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Por: André Costa

Crítica | Vinyl 1×10: Alibi (season finale)

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[com spoilers do episódio 1×10] Vinyl chega ao fim de sua primeira temporada com Kick Out the Jams, do MC5, despejando turbinas de avião nos ouvidos do espectador. Mas quisera o episódio ter tanta força quanto sua música de encerramento, já que, no geral, Alibi se mostrou encaixotado e entregue por algum modo de produção robótico que não conseguiu extrair tudo que podia da história.

As tramas chegaram exatamente onde ficou bem previsível que chegassem, e, embora a fotografia de Vinyl tenha sido realizada com uma lente feita de vitórias (a cena em que levam Kip pra banheira, com a câmera subindo e descendo como se a alma do sujeito estivesse quase indo embora, é de emoldurar e pendurar no Louvre), o desenrolar de tudo é bem batido. Quase não há diálogos ou situações memoráveis. O ciúme entre Kip e Alex é anêmico, tendo sido iniciado no fim do episódio anterior (sequer tem idade para beber), a vingança de Zak é apressada e a cocaína funciona quase como pó de pirlimpimpim, uma solução fácil e que resolve, também de forma apressada, um dos eventos mais intensos do episódio. Faltou queimar alguns fósforos na hora de decidir o que ia e o que não ia acontecer.

Com isso, o clímax da temporada perde força. Não há aquela recompensa que a história havia prometido e construído com cuidado em etapas anteriores. Alibi passa meio que batido, sem realmente conseguir mexer com o espectador justamente por pegar o ônibus para Basicópolis, onde as coisas são feitas de forma segura e esperada, onde a maioria das cenas descamba para a abordagem que qualquer série comum seguiria –  algo que destoa bastante do que Vinyl vinha apresentando. Além disso, as circunstâncias envolvendo Devon, um dos conflitos que mais sustentaram as atitudes de Richie, foram simplesmente ignoradas, jamais dando as caras sequere em um diálogo. Talvez tenha ficado para a próxima temporada, mas fez falta neste ponto final.

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Por outro lado, quando Alibi funciona, funciona muito bem. A cena com Galasso no estacionamento é um bulldozer de tensão, cuidadosamente construída com a presença tranquila e intimidante do mafioso e planos que sugerem tanto Richie quanto Zak “presos” entre os capangas. Da mesma forma, a montagem fluida utiliza contrastes de forma brilhante, como no momento em que sai da festa (empolgada, quente, promissora) e vai para o ensaio dos Nasty Bits (frio, distante, asséptico) – algo que reforça ainda mais a importância que a Indigo terá para a American Records. O season finale consegue algumas vitórias pontuais quando se desvencilha dos caminhos robóticos e se dedica à música, à forma como ela molda o caráter e a vida daquelas pessoas.

Isso que fica bem claro no teceiro ato, que, embora talvez um pouco fantasioso, é recheado de energia e amarra certos pontos e até conta com uma pista recompensa bem espertinha (o telefonema). Dá para ver o clímax poderoso que Alibi poderia ter sido se tivesse seguido pelo caminho da luz – afinal, consegue reunir com sucesso as primeiras notas da época disco e a explosão do punk no palco (e com a polícia). E mesmo que a cena final seja um tanto “olhe como as coisas eram incríveis nos anos 70”, ver um bartender segurando um caderno com as letras CBGB é algo que atinge o nível de cool que, desde o anúncio da série, Vinyl prometia ter.

3stars

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