FOTO: REPRODUçãO

Por: Bruno Carvalho

Uma madrugada no set de gravação de PSI com o criador da série

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Era uma noite fria de inverno no bairro de Pinheiros em São Paulo. A HBO nos convidou para acompanhar as gravações de um dos episódios da segunda temporada da sua serie original Psi e, para a minha surpresa, chegando lá fui recebido pelo criador da série Contardo Calligaris. Ele nos reintroduziu ao mundo de Carlo Antonini, personagem de Emilio de Mello, um psiquiatra, psicólogo e psicanalista medianamente patológico e muito intervencionista na vida de seus pacientes.

No segundo ano de Psi, após voltar da Itália onde ficou sabático por 18 meses, Carlo agora estabelece como seu “consultório” uma clínica que presta apoio a mulheres vítimas de violência doméstica chamada “O Abrigo”. Essa nova ambientação serve como ponto de partida para que o médico possa encontrar novas histórias e casos tendo a “violência” como fio condutor. Um deles é o de um garagista justiceiro, que veremos no terceiro episódio da temporada, sujeito que tem o costume de colocar armadilhas para pegar e matar ladrões nas noites de São Paulo.

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Passava das 10 da noite e a equipe de produção havia me contado que a diária havia começado às cinco da tarde e iria avançar bem – tudo para registrar alguns minutos e uma cena de ação. Nos fundos de uma oficina cedida como cenário para, Emilio ensaiava a cena onde ele prestava socorro a um ladrão que fora capturado pelo protagonista do episódio. Entre diversas marcações e takes, Contardo e Emilio sentaram comigo e com os jornalistas convidados para falar mais sobre esta temporada.

O escritor, psicanalista e dramaturgo italiano contou logo de cara que a produção de Psi se assemelha muito à de séries estrangeiras. Atuando como principal roteirista e showrunner, ele esteve fisicamente presente nas gravações de toda a temporada, que foi assinada por vários diretores em seus 10 capítulos. Curiosamente, este terceiro episódio rodado em julho foi a última diária de produção. Após aquela noite, Contardo declararia o “season wrap” e passaria a dedicar-se à pós-produção até a estreia no próximo domingo na tela da HBO.

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“A violência é uma parte potencialmente do cotidiano de todos e por isso escolhemos para ser o tema central desta temporada, que abordará também o preço do desejo, possessão demoníaca, rebelião prisional, o ‘cansaço da vida’ e a aceitação da solidão”, contou Contardo. Já Emilio disse que  “O ‘Psi’  é um personagem muito complexo e, de tanto me envolver com ele, acabo levando-o pra diversas situações da minha vida e tento projetar como ele se comportaria. Nem sempre dá certo, pois ele é muito metódico e recusa-se até mesmo a responder um ‘tudo bem?’, porque pra ele nada nunca está ‘tudo‘ bem“. O ator se disse realizado por finalizar mais uma temporada: “foram cinco meses que mais pareceram um ano inteiro, de tão intenso que foi“.

O processo em si é muito curioso e interessante. As cenas são realizadas diversas vezes e o showrunner disse, ainda, que eles aprenderam bastante com o primeiro ano: “a segunda temporada foi filmada de uma forma muito mais interessante, a escrita está melhor, mais evoluída e temos muito mais ‘cinema’ e muito menos ‘fala’ (…) O capítulo final, por exemplo, tem 24 minutos sem uma sequer palavra e você não vai querer trocar de canal; foram nove tratamentos de roteiro até a versão amarela, que é a última. O espectador vai notar a assinatura de cada um dos diretores, como no caso da Tata Amaral”.

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No foco da ação que já avançava a madrugada, Emilio de Mello, com uma arma na mão, tentava conter os gritos do ladrão “ferido e ensanguentado” e havia uma certa preocupação da equipe com os vizinhos, para que estes não confundissem o ator com alguém realmente em apuros e chamassem a polícia. Pra isso, eles precisaram passar de casa em casa mais cedo dizendo que ali teria a gravação de uma série e que estava tudo bem. A cena era “resetada” a cada take para que pudessem extrair o melhor som, os planos-detalhe e os contraplanos necessários para finalizar tudo, especialmente porque, naquele dia, uma turma de motoqueiros resolveu sair pelas ruas do bairro com suas motos e isso atrasou bem o cronograma: “A locação impõe uma série de limitações, mas também pode transformar uma cena. Em alguns casos tivemos até algumas reedições de roteiro para aproveitar uma condição favorável e incorporá-la na série“.

Logo após, fomos direcionados a uma casa alugada a alguns quarteirões dali, onde a produtora montou a “base” e onde seria servido o jantar. Já era quase duas da manhã. Sim, para gravar uma cena que iria ao ar por poucos minutos na tela eles precisaram mobilizar uma equipe de mais ou menos 30 pessoas, dois imóveis, uma ambulância funcional, vários caminhões com equipamentos, serviço de buffet para servir comida aos atores e equipe e quase 10 horas de trabalho contínuo. Foi uma noite muito interessante e elucidativa, especialmente para expor os desafios e dificuldades para se fazer Cinema (que, de fato, uma série como Psi, é). Parece fácil quando o resultado está tá lindo na tela, mas acredite: dá muito trabalho.

Psi retorna neste domingo 4 de outubro às 22h na HBO.

Uma resposta para “Uma madrugada no set de gravação de PSI com o criador da série”

  1. Allison Noronha disse:

    A melhor série nacional q eu já assisti, dá gosto de ver cada episódio !

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