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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | True Detective 2×06: Church in Ruins

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[com spoilers do episódio 2×06] A segunda temporada de True Detective está em vias de bater o cartão no final do expediente e Church in Ruins, o antepenúltimo episódio, chega para inflamar tudo. São sessenta minutos tensos e intensos que apertam os botões certos para mexer com o espectador, seja na parte do suspense ou na parte do envolvimento com as personagens. Há alguns percalços, é verdade, e momentos que poderiam ter ficado um pouco mais de tempo no forno, mas, no geral, Church in Ruins pega o público pelo colarinho e atira ele em direção ao episódio seguinte.

E nem precisa esperar muito, já que a cena inicial, envolvendo Velcoro e Frank, é ouro puro: cuidadosamente construída sob a bandeira da desconfiança mútua, despeja bigornas de tensão justamente pela mise-en-scène contida, que sugere a chegada do ponto onde tudo vai pro brejo (e que, por não chegar, intensifica o suspense). Uma aula de atuação, montagem e diálogos, que por si só justificaria qualquer investimento financeiro no episódio – as expressões de Colin Farrell são tão intensas que quase dá para ver o bigode dele crescendo de novo.

Velcoro, aliás, ganha ainda mais destaque em Church in Ruins, que aproveita o café da manhã armado entre ele e Frank e uma recaída ao mundo das drogas lícitas e ilícitas para jogar um holofote ainda mais forte no ex-policial. Enquanto a tendência que ele tem de entrar em modo violência total fica clara na conversa, a rave solitária no apartamento mostra o quão problemático o sujeito é, preferindo manter a ilusão de ser o pai do futuro Jonah Hill a ser realmente o pai dele. É uma jornada morro abaixo incrivelmente poderosa e que o episódio executa com louvor (a intensidade da montagem ajuda a criar o clima caótico, e o contraste com a calmaria logo a seguir ilustra a depressão que se abateu sobre o sujeito – e o fato de só vermos as consequências, e não a vandalização em si, é ainda mais emocionalmente desnorteador).

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Mas nem só de Velcoro vive o episódio: a narrativa continua caminhando de forma eficiente (temos investigações, interrogatórios, descobertas e até mesmo festas com alucinações e iluminação e filtros muito bem utilizados), sem deixar de lado as personagens (as supracitadas circunstâncias envolvendo Velcoro, Frank visitando a viúva de Stan, Bezzerides e as visões) nem os ótimos diálogos (“de todas as mentiras que as pessoas contam a elas mesmas, essa deve ser a mais comum“, “se você a vendeu, não fui eu que comprei“) e construindo uma atmosfera noir cada vez mais carregada e justificada. Church in Ruins também ganha estrelinha por conseguir deixar todas as personagens vulneráveis no clímax – Frank indo de encontro aos mexicanos, Bezzerides alucinando na festa, Velcoro e Woodrough tendo que fazer uma versão mais radical de Wedding Crashers -, mantendo o suspense até o final do episódio.

O que não justifica alguns diálogos incrivelmente expositivos (“por que você se esforça tanto para ficar só?“), a inexplicável presença da viúva de Stan (ainda que a cena seja boa) e algumas soluções anêmicas (vamos lá, os dois caras por coincidência chegam no exato momento que as pessoas no escritório estão conversando sobre o assunto, na mesma festa em que, por coincidência, a mulher que Bezzerides procurava dá as caras?). Church in Ruins não chega a ser muito afetado por tais vicissitudes, entretanto, pois as virtudes conseguem varrer os probleminhas para debaixo do tapete. Além disso, o episódio parece trazer mais à tona questões sobre paternidade, posicionando as personagens principais em situações onde confrontam seus problemas relacionados à questão – Frank, que talvez não possa ter filhos, “cuidando” de uma criança; Velcoro abandonando seu garoto; Woodrough, que logo será pai, seguindo a pista de dois órfãos; Bezzerides sendo abusada por alguém da seita do seu progenitor. E com o tema da ausência de uma figura paterna minimamente estruturada pipocando frequentemente, Frank, Velcoro, Woodrough e Bezzerides parecem pessoas ainda mais perdidas na vida.

Ao contrário de True Detective, que parece ter realmente se encontrado agora.

5star

7 respostas para “Crítica | True Detective 2×06: Church in Ruins”

  1. Kareka_almeida disse:

    Excelente!!

  2. Junior disse:

    Esse foi TOP.. Melhorou muito nos ultimos 2 episódios

  3. Felipe Ferreira Silva disse:

    A César o que é de César…esta review está muito boa, bem melhor que as anteriores. Keep up the good job!

    A série tambem melhorou bastante!!

  4. Cássio Leonardo Carrara disse:

    Finalmente a 2ª temporada mostrou a que veio.

  5. Jessé Teixeira disse:

    melhor episódio da temporada disparado e finalmente criando expectativas!!

  6. Carlos Júnior disse:

    O melhor episódio da temporada até aqui.

  7. Magnosama disse:

    “quase dá para ver o bigode dele crescendo de novo”

    ridemaisaporra…
    huasihaisuhiashaisuhiauhahuiais…

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