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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria

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Mad Max: Fury Road é a obra-prima de George Miller, cineasta que dirigiu os três primeiros filmes da franquia há 30 anos atrás e aqui faz uma releitura steampunk de alta octanagem utilizando como pano de fundo aquele mesmo universo dos longas estrelados por Mel Gibson. Agora, já num mundo pós-apocalíptico, o auto-proclamado imperador e imortal Geraldo Alckmim Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne) utiliza da pouca água que resta no planeta para controlar um povo doente e carente, extraindo dele as regalias para a sua elite de agregados e para seu exército de fundamentalistas conhecidos como Kamicrazys. Mas a paz do já debilitado líder chega ao fim quando a insurgente Imperator Furiosa (Charlize Theron), decide raptar e salvar o harém particular que ele mantém, desencadeando uma “contenda familiar” que toma todo o deserto de Wasteland na mais maluca, absurda e incrível perseguição que já vimos.

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No meio disso o andarilho Max Rockatansky (Tom Hardy), capturado pelo exército de Joe e relegado à condição de uma “bolsa de sangue” (afinal, ele é saudável enquanto o povo da cidadela aparentemente sofre com parasitas), acaba recrutado contra sua vontade para ajudar no plano de fuga das mulheres. A premissa é simples e encerra por aí. O roteiro de Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathorious é econômico o suficiente para deixar que as lacunas sobre o que aconteceu naquela realidade sejam preenchidas na cabeça do público (das consequências da escassez até mesmo à Lei que impera no local), abrindo espaço para que praticamente todos os minutos de projeção sejam gastos numa bela homenagem à ação e ao Cinema e jamais explicando cada um dos vários interessantes conceitos retratados: os nomes, os “deuses”, os cantos e tudo mais que torna este universo único.

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Por isso, não é de se espantar que desde a abertura, o filme se enverede em três grandes sequências eletrizantes (a tentativa de fuga de Max, o início da perseguição e a tempestade de areia) e somente após uma hora faz uma pausa para “respirar” um pouco. Carros, motos, tanques e caminhões que possuem suas próprias identidades são, por grande parte do tempo, os protagonistas de uma espécie de vídeo game insano filmado com o mais alto apuro técnico e visual. Aliás, que belíssimo trabalho de design de produção que pode ser visto em cada plano. Todas as sequências de ação de Fury Road são um presente estético e energético que eleva e estabelece um novo e alto padrão pra filmes de ação. A um por nunca soar repetitivo ou desnecessário em cada uma das diversas sequências de ação; a dois por capturar toda a maluquice sobre rodas de uma forma que sempre permite a compreensão, pelo público, do que está sendo exibido, fazendo com que Miller seja um dos cineastas hoje mais capazes de dominar a mise-en-scène do gênero, especialmente se considerarmos que o filme está constantemente em movimento.

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Aliás, Miller demonstra ainda dominar a técnica do 3D sem sequer ter filmado utilizando câmeras especiais (o filme é convertido). Mas graças às sábias escolhas dele de sempre fotografar com profundidade de campo grande e não utilizar recursos como o rack focus, a conversão é suave e favorece até mesmo a magnífica paleta de cores deste universo, sem escurecê-la ou esmaecê-la como outras produções comumente fazem apenas para vender ingresso mais caro. Outra abordagem interessante é a de relegar Max à condição de coadjuvante, deixando Furiosa e as mulheres de Immortan tomarem o protagonismo da trama, já que são elas que desencadeiam toda a perseguição. Aliás, um momento chave da trama mostra o quanto a subversão de conceitos é o forte do longa, ao mostrar os heróis optando por dar meia volta e perseguir seus perseguidores em vez de seguirem em busca de um oásis inexistente.

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Mad Max: Estrada da Fúria é o maior e melhor blockbuster deste ano sem dúvida alguma e uma experiência que vale e merece ser vivida num cinema. Que dia maravilhoso!

5star

16 respostas para “Crítica | Mad Max: Estrada da Fúria”

  1. Diogo Araújo disse:

    Maior e melhor blockbuster!!!

  2. Felix disse:

    Bela crítica! Filme é foda!

  3. Filipe Carvalho disse:

    WITNESS

  4. Vinícius disse:

    Bruno, vi o filme em uma tela gigante (tipo IMAX) e não concordo com o fato do 3D ser bem utilizado. Em linguagem ele não acrescenta nada, esteticamente menos ainda. Apesar da profundidade, o 3D é incrivelmente ruim, tirando apenas a nossa possibilidade de admirar ainda mais a bela fotografia e design de produção do site. Durante a projeção várias vezes tirei o óculos e pude perceber o quanto estava perdendo por conta daqueles malditos óculos. Uma pena que as sessões 2D legendas estão extremamente raras a cada dia.

  5. Marcus Vinicius Lima Martins disse:

    Que dia maravilhoso para o cinema. Pena que aqui em Brasília são poucas as sessões legendas sem 3D.

  6. Magnosama disse:

    “Mad Max: Estrada da Fúria é o maior e melhor blockbuster deste ano sem dúvida alguma e uma experiência que vale e merece ser vivida num cinema. Que dia maravilhoso!”

    sem dúvida alguma…

  7. Edson disse:

    Eu vi num IMAX 3D e curti muito… Assisti ao filme Vingadores no mesmo cinema e não tem comparação… Mad Max ficou excelente em 3D, enquanto Vingadores apenas converteu para ganhar mais dinheiro.

  8. rodrigosantos disse:

    Fantástico o filme. Achei melhor o 3D dele do que o de Vingadores 2.

  9. Adri disse:

    Mas eu li que Mad Max também foi convertido pra 3D. Eu adorei o filme, mesmo, mas não vi taanta coisa assim em ele ser em 3D, acho que poderia rever em 2D e não sentiria muita diferença (talvez só mais um motivo pra rever o filme hahah).

  10. maravilha disse:

    Bruno, que bom que vc escreveu sobre o filme. Os amigos não gostaram e já tinho desistido de ir ao cinema para vê-lo. Seeeempre existem várias formas de olhar um mesmo assunto. Obrigada!

  11. Ainda não assisti, mais sei que pelo hype do pessoal no minimo tem quer ser mediano.

  12. Ricardo Coelho disse:

    Talvez eu não estivesse em um dos meus melhores dias quando vi esse filme, pois lendo a crítica positiva só me lembrava o quão cansativo é esse filme! Nossa! estava doido para que esse filme terminasse logo, para eu fazer outra coisa. Depois da sessão cheguei à conclusão que joguei mais de 2 horas no lixo.

  13. Bruno Sousa disse:

    O meu sentimento é o mesmo

  14. Vulmar disse:

    Só tenho uma queixa…. Mad Max é coadjuvante….. Entendo todos os motivos apresentados, mas me reservo o direito de achar muito frustrante assistir um filme em que o personagem título é coadjuvante.

  15. Anderson Lima disse:

    Achei o filme bom, nada mais. Não é tudo isso que estão falando não…

  16. Rodrigo Corrêa disse:

    Eu esperava que George Muller retomasse a essência do MAD MAX 1, com menos distrações e mais compromisso psicológico. MAD MAX no meu entender se torna, com Fury Roads, uma trilogia, deixando MAD MAX 1 fora da sequência.

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