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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Demolidor retorna ainda mais intenso na segunda temporada!

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[texto livre de spoilers sensíveis] A segunda temporada de Demolidor começa pouco tempo após os eventos do primeiro ano. Com a prisão de Wilson Fisk, o bairro se tornou um lugar aparentemente mais seguro e as gangues estão mais cautelosas, temendo a presença do Homem Sem Medo. Mas isso não impede que novos sindicatos do crime ascendam para preencher a vaga deixada aberta pelo Rei do Crime e é no calor do verão em Nova York que uma nova e interessante figura surge na calada da noite: o Justiceiro (Jon Bernthal). A chegada de Frank Castle traz consigo aquele que será o principal mote desta temporada. Impiedoso com seus algozes, o mercenário executa bandidos sem dó e corpos começam a empilhar de maneira sem precedentes.

Com isso, este novo ano introduz uma discussão interessante, que inevitavelmente fará Matt Murdock (Charlie Cox) questionar suas próprias motivações. O Demolidor não mata os criminosos, mas suas ações na noite de Hell’s Kitchen estão influenciando uma nova leva de vigilantes que podem não ter o mesmo “código de ética pessoal” (e os ventos já trazem notícias de uma tal de Jessica Jones…). Assim, ao trazer um algoz que invariavelmente faz o mesmo – a justiça com as próprias mãos – a série lida com os limites do certo e do errado. “Você está apenas a um dia ruim de se ser como eu”, exclama o Justiceiro em um momento crucial dos capítulos iniciais.

Mas o embate aqui não é apenas moral, e já no segundo episódio temos uma cena de luta contínua que deixa no chão aquele plano do corredor na primeira temporada. O Justiceiro é implacável, forte e bem equipado, oferecendo uma ameaça real ao herói rubro (e a série deixa isso claro em seu material de divulgação).

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O escritório Nelson & Murdock também vai de mal a pior, com clientes pro bono lotando os corredores. A dificuldade financeira acaba estabelecendo um nova dinâmica e aproxima Matt de Karen Page (Deborah Ann Woll), emulando o romance que os personagens têm nos quadrinhos, mas ao mesmo tempo afastando-o de seu sócio Foggy Nelson (Elden Henson). Ainda assim, a firma seguirá com uma importância central na trama, especialmente pelos eventos que ocorrem a partir de meados da temporada (e que não revelarei aqui).

Claramente separado em atos – o que é algo bom – o segundo ano de Demolidor ainda introduz Elektra (Elodie Young), uma charmosa ex-namorada de Matt, que inevitavelmente faz o advogado reviver alguns fantasmas de seu passado e isso tumultua ainda mais sua já atribulada vida. Curiosamente, não ficamos em nenhum momento com a sensação de termos “gente demais”, o que é resultado de um trabalho preciso do time de roteiristas liderado pelos novos showrunners Marco Ramirez e Douglas Petrie, que ainda valoriza a força das personagens femininas Karen Page, Claire Temple, além da própria Elektra.

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Em termos técnicos, Demolidor segue no mesmo estilo visual da primeira temporada, com uma fotografia escura e granulada e sequências de ação muito bem coreografadas e montadas, permitindo uma compreensão total da mise-en-scène pelo espectador. Extremamente mais violenta e menos cômica que a primeira temporada e até que a “colega” Jessica Jones, os novos episódios me surpreenderam com algumas cenas bem gráficas e que certamente encherão os olhos dos fãs de HQs. A série continua pecando, contudo, com a insistência de alguns diálogos expositivos que parecem ter saído de um dramalhão de TV aberta norte-americana e que poderiam ser evitados.

Ainda assim, a série mostra que evoluiu bem e se tornou mais densa e segura de si. A história está mais centrada em seus próprios acontecimentos, agora menos influenciados pelos eventos do universo Marvel. Trazendo apenas referências à batalha de Nova York (ao contrário de toda a primeira temporada), pelo menos nos sete primeiros episódios disponibilizados para avaliação o drama constroi uma boa base para o ato final, que poderemos ver a partir de 18 de março na Netflix.

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Demolidor continua um prato cheio para fãs de séries de heroi, mantendo-se como um dos melhores expoentes do gênero disponíveis hoje, ao lado, é claro, da excelente Jessica Jones.

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3 respostas para “Crítica | Demolidor retorna ainda mais intenso na segunda temporada!”

  1. Renato Lustosa disse:

    sacanagem lançar assim na cara dos pobres mortais que já viu 7 episódios da segunda temporada hueheu. Tirando isso seu texto está impecável e só fez aumentar mais minha ansiedade pro dia 18 de março, vou ali tomar meu rivotril e vê se aguento esperar até lá hehe

  2. Julio disse:

    Boa, Bruno!
    A cena de luta no corredor eu usei como item de convencimento para eventuais amigos que precisavam de algum estímulo pra ver a primeira temporada. Se essa nova colocar aquela no chão eu terei que pedir socorro médico rsss

  3. Julio disse:

    Realmente impressionante a cena de luta. Mas ainda prefiro a da primeira, essa eu achei meio “olhem oque a gente consegue fazer”, com direito a sorrisinhos do demolidor… Sem falar que não tem como alguns dos caras na escada não terem sofrido ferimentos fatais, oque contraria um pouco a ética pessoal do personagem.

    Achei a cena de luta na prisão melhor, mais orgânica.

    De qualquer forma, temporada excelente. Como faço até a próxima?!?

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