Crítica | The Leftovers 2×01: Axis Mundi
Crítica | The Leftovers 2×01: Axis Mundi

Crítica | The Leftovers 2×01: Axis Mundi

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[contém spoilers] O “14 de outubro” pode acontecer de várias formas. A segunda temporada de The Leftovers abriu de forma completamente inesperada, chocante e surpreendente, com um flashback de “apenas” alguns milhares de anos. Sem maiores explicações, descobrimos em poucos minutos que estamos acompanhando uma mulher num grupo de homens das cavernas que, graças a um terremoto, também vê seus familiares desaparecerem quando a entrada da gruta é fechada por um enorme deslizamento de pedras. Para ela isso também foi uma Partida Repentina sem qualquer explicação como a que ocorreu milênios depois em escala global. Será que ainda há esperanças? Esse início foi tocante pelo que acontece a seguir e chocante pela forma como foi introduzido.

É com uma mudança profunda de ambientação e ritmo que The Leftovers estabelece sua nova narrativa, a começar com essa clara referência de Damon Lindelof ao episódio Across the Sea de LOST (que ele co-roteirizou) e até mesmo o pilar de fumaça está lá. A série agora segue sem ter mais o livro de Tom Perrotta como base e pode se dedicar a reorganizar as sua peças. A boa notícia é que funcionou muito bem. A ótima notícia é que a série está, desta forma, melhor do que nunca.

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O episódio foi corajoso ao focar os primeiros dois atos na introdução simultânea da curiosa e misteriosa família Murphy e na cidade de Jarden, Texas, local onde milagrosamente nenhum habitante desapareceu no fatídico dia. Isso, claro, fez com que o destino se tornasse um ponto de peregrinação mundial daqueles que buscam uma resposta ou um “porto seguro”, tanto que passou a ser conhecido como “Miracle”. Isso, claro, impôs certas limitações de entrada e permanência à cidade, que se estruturou para receber (e lucrar) com este absurdo fluxo de gente.

Através de uma sequência de acontecimentos num dia comum da família Murphy, percebemos como peculiares eles são. E se logo de cara as ações escusas e motivos do patriarca John e outras situações pitorescas (como o sacrifício de um bode em um restaurante ou um sujeito que vive em um pilar no meio do condado) podem ser questionáveis pelo fato de não haver qualquer consequência a elas, me pergunto quantas outras pequenas violências que temos no mundo passaram a ser toleradas ou simplesmente ignoradas. Não podemos condenar aquelas pessoas mais do que fazemos com nossa própria sociedade, sem conhecer a fundo o que eles passaram ou estão passando.

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É esse conhecimento, inclusive, que parece ser o mote desta segunda temporada, que promete aprofundar-se mais na causa do fenômeno de desaparecimento global – e o episódio traz de cara alguns indícios de que a geologia pode ter algo a ver, já que Jarden desde a pré-história, como vimos, é alvo de atividades sísmicas fortes. Utilizando o ato final para reintroduzir os Garvey neste novo cenário, The Leftovers retorna bem mais consistente e eficiente que na primeira temporada (já assisti a 4 episódios a convite da HBO, mas sem spoilers aqui), extraindo o que sabe fazer de melhor, já que os episódios que faziam um estudo de personagens ano passado foram excepcionais. A direção de Mimi Leder (Deep Impact) foi feliz o suficiente para conferir grande importância à família Murphy (note, por exemplo, como a simples cena onde pai e filho jogam baseball se torna poderosa graças aos primeiríssimos planos e cortes secos), enquanto prepara o terreno para este “choque” cultural que está em sua iminência.

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Claramente se beneficiando de distanciar-se do livro de Perrotta, sem contudo perder a ótima premissa, posso dizer que The Leftovers tem aqui espaço para crescer e se tornar uma grande série, potencial que eu só consegui enxergar em alguns momentos do ano um.

5star

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12 comentários

  1. João Victor

    Excelente notícia saber que as mudanças apenas fizeram bem para a série. Eu fui um dos que amou cada episódio da primeira temporada, e estava receoso que a série perdesse esse tom único que ela tem. Ótima review Bruno.

    PS: você poderia dizer qual dos quatros primeiros episódios foi seu favorito?

  2. fafner

    And what if there’s like… a magic turtle? Isso é sempre o mesmo papo furado do Lindelof: um monte de sinais misteriosos que vão se tornar uma piada. Desta vez eu não vou ir no pacote não.

  3. Heidi Waldorf

    E sobre a nova abertura da série? Gostava bastante da abertura da primeira temporada, acho que representava muito bem como a história foi abordada. Não sei qual o motivo da abertura ter sido alterada, porém acredito que também faça parte na “nova abordagem”, dessa temporada.

  4. MatheusMnhz

    talvez alguém que saiba libras possa entender o contexto da conversa, se tiver sinais parecidos. Mas a lingua de sinais americana (asl) não é igual à brasileira, alguém que sabe libras não necessariamente vai entender o que falaram (sei o básico do básico de libras, e sei que libras é diferente da asl, mas não sei o quão diferentes são).

  5. eu assisti a primeira temporada essa semana que passou. comecei a segunda agora e posso dizer que não entendi nada desse primeiro episódio rss. não sei se isso é bom ou ruim. a abertura quebrou muito o clima que vinha acompanhando com a primeira temporada. confesso que não to muito curiosos pra saber como vai, mas se vc diz que esses dois primeiros epis são de intro a temporada, depois disso resolvo se continuo ou não. vou assistir ao segundo daqui a pouco.

  6. julio

    Eu gostei muito da primeira temporada, cada episodio pra mim foi perfeito È
    uma serie que é suave até nas tragedias ,espero q contonui assim

  7. Jesse Coronado

    Acho que devem ter alterado a abertura, porque ela devia estar afastando muitas pessoas, por acharem que a serie tinha um fundo de pano religioso, mais especificamente do cristianismo protestante, e sobre aquelas passagens da biblia sobre arrebatamento. Sem falar que algumas pessoas disseram que a abertura era preconceituosa, porque nelas mostravam varias pessoas subindo pro ceu, mas mostravam casais de gays e lesbicas meio que arrependidas e elas nao subiam com os anjos. Enfim, deve ser por causa disso. Eu tambem gostava da abertura antiga, dava um clima apocaliptico pra serie, tipo, um ar tenso, entende. Mas as pessoas, fazem caso por qualquer coisa, vai entender o povo.

  8. Afonso Sereno

    Eu não gostei nada da abertura. Ou melhor: as imagens são sim, perfeitas e pertinentes com a história. Mas a musiquinha é “felizinha” demais para a série. Não combina. Sempre penso que vou assistir a um episódio da primeira temporada de Weeds!

    Mas fora isso, amei a primeira temporada e a segunda está prometendo!

  9. florimoura

    Gostei muito da serie a partir do 5º episodio da primeira temp. quando o ritmo aumenta em drama, misterios e suspense…a segunda ficou melhor ainda, com tramas de misterios e o desaparecimento das tres meninas que ninguém sabe se aconteceu ou foi outra coisa…sendo que o 5ª esp. foi bem dramatico e com aquela musica linda no final de uma cantora que nunca ouvi falar fechou com chave de ouro…Regina spektor tem uma voz maravilhosa!!

  10. Sergio Moura

    Alguém pode me dizer o que aconteceu com Tommy Garvey (o filho do policial Kevin)? E como mesmo o bebê foi chegar até a porta da casa deles? Eu não lembro e olha que terminei a primeira temporada uns meses atrás.

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