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Por: Bruno Carvalho

Justified: conversamos com o criador Graham Yost sobre o final da série!

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Graham Yost e Timothy Olyphant

Ligado em Série bateu um papo com Graham Yost, criador e showrunner da série Justified, o intenso faroeste moderno que é exibido no Brasil pelo canal Space toda quarta às 21h45. Baseado no conto Fire in the Hole de Elmore Leonard, Justified conta a história de Raylan Givens (Timothy Olyphant), um policial federal do Kentucky que tem uma forma própria aplicar a justiça, notadamente contra os crimes da família Crowder, responsável pelos principais malfeitos da região da cidade de Lexington no interior do Kentucky. Seu maior rival é Boyd Crowder (Walton Goggins).

Yost começou o papo falando sobre o fato de Justified ser uma série nichada e que ele espera que ela continue crescendo mesmo após o fim à medida que o público começar a descobri-la em serviços de streaming ou reprises, da mesma forma que ocorreu como Breaking Bad. Para ele o maior reconhecimento sobre as seis temporadas veio do próprio Elmore e que o segredo de manter uma série no ar por tanto tempo é mérito do roteiro e do elenco:

É uma honra Justified ser recorrentemente comparada a grandes shows do nível de Breaking Bad e Sons of Anarchy.”

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Yost disse que embora os números módicos de audiência, o canal FX está num modelo de negócios que permite não só que uma série como Justified fique no ar por seis temporadas, como tanto o canal e o estúdio Sony terem dado toda a liberdade para ele fazer a série da forma como ele queria e, principalmente, encerrá-la no momento certo. Questionado sobre o que o levou a decidir pelo final da série, ele comentou:

“Sentimos que ao final da quarta temporada era a hora de despedir e começamos a nos preparar para o fim.”

Para o criador, é muito bom que existiu essa liberdade, porque ele não considerava que Justified teria história suficiente para uma sétima temporada. “Começamos a quinta temporada com um mapeamento de onde estávamos e passamos a estabelecer a trama para terminá-la no ano seguinte (…) E embora poder encerrar a série de forma satisfatória seja uma recompensa muito boa, existe ainda a dor de despedir dos personagens – mas não vou contar como nós nos despediremos deles – e também do elenco e equipe de produção que ficaram conosco todos esses anos.”

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Nós perguntamos também sobre a evolução do personagem Boyd Crowder, de um desafeto de Raylan para o maior vilão da série e se esta relação era intencional desde o início. Yost ressaltou o trabalho fenomenal de Walter Goggins e que logo após o piloto, onde vimos Boyd morrer, eles sabiam que este embate seria o ponto central da série, mas que foi muito difícil não matar o personagem nas temporadas seguintes e mantê-lo operando no mundo do crime. “Walton faz um personagem que é muito repreensível, mas ainda assim há elementos admiráveis e sempre interessantes. Ele é muito carismático, por isso foi um personagem em que as pessoas queriam passar um tempo com ele. Quando vimos do que o ator que o interpreta era capaz, construímos a série em torno disso“.

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“A TV de duas décadas atrás não permitia de séries como Justified ficarem tanto tempo no ar.”

Para Yost, programas como JustifiedBreaking BadSons of AnarchyThe Walking Dead simplesmente não seriam viáveis há cerca de 20 anos na televisão norte-americana, que era liderada basicamente por quatro canais (NBC, CBS, ABC e FOX). Para ele os shows resumiam-se, em sua maioria, em séries de policial, médicos e advogados com episódios que deveriam funcionar de forma isolada. “Felizmente hoje temos uma interessante diversidade de produtores de conteúdo, canais pagos e serviços de streaming como Netflix, Amazon e até mesmo PlayStation que viabilizam séries como Justified a permanecerem no ar, mesmo sem registrar grandes números. Muitas pessoas que faziam só cinema hoje estão migrando rápido para a TV pela liberdade criativa que o formato proporciona, notadamente no desenvolvimento de personagens“.

A era de ouro da TV aberta passou.”

Questionado se ele gostaria de ter uma série que ao mesmo tempo é popular e com qualidade impecável, Graham afirmou que encontrar a fórmula que une os dois é cada vez mais raro, especialmente na TV aberta estadunidense: “Consigo lembrar apenas de The Good Wife hoje como sendo uma série que mantém a sua qualidade ao mesmo tempo em que retém um grande público semanalmente. Já se foi a era de ouro da TV onde a NBC tinha uma série como The West Wing no ar e que tinha uma audiência estrondosa. Então eu prefiro ter uma série que é verdadeira com ela mesmo do que uma com audiências astronômicas. Quando os dois conseguem se encontrar, é ótimo”.

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Sobre o episódio final, Yost não quis adiantar muito sobre o que veremos, mas revelou que um dos temas centrais será mesmo a difícil relação entre Ava e Boyd e as ações de Raylan que terão um impacto definitivo na vida destas personagens que acompanhamos nos seis últimos anos.


Justified encerra sua jornada esta noite na TV norte-americana e por aqui continuará a ser exibida pelo Space toda quarta às 21h45. O final está agendado para o dia 17 de junho.

2 respostas para “Justified: conversamos com o criador Graham Yost sobre o final da série!”

  1. Henrique disse:

    Série impecável, inteligente e com atores fenomenais. Uma pena que tenha que acabar..

  2. Guilherme Roussenq disse:

    Sou grande fã do Elmore Leonard e, por consequência, de Justified. Sei que ela não é a melhor série de todos os tempos, nem revolucionária mas foi excelente quando acertou (principalmente na 2ª temporada), sempre muito divertida, com ótimos diálogos, atuações e cenas. Essa última temporada foi muito, muito boa e o series finale brilhante, um dos melhores dos últimos anos.

    Infelizmente não acredito que o Emmy irá sequer lembrar de Justified (a única vez foi na 2ª temporada quando a Martindale ganhou como melhor atriz) mas acredito que ela será mais reconhecida pelas pessoas nos próximos anos, principalmente após um final tão bom, que ajuda na lembrança e recomendação.

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