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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 6×02: Home

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Home já pode ser considerado um dos mais intensos, surpreendentes e viscerais episódios de Game of Thrones. Estamos ainda no segundo capítulo da temporada e muita coisa aconteceu – o que é incomum na estrutura da série até agora. O roteiro de Dave Hill fluiu extremamente bem e direção de Jeremy Podeswa foi eficiente em absolutamente todos os principais momentos, inclusive aqueles envolvendo Tyrion, Ramsey e, é claro, Jon Snow. Aliás, se o retorno do Stark bastardo já era esperado em algum momento da trama, a forma com que o capítulo construiu todo o momento foi digna de nota, resultando em uma das cenas mais intensas de toda a série.

Sempre soubemos que a morte de Jon não era definitiva, pois ao contrário do que ocorreu em ocasiões anteriores, o personagem ainda não tinha cumprido a sua função na história: as mortes de Ned e Robb foram consequências inevitáveis de suas ações, ao passo que os desfechos de Joffrey e Tywin acabaram causando importantes repercussões na trama. A importância de Jon para a série tinha sido ressaltada anteriormente em Hardhome, quando o vimos matando um White Walker. Guardada as devidas proporções, matar Jon Snow agora seria o mesmo que matar Daenerys ou Tyrion antes deles retornarem para Westeros.

A sequência da cerimônia de ressurreição acabou sendo fria, pois Melisandre estava claramente descrente na situação (curiosamente, Thoros de Myr já havia revelado para a Mulher Vermelha que também não esperava que algo iria ocorrer quando recitou as palavras que ressuscitaram Beric Dondarrion). Além disso, foi possível perceber um belo paralelo entre Melisandre limpando o corpo de Jon com os Homens sem Rosto arrumando os cadáveres na Casa de Preto e Branco.

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O retorno de Snow, aliás, está longe de ser o único acontecimento marcante do episódio. Home também acertou ao resgatar diversos personagens que estavam sumidos da série. Um deles é Bran Stark, cujos poderes nos proporcionaram a chance de assistir ao segundo flashback de toda a série. A sequência do jovem Ned Stark e seus irmãos pode até não parecer ter importância à primeira vista, mas ela ao menos introduz o provável arco do personagem nessa temporada: presenciar eventos ocorridos no passado e descobrir segredos que serão úteis para a guerra que está por vir – algo que foi mais uma vez citado nesse episódio. Tivemos também a aparição da famosa Lyanna Stark e até mesmo do jovem Hodor.

Tyrion-ep-2

Em Porto Real é estabelecido mais uma vez o clima de tensão entre os Lannisters e os Pardais. Se o ressuscitado Gregor Clegane utiliza a violência para liquidar os inimigos da Coroa, o Alto Pardal vivido pelo ótimo Jonathan Pryce consegue eclipsá-lo, utilizando apenas palavras e gestos gentis que escondem a sua perigosa personalidade. Nikolaj Coster-Waldau também merece elogios ao retratar um Jaime bem mais sombrio do que estávamos acostumados a conhecer, assim como Lena