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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 5×07: The Gift

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[a crítica a seguir revela spoilers dos livros e da série] A quinta temporada de Game of Thrones finalmente entrou em sua reta final. Após três episódios irregulares (com exceção do 5×05) escritos por Dave Hill e Bryan Cogman, os showrunners David Benioff e D.B. Weiss entregam esse excelente The Gift, que avança a trama em quase todos os núcleos (com exceção de Arya, que se ausenta do episódio, e Varys, que desapareceu da série) e deixa as peças preparadas para os seus movimentos finais.

Começamos o episódio na Muralha, onde vemos Jon Snow partindo junto com Tormund para Hardhome, rumo a uma missão que esperemos que tenha alguma importância para a trama. Nesse núcleo, tivemos a chance de nos despedir de Meistre Aemon, com uma última nota melancólica (“Egg, eu sonhei que era velho”). Nos livros, o luto pela morte de Aemon é o que motiva Sam e Gilly a terem a sua primeira noite de amor. Infelizmente, em um dos poucos erros do episódio, os roteiristas devem ter acreditado que isso era muito pouco. Assim sendo, Gilly é submetida a mais uma tentativa de estupro, forçando Sam a agir heroicamente e se revelar digno de seu amor. Sim, já foi estabelecido muitas vezes que a Muralha é habitada por centenas de estupradores (algo que Stannis citou há alguns episódios atrás), mas não deixa de ser uma maneira desonesta e desnecessária de avançar com a trama do casal. E sejamos sinceros: com tantas tramas mais importantes, por que os roteiristas (e George R.R. Martin) continuam a gastar um tempo precioso nesse romance batido?

O que nos leva de volta para Winterfell, onde contemplamos as consequências daquela cena perturbadora que encerrou o episódio anterior. À primeira vista, parece que os nossos medos se concretizaram: Sansa retornou ao papel da vítima desesperada que implora a Theon que o ajude. Este por sua vez, permanece como Fedor, leal à Ramsay, mesmo depois de tudo que presenciou. Porém, já é possível perceber alguns sinais de que as coisas estão mudando: Sansa tenta manipular Fedor e fazê-lo lembrar de quem ele realmente é; mais tarde, ela consegue roubar uma arma ao mesmo tempo em que manipula claramente Ramsay, ao lembra-lo de que ele é um bastardo e que o filho de Walda Frey é uma série ameaça ao seu futuro. Ainda não concordo com o que aconteceu no episódio passado, mas os roteiristas ainda têm mais três episódios para dizerem o que pretendiam com as alterações nessa trama.

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E se Stannis continua tornando-se mais interessante e simpático em suas interações com Davos e Melisandre, Dorne permanece sendo o ponto fraco da temporada. A conversa entre Jaime e Myrcella é curta demais para causar qualquer impressão. Em contrapartida, a sequência de Bronn com as Serpentes foi um pouco mais tolerável. Sim, tivemos mais nudez desnecessária, mas se você deixar isso de lado, pode perceber que a atriz Rosabell Laurenti Sellers conseguiu se destacar mais em comparação com as suas colegas de cena, convencendo como uma mulher sedutora e perigosa. Infelizmente, isso também não esconde o fato de que a cena não teve propósito algum: porque Tyene daria um antidoto para um homem que teoricamente, ela deveria considerar como inimigo, já que trabalha para os Lannister? Apenas pelo prazer de humilhá-lo, e de escutar que é “a mulher mais bela que ele já viu”? Ai, ai… vamos para o próximo núcleo, por favor.

Em Meereen, vimos o encontro de Tyrion e Jorah com Daenerys. E por mais bem realizada que a sequência seja, do ponto de vista audiovisual, também é inegável que as coincidências do roteiro incomodaram. Já é forçado Daenerys visitar a arena de luta onde Tyrion e Jorah se encontram, após terem sido comprados por Yeezan, mas o fato do Lannister ser o único dos escravos aprisionado chega a ser ofensivo. Por que ele? Que tipo de ameaça o anão representa em comparação aos outros? E por que aquele soldado o libertou? A reposta é simples: porque tudo não passa de um artifício dos roteiristas para tornar a sequência mais tensa, fazendo o espectador acreditar que os personagens não se encontrarão. Apesar disso, volto a repetir: tirando esses furos de lógica, a sequência foi bem realizada, e os roteiristas acertaram nessa alteração. Repetir o desfecho anticlimático de A Dança dos Dragões, e terminar a temporada sem o encontro de Tyrion com Dany seria um terrível tiro no pé. Agora, vamos esperar para ver como será a interação da dupla, que promete bastante.

E terminamos em Porto Real, onde Jonathan Pryce já garantiu algumas indicações a prêmios com a sua atuação. Primeiro na sua cena com Olenna, onde ele consegue o impossível: deixar a Rainha dos Espinhos sem palavras. Em um belo dialogo, o Pardal deixa claro o quanto a nobreza irá tornar-se impotente se (ou quando) o povo perceber que eles são a “maioria”. E na sequência final, quando o personagem revela a Cersei que sabe toda a verdade sobre ela, Pryce consegue retratar muito bem o desprezo e julgamento do personagem apenas com um olhar. Mais um casting acertado da série, e agora resta saber como ficará a situação da capital com a prisão da rainha.

4star

Observações finais:

– A trama de Jorah nesse episódio remeteu bastante a Gladiator, não?

– Qual será o presente de Mindinho para Olenna? Lancel? Mindinho teria infiltrado o Lannister na seita dos Pardais para derrubar Cersei? Ou Olyvar, talvez? O rapaz pode dizer que mentiu no interrogatório a mando de Cersei, ou então ser morto pelos Tyrells. Ou ainda… Gendry? O bastardo de Robert está desaparecido desde o final da terceira temporada, e poderia ser um bom trunfo para Mindinho e os Tyrells na possibilidade da queda dos Lannisters. Difícil, mas por enquanto, estou inclinado a acreditar que seja Olyvar.

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