quinta-feira, junho 6 2024

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Agora sim, podemos dizer que a quinta temporada de Game of Thrones começou oficialmente. Se os dois primeiros episódios (ótimos, diga-se de passagem) tinham sido básicos, de introdução, e cuja finalidade era revisitar cada um dos núcleos dramáticos, sem qualquer pressa, esse terceiro capítulo já começou a mover as peças do jogo dos tronos. De uma certa forma, esse foi o tema central de High Sparrow: ver os personagens/jogadores colocando seus planos em prática, ou no mínimo, revelando-os ao espectador.

Em Porto Real, ocorreu o aguardado casamento de Margaery Tyrell com Tommen Baratheon, e não demorou muito para a nova rainha seduzir de vez o marido e tentar jogá-lo sutilmente contra Cersei. Mas esta, por sua vez, não parece estar disposta a desistir do filho e, é claro, da coroa tão facilmente. A rainha-mãe começa a se aproximar do Alto Pardal (Jonathan Pryce, sempre ótimo), o líder de uma nova seita religiosa. Se essa possível aliança renderá bons ou maus frutos, teremos que esperar pelos próximos episódios, mas em sua curta cena o novo personagem consegue deixar uma forte impressão no espectador, aparentando ser um homem justo e caridoso, mas rigoroso (e será que ele percebeu as verdadeiras intenções de Cersei ao aprisionar o Alto Septão?).

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(Também não podemos deixar de mencionar aquele bizarro momento envolvendo Qyburn. Seria o personagem uma espécie de Dr. Frankenstein de Westeros?)

Enquanto isso, após duas temporadas, finalmente retornamos para Winterfell, o antigo lar da Casa Stark e que agora está tomada pelos Boltons. A família recebe uma visita inesperada: ninguém mais, ninguém menos do que Mindinho e Sansa, e o plano do primeiro finalmente é revelado ao espectador: casar Sansa com Ramsay Snow, numa alteração drástica em relação aos livros. Mudanças à parte (e por mais que a ideia de Sansa sofrer nas mãos de Ramsay me deixe enojado, ainda mais pelo risco de prejudicar todo o arco da personagem no quarto ano, que finalmente tinha tomado uma postura mais forte e manipuladora), o retorno da personagem para a sua terra natal pode render bons momentos. Principalmente com a possibilidade dela interagir com o homem que no passado foi Theon Greyjoy e que agora é apenas Fedor (e Alfie Allen, ainda que entre mudo e saia calado do episódio, sempre consegue retratar muito bem a mudança física e psicológica do personagem).

Além disso, fica claro que Winterfell será um dos núcleos mais importantes da temporada para muitos personagens: na Muralha, Stannis mais uma vez afirma que resgatará o lugar dos Boltons. Em uma breve e tocante cena, Brienne (em um bom desempenho de Gwendoline Christie), após explicar o motivo pelo qual tanto amou Renly, mais uma vez promete vingar a morte do amado. Considerando que ela está seguindo Sansa, não é possível já imaginar que existe uma forte chance dela reencontrar Stannis?

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Já que mencionamos a Muralha, não podemos deixar de citar o agora Comandante Jon Snow, que continua tendo uma ótima dinâmica com Stannis e Davos. Mas o grande momento do núcleo foi a decapitação de Janos Slynt, por uma série de motivos: entregar uma sensação de justiça ao espectador (vale lembrar que ele traiu Ned Stark na primeira temporada, e assassinou uma das crianças bastardas de Robert na segunda). Dar a Jon Snow a chance de estabelecer o seu poder e sua força diante dos Patrulheiros, provando que não é mais o jovem rapaz ingênuo do início da série (e no processo, ganha o respeito de Stannis). E tudo isso funciona também como um reflexo sutil de duas cenas das temporadas anteriores: Theon decapitando Rodrick Cassel na segunda temporada e Robb Stark decapitando Karstark na terceira. Provavelmente, essa nova ação de Jon Snow também deverá causar consequências negativas e inesperadas.

