoas a quem jurou defender, e por quem cruzou grande parte dos Sete Reinos.

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E, assim como Brienne, Daenerys Targaryen tem dificuldades em lidar com o fruto da conquista de seu objetivo. Após tomar várias cidades da Baía dos Escravos e se estabelecer em Mereen como Rainha, a mesma não consegue controlar aquilo que adquiriu. Tendo de lidar com o início de uma oposição dentro de seu pequeno conselho, uma revolta em Yunkai e a guerra declarada dos Filhos da Harpia contra o novo governo, Daenerys ainda deu um tiro no pé ao sacrificar um de seus aliados e ganhar a antipatia daqueles que até pouco tempo lhe chamavam de Mhysa. Além disso, o fato de não exercer mais controle algum sobre seus dragões pode ser um fator decisivo para o início de sua possível derrocada, já que os animais são um elemento forte do seu poderio sobre os demais.

Levando um tempo bem reduzido para exibir a ascensão de Jon ao posto de Lorde Comandante da Patrulha da Noite (uma cena que merecia mais tempo de tela e mais diálogos preparando-nos para essa situação), o episódio cumpriu com êxito o objetivo de pôr as cartas na mesa e insinuar desdobramentos que prometem ser bem impactantes no decorrer da temporada. E, se estamos presenciando o silêncio que precede a tempestade, podemos esperar um dilúvio pela frente.

5star

1 Comment

  • Anderson Lima
    Posted 20/04/2015 12:48 0Likes

    Jaqen H’agar não está em Bravos!

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