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Por: Bruno Carvalho

Crítica | A fantástica e irretocável Mr. Robot

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[contém spoilers] É raro hoje em dia uma série ser tão promissora desde o seu primeiro episódio. Geralmente grandes produções como Breaking Bad, Game of Thrones, The Good Wife etc. começam – de certa forma – “mornas” e depois vão mostrando a que vieram. Muitas vezes percebemos isso apenas no desenrolar da temporada ou até mesmo nas temporadas seguintes, quando renovadas.

Esse não é o caso de Mr. Robot, produção que marca um realinhamento dramático da emissora norte-americana USA e que apresenta de forma absolutamente inesperada um drama que já nasce forte, pungente e que, no fim das contas, é capaz de entregar tudo aquilo que prometeu e mais. A criação de Sam Esmail em seu primeiro grande trabalho na TV é ambiciosa em termos narrativos, criativos e estéticos.

Desde o primeiro episódio sabemos que estamos diante de algo diferente e potencialmente especial e foi por isso – e pelos “mistérios” apresentados nos capítulos iniciais – que aguardei o desfecho da temporada para poder atestar: esta é indubitavelmente a melhor estreia da summer seasonMr. Robot nos apresenta a Elliot Alderson (Rami Malek), um engenheiro de segurança da informação que trabalha como uma espécie de “hacker do bem” nas horas vagas e que está investido de todas as características de um anti-heroi. De fato, sabemos que existe algo meio off em Elliot já na sua primeira aparição, sendo perseguido por estranhos homens de terno em enquadramentos de câmera pouco usuais. Pela narrativa não linear adotada descobrimos que nós – espectadores – somos uma espécie de “amigo imaginário” do perturbado técnico, em alguns casos funcionando subjetivamente como o narrador auxiliar desta intrincada história e em outros como testemunha ocular dos outros ramos da história.

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Também é no primeiro episódio (e notem que todos os capítulos possuem títulos que remetem à tecnologia e até mesmo a arquivos de torrent, como “eps1.0_hellofriend.mov”, “eps.1.1_ones-and-zer0es.mpeg”) que conhecemos a enigmática figura que dá título à série, Mr. Robot. Daí já surgem os indícios de que eles estão, de fato, emulando a dinâmica que ficou registrada em Fight Club, já que o alter ego de Elliot é também o idealizador de um plano em escala mundial para hacker o sistema financeiro e “zerar” os débitos e créditos em que se fundamenta a sociedade moderna.

É aí, especificamente, que Mr. Robot se sobressai, ao fazer duras críticas ao capitalismo exacerbado de grandes corporações, trazendo de forma recorrente referências a produções como The Matrix, V for Vendetta, 1984 e outras. Não é à toa, aliás, que a maior delas ganha a alcunha de “Evil Corp” na cabeça de Elliot, mas assim é retratada por toda a temporada, já que estamos vendo aquele mundo sob o olhar dele. Mas mesmo incorporando tudo isso, a série consegue criar um produto único e diferenciado, seja pelo viés excessivamente técnico e pragmático dos hackers (com a possível consultoria do grupo Anonymous, não confirmada, ou de pelo menos bons especialistas), seja pelos elementos subjetivos que fazem, aqui e ali, com que os episódios brinquem com a realidade, a passagem de tempo etc.

A série ainda traz uma trama complexa a princípio, que vai se desdobrando em camadas que servem não para explicar o que está ocorrendo, mas para ampliar, a cada episódio, esse “presente distópico” criado – e os capítulos que se passam boa parte na mente drogada de Elliot ou àquele em que descobrimos a real natureza “Tyler Durden” do protagonista são dignos de nota. A um porque a série fez questão de tratar essa revelação como meio (não como fim) para desenrolar a segunda metade da temporada, praticamente dizendo ao espectador: “ei, é CLARO, que Mr. Robot era Elliot e vice-versa e sabemos que você percebeu isso”. A dois por trazer inúmeras referências externas, a maior delas na música incidental que coroa o capítulo final.

