Crítica | Veep 4×08: B/ill

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[com spoilers do episódio 4×08] Veep se beneficia profundamente sempre que a) suas personagens estão juntas em um mesmo recinto e b) as supracitadas personagens estão alcançando algum nível anabólico de histeria. E B/ill, ao contrário dos últimos esforços, oferece a estrutura adequada para que as duas características proliferem ao longo do episódio, recuperando um pouco o humor inspirado e colocando a temporada de volta nos eixos.

Afinal, B/ill começa já determinando de forma bem clara um objetivo e um prazo, deixando o resto do tempo livre para criar um crescendo de forma natural: o que no início é uma conversa semi-sussurrada entre três pessoas, um lance meio secreto que parecia envolver só eles, se torna no final uma  gritaria ensandecida envolvendo até quem não queria ser envolvido – o que é ótimo, já que permite a Veep descarregar os jabs em forma de diálogo que descarrega tão bem, e B/ill é um ônibus na hora do rush de one-liners ofensivos brilhantes (“essa não, o Coringa e o Pinguim chegaram antes“, “a única razão para você estar aqui é doar seu cérebro para a ciência“, “isso foi faixa-preta de fingimento“, “ah, se é só uma então não tem problema. Vamos deixar só uma bomba nuclear explodir no Super Bowl“).

Isso permite ao elenco entrar em “modo de combate irônico”, carregando revólveres com muito timing cômico e disparando como se não houvesse amanhã – e, já que estamos falando de ironia e conflitos, é claro que Hugh Laurie chega chutando a porta, colocando a cena em uma sacola com um “$” desenhado e indo embora com ela. O ator consegue carregar os diálogos da intensidade necessária sem perder o carisma, fazendo com que Tom James se torne aos poucos uma referência maior dentro da equipe. Kevin Dunn também sempre chama a atenção com seu Ben de eterna expressão incrédula e trejeitos largados, mas a verdade é que em B/ill o elenco todo se mostra afiado. Junto aos atores ensandecidos, a câmera na mão e a montagem ágil, típica linguagem de Veep, contribuem para o dinamismo do episódio – e, como falei em críticas de outros episódios, a presença de duas ou mais pessoas em quadro proporciona diálogos que são quase batalhas, fazendo com que as frases soem como punchlines (reparem que não há muito espaço após uma fala; logo outra surge para preencher o silêncio).

O que não funciona muito bem aqui é a trama da doença de Selina. Repetitiva e quase sempre sem graça, ela agrega tipo uma bala Tic Tac de humor ao episódio, embora, claro, viabilize a trama ao criar um motivo para tirar a presidente dos eventos. Mas, toda vez que despenca para essa história ,B/ill puxa o freio de mão e desacelera enquanto fica derrapando para lá e para cá, e tenho a impressão que as tramas envolvendo Selina têm todas sido de uma piada só. De qualquer jeito, não chega a atrapalhar muito o que é um episódio realmente inspirado. E ainda temos Mike cada vez mais insatisfeito e Gary começando a surtar com a sua posição no esquema das coisas (também, pudera, a presidência de Selina faz a de Frank Underwood parecer um filme da Disney). Pode ser que esteja se desenhando aí um abandono total da equipe até o final da temporada e um clímax cheio de xingamentos.

O que, para Veep, é tipo achar petróleo.

4star

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