Para encerrar, chegamos aos dois núcleos mais isolados da trama nesse momento. Arya continua aprendendo mais sobre o Deus de Muitas Faces em Braavos (temos que aplaudir a ótima decisão dos roteiristas em trazer Jaqen H’ghar de volta) e mostra, em mais uma sensível cena, que não está disposta a se livrar inteiramente do seu passado. Já Tyrion e Varys chegam em Volantis, com direito a um belo plano aéreo que confirma o excepcional trabalho dos supervisores de efeitos visuais da série.

Se pudemos ver mais alguns divertidos momentos envolvendo a dinâmica de ambos os personagens e mais uma curiosa referência ao escamagris, a doença da qual Shireen Baratheon sofre, a sequência valeu mesmo pelo seu final. Não só é um prazer rever Jorah Mormont, como o momento em que ele encontra e sequestra Tyrion já é automaticamente um dos melhores cliffhangers da série. Os universos de Westeros e Essos estão cada vez mais se chocando um com o outro. Agora é esperar pelo próximo episódio. Desde já, estou curioso em ver a dinâmica do Leão com o Urso.

4star

12 comments

  1. Mais uma vez, Jaqen H’ghar não voltou para a série. Pode ser o mesmo ator, mas não é o mesmo personagem…

  2. Caros,
    Como sugestão para as próximas analises, seria interessante trabalhar melhor os temas, que por sinal são riquíssimos. O que lê nesse texto é um breve resumo, que no geral não diz nada com nada, e breves pinceladas de criticas efetivas acerca do episodio. A impressão que se tem é que a crítica fora feita sob uma pressão absurda de tempo. Isso desprestigia o reconhecido trabalho que aqui exercem. Fica a dica.

  3. Não adianta, man. Na cabeça do grande publico, principalmente dos que não leram os livros, Jaqen H’ghar está de volta. É uma coisa trabalhada pela série mesmo que dificilmente será separada no entendimento geral.

  4. Alguém me explica pq Tyrion não quis a prostituta, depois de ter sido tão galante.

  5. Eu sei cara, mas é que essa é segunda crítica que eu leio aqui nesse site afirmando que o Jaqen H’ghar voltou, e isso me deixa louco. Quem faz a crítica deveria pelo menos dar uma pesquisadinha antes de sair afirmando esse tipo de coisa…

  6. Realmente, quem está interagindo com a Arya agora é um Homem sem Face utilizando a identidade do Jaqen H’ghar. Porém, eu escrevi assim no texto porque, para todos os efeitos, é o Jaqen H’ghar. O personagem em questão se transformou em Jaqen, tem os mesmos trejeitos e, é claro, é vivido pelo mesmo ator. Como o próprio personagem disse para a Arya no final do 5×02, ele e os demais Homens sem Face são “Ninguém”: Jaqen é apenas mais uma identidade falsa utilizada pelos Homens sem Face.

    Além disso, não temos confirmação oficial sobre esse assunto, já que a série está se distanciando cada vez mais dos livros. O próprio ator Tom Wlaschiha, em uma longa entrevista ao EW, deixou implícito que é o mesmo personagem da segunda temporada.

  7. Pela primeira vez eu torci pela Cersei, algo que jamais pensei que poderia acontecer. Fato é que a personagem é tão fantástica que quero vê-la sempre no jogo dos tronos. Me deu um aperto pela Sansa também, mas não acho que ela terá o destino que todos estão pensando, seria regredir a personagem. Por fim, fora a cena com a agulha, esse novo núcleo da Arya anda sendo o mais sem graça! Deu muito gosto ver o Jon comandar finalmente, quero ver quais serão as consequências na série.

  8. Eu não li os livros (embora saiba de alguns acontecimentos da história) e essa parte ficou muito mal explicada na série. Para o telespectador comum ficou essa impressão mesmo, que se trata do mesmo personagem. Talvez essa tenha sido a intenção dos produtores não?

  9. Bom, eu entendo seu ponto de vista. É que nos livros fica bem claro que não é o mesmo personagem. Mas como na série muitas coisas são diferentes, poderia mesmo ser ele.

  10. Não gostei desta história do casamento da Sansa!
    Também esperava muito mais de Braavos…

    com esse episódio dei uma brochada!

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