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Mr. Robot ainda é povoada por figuras igualmente interessantes como Tyrell Wellick (Martin Wallström), Angela Moss (Portia Doubleday), o próprio Mr. Robot (Christian Slater) e o enigmático Whiterose (B.D. Wong), que ajudam a imprimir na série um constante senso de imprevisibilidade e surpresa a cada bloco. Irretocável em seus aspectos técnicos – da direção de fotografia à trilha sonora – Mr. Robot é definitivamente uma produção que merece os holofotes e que se destaca por jamais subjugar a inteligência de seu espectador.

Contemporânea, atual (veja como trata a crise na China e até mesmo o vazamento de informações do site Ashley Madison), Mr. Robot encerra seu ano de debute explodindo cabeças com aquela cena pós-créditos que permite a derivação de uma segunda temporada – já confirmada para 2016 – totalmente diferente e mais profunda que a primeira. Que bela e interessante série!

5star

Mr Robot deve estrear no Brasil em breve, em canal a ser divulgado.

32 respostas para “Crítica | A fantástica e irretocável Mr. Robot”

  1. Matheus Bloinski disse:

    Essa série é espetacular. Uma das melhores do ano, com certeza.

  2. WildWing Gutemberg disse:

    Esse ator e aquele mesmo do exclusivo do ps4 de terror que faz escolhas

  3. Alex disse:

    Whiterose

  4. Juliano Haussen disse:

    Excelente critica Bruno,. acredito que faltou somente falar um pouco do excelente trabalho do Rami Malek, que baita ator.

  5. Bruno Sousa disse:

    Until Dawn. Um ótimo jogo, por sinal.

  6. Aliança Overwatch disse:

    Sim o jogo e muito bom, então e o mesmo ator né! vou dar uma olhada na série reconheci pelo jogo kkkk!

  7. Bruno Sousa disse:

    A série é MUITO boa. Se você for nerd, melhor ainda. É um prato cheio. Recomendo!

  8. Eduardo Silva disse:

    Ótima série, ele me prendeu do inicio ao fim…

  9. Nicholas Amorim disse:

    Sou realmente uma das poucas pessoas que acham essa série terrível, com diálogos expositivos, atuação equivocada e reviravoltas forçadas ? Tecnicamente, não tenho nem o que falar… Sou Arquiteto de Software e essa é uma das maiores piadas que já vi. Relativamente mais fiel que outras séries e filmes, mas isso diz muito mais sobre as outras séries e filmes do que sobre Mr. Robot… A parte técnica ainda é uma completa piada. Eu assisti a temporada inteira esperando melhorar e nada. Só valeu de uma coisa: garante boas risadas entre amigos quando imito a atuação extremamente repetitiva do Rami Malek (que estava ótimo em Short Term 12)!

    Se é a melhor série do ano, suponho que tá na hora de rever as séries da era dourada da TV americana! :)

  10. Vini disse:

    Essa série é maravilhosa! Melhor coisa que eu fiz foi começar a ver!

  11. Pedro Henrique Castro disse:

    Série maravilhosa!
    É “WTF” atrás de “WTF!” a cada episódio…

  12. Fernando Henrique disse:

    Melhor talvez…rsrsrs

  13. Fernando Henrique disse:

    Eu acho crítica do Zangado de Until Dawn muito justa,é um jogo que na primeira jogatina é incrível mesmo!

  14. Gueminho Tristão disse:

    Absurdamente boa! Eu ficava dando F5 o dia inteiro até o ep novo chegar. Em qualidade eu comparo a True Detective.

  15. Ricardo Monteiro disse:

    Não dá pra agradar a todos mesmo. :)

  16. fafner disse:

    Concordo. Posso aceitar que a parte técnica tivesse de ser simplificada, mas o clichê está-tudo-na-cabeça-dele foi bem previsível. A crítica aqui mencionou o Fight Club, mas eu sempre ficava pensando: eis o voice-over do Dexter, eis o fantasma do pai do Dexter, eis o passageiro obscuro do Dexter (aqui a dependência de heroína, a sociopatia), eis o quase-incesto com a irmã Debra…

  17. Vitor Almeida disse:

    Série espetacular! Diferente de tudo que está passando no momento. Me surpreendi muito com a qualidade da narração!

