Crítica | O decepcionante piloto de The Bastard Executioner, de Kurt Sutter
Crítica | O decepcionante piloto de The Bastard Executioner, de Kurt Sutter

Crítica | O decepcionante piloto de The Bastard Executioner, de Kurt Sutter

bastard

[contém spoilers] É sempre perigoso criar expectativas em relação a qualquer coisa. Afinal de contas, até mesmo o artista mais talentoso do mundo pode dar um inesperado tropeço, ao passo que outro normalmente medíocre pode nos surpreender. Dito isso, confesso que no decorrer dos últimos meses, conforme eram divulgadas mais informações sobre a nova série de Kurt Sutter, eu me empolgava cada vez mais. E como não ficar empolgado com a possibilidade de assistir a uma série medieval do mesmo criador da excelente Sons of Anarchy, e que traz diversos outros profissionais incrivelmente talentosos?

É justamente por admirar tanto os nomes envolvidos em The Bastard Executioner, que eu estou tão frustrado em apontar a decepção que tive com esse piloto. Com roteiro escrito por Sutter e direção de Paris Barclay (Sons of Anarchy, In Treatment, Glee), a série é situada na Inglaterra do século 14, e conta a história de Wilkin Brattle (Lee Jones), um cavaleiro do exército do Rei Eduardo I, e que acaba se traumatizando com os horrores da guerra. Brattle desiste de sua vida de cavaleiro e vai viver num vilarejo, junto com a sua esposa. Esse vilarejo em questão é governado pelo cruel Barão Ventris, um homem que está relacionado com o passado de Brattle, e que cobra altos impostos. Brattle se une a um grupo de habitantes do vilarejo, roubando dos cobradores de impostos e desafiando o Barão, este logo descobre de onde o grupo surgiu, destrói o vilarejo, assassina todos os habitantes, o protagonista decide empunhar sua espada pela última vez, numa cruzada de vingança e…

… E é isso. Se por esse breve resumo a série pareceu muito rasa e clichê, não se engane: é porque é. Poucas vezes tive uma sensação tão grande de tempo perdido. Com 90 minutos de duração, esse início de série sofre de um ritmo arrastado (a vingança do personagem só começa após 45 minutos), fotografia e  design de produção apenas razoáveis (não espere nenhuma Game of Thrones da vida) e coreografias de luta inexistentes.

bastardmoyer

Além disso, The Bastard Executioner derrapa exatamente naquilo que Sutter era tão criticado em Sons of Anarchy: a extrema violência. Ora, a violência era realmente inevitável naquela produção e também seria aqui, pois é ambientada num universo tão duro e cruel. Mas qual é a necessidade de mostrar a esposa grávida do protagonista sendo assassinada da maneira mais gratuita possível, com direito a tripas jorrando, e o seu bebê morto sendo exposto para o pai ver? É de um mau gosto terrível e soa apenas como uma tentativa desesperada de chocar o espectador.

Para atingir o objetivo de impacto, seria necessário que tivéssemos algum tipo de empatia pelos personagens e não foi o que aconteceu nesse caso: é difícil sentirmos empatia por um personagem que acabamos de conhecer, especialmente quando o ator  (Lee Jones) não tem carisma algum. Isso sem contar que a vingança motivada pela morte da esposa lembra demais o drama do Jax Teller na temporada final de Sons of Anarchy, e confesso que ao final da produção, eu não conseguia sequer me lembrar dos nomes dos companheiros de Brattle.

Em contrapartida, Stephen Moyer (True Blood) até consegue se sair admiravelmente bem ao viver o antagonista , mas isso é mérito do ator e não do roteiro, que se esforça ao máximo em ressaltar a monstruosidade dos vilões. Prova disso são as cenas de introdução do Barão, que o mostram humilhando sua esposa após fazer sexo com ela e depois discutindo a questão dos rebeldes com seus súditos enquanto faz as suas necessidades na latrina. Já o personagem do carrasco, antes de morrer, é apresentado ao espectador em cenas nas quais tortura um pobre coitado, espanca o filho por não ter feito uma tarefa direito e, mais tarde, violenta sua esposa. Talvez fosse demais exigir sutileza num projeto que força a talentosa Katey Sagal a atuar com um pavoroso sotaque (como é que ninguém da produção percebeu o quanto aquilo estava ruim?), além de mostrar o próprio Sutter com uma maquiagem sofrível. Pra piorar, a participação de Matthew Rhys (The Americans) faz com que o excelente ator seja totalmente desperdiçado pela trama.

bastardexecutionersagal

E já que mencionei a mística vivida por Sagal, vale citar que a série corre o risco de utilizá-la como um artifício de roteiro e um deus ex machina para toda vez que o protagonista precisar de ajuda, algo que ocorre no próprio piloto. O roteiro de Sutter já depende perigosamente de coincidências, como na cena em que os vilões descobrem de onde o protagonista veio, já que um de seus companheiros estava usando manto de pele de castor (Oi?), ou ainda na cena da esposa do carrasco identificando Brattle como seu marido. Sim, sabemos que ela vivia aterrorizada pelo marido e que o seu futuro como viúva na era medieval não era promissor. Mas ainda assim, é muito conveniente por parte do roteiro.

Mas o maior problema de The Bastard Executioner é não conseguir estabelecer qual é a sua proposta. A jornada de Brattle poderia perfeitamente se encerrar nesse piloto (que parece mais um telefilme): a sua vingança contra o Barão acaba se concretizando, quebrando as expectativas do espectador. O que mais poderia acontecer depois disso, e acima tudo, porque nós deveríamos acompanhar a jornada desse personagem? Qual será o elemento que Sutter irá trazer de novidade para essa trama batida de vingança e honra na era medieval? São perguntas que, infelizmente, este decepcionante primeiro episódio não responde. Por enquanto, só se sabe que deve ocorrer um romance entre Brattle e a Baronesa (não, não tenho bola de cristal; a conversa entre os dois no final do episódio deixou isso bastante escancarado).

The Bastard Executioner terá apenas 10 episódios e acompanharei até o final porque Kurt Sutter tem um bom currículo e nós todos sabemos que em Sons of Anarchy ele desenvolvia tudo lentamente, antes do circo pegar fogo. De toda a forma, a série ainda tem que se provar, pois se continuar assim, duvido muito que terá uma vida longa na TV.

1star

7 comentários

  1. Marcelo Chaves

    Eu tentei ver o primeiro episódio, mas deu sono e desisti. ahahhah… tem muita série nova chegando e antigas voltando, não dá pra perder tempo com uma série que dá sono já no começo. xD

  2. Ramon Ewbank

    Ué, vai deixar de assistir por conta de uma crítica? Assista e tire por conta própria as suas. Besteira essa de deixar de assistir por causa de fulano.

  3. dadi andrade

    Excelente review. Concordo com muitas coisas que você disse, como a falta de carisma do ator principal, o roteiro fraco, dentre outras coisas. Eu estava bem animada pra série, mas me decepcionei muito com o looongo pilot. Porém continuarei assistindo.

  4. Leonardo D. Lourenço

    Eu dormi uns 15 minutos e só acordei quando a mulher dele foi morta. Achei o ritimo zoado. Mas vamos ver se melhora a trama. Porque tá bem basico.

Deixe um comentário