  18. Thiago Sete disse:

    Eu adorei a série, mas achei o final incoerente com o que de fato aconteceria se os bancos perdessem seu créditos. Não precisa ser nenhum economista para saber que o mundo não ficaria tão de boas, principalmente com os bancos segurando o dinheiro e crédito das pessoas (e até os planos de aposentadoria). Nesse ponto achei que o cara que se matou o único compatível com os acontecimentos e ele foi retratado como “o exagerado” (se comparar com o CEO da E Corp que está muito tranquilo). Como você falou, a revelação das questões psicológicas foi resolvida antes do final e eu entendi que o objetivo era deixar o último episódio livre para explorar “a Revolução”, plot que foi o gancho da trama (motivo do aparecimento do Mr. Robot), mas a questão ficou totalmente de lado enquanto Elliot se preocupou mais em saber como aconteceu (o que não importa mais, já nem tinha como reverter…).
    De qualquer forma eu vou voltar porque o conjunto me conquistou.

  19. ricardo disse:

    O seriado apresenta qualidade, notadamente algumas opções estilísticas interessantes. Porém, a previsibilidade do “twist” e sobretudo a ingênua crítica ao sistema capitalista me frustaram. Não há como ignorar que o apagamento das dívidas criará uma grande crise sistêmica no sistema financeiro americano e mundial que culminará em um grande quadro recessivo.

  20. Nicholas Amorim disse:

    E bote ingênua nisso…

  21. Wanderson disse:

    De longe uma das melhores estreias do ano!

  22. Filipe Milhomem disse:

    Acabei de terminar de assistir a série, e assim como dito na critica – por sinal, muito bem feita, parabéns Bruno! – há muitas referencias (trilha,roteiro) ligadas a Clube da Luta. V de Vingança, Matrix, vem por fora. Mas, me conquistou, além de ter uma influência enorme de David Fincher – que está em House of Cards – , foi a trilha. Que querendo ou não, lembra muito as ultimas trilhas de Trent Reznor e Aticcus Ross, compositores e músicos presentes nas trilhas de Fincher. O modo de filmagem “obscuro”, o enquadramento, lembra muito o modo “Fincher” de filmar. Tô aguardando a proxima temporada na expectativa de que foquem menos no emocional, e coloquem mais em evidência o controle das empresas, o colapso, e a porra toda. Voltarei mais vezes aqui. E cara, o traficante, deve voltar, pra dar um toque mais “real”.

  23. lenon disse:

    vi tudo em um dia , necessito maissssssss

  24. Luis Eduardo Coraini disse:

    Também achei bem ruim…principalmente nos primeiros episódios, onde os diálogos eram quase todos permeados com frases técnicas, que ao menos em casa, só serviam pra uma coisa: eu, que trabalho com TI a muitos anos, achava uma piada. A minha namorada, que não é da área, ficava perdida. Mas no fim, era completamente desnecessário encher as frases daqueles termos só pra parecer “nossa, como eles são hackers manjadores phodões”. O cúmulo foi um diálogo do tipo “nossa, você usa gnome? Eu prefiro KDE”. Senti vergonha alheia.

  25. Liin Hendriix disse:

    achei a serie muito boa, mais a impressão que tive e que o primeiro episodio foi o melhor de todos sem duvidas e depois a serie veio caindo ate acabar no ultimo episodio. mais vale a pena assistir

  26. lfey disse:

    galera n to entendendo dps da 2 temporada nao to entendendo nada mais

  27. Douglas Elias disse:

    Série realmente maravilhosa, mas dizer que é irretocável é exagero rsrs

  28. Havenox disse:

    Ela critica o corporativismo não o capitalismo.

  29. Hugo Heydrich disse:

    Muito Melhor que GOT

  30. Leonardo D. Lourenço disse:

    A trilha sonora,a fotografia dessa serie são incríveis, os planos que eles resolvem mostrar o que o personagem está pensando ou sentindo te faz se sentir no mesmo estado. Também sou da área de T.I E achei a forma que eles abordavam o tema de forma bem satisfatória,minha namorada entendeu tudo muito bem. Nota 8.5/10

  31. Mateus Potumati Mariano disse:

    Passei aqui só pra dizer que finalmente comecei a ver essa série e é um LIXO ABSOLUTO. Meu Deus, tem que ser muito carente e sem base pra achar isso bom.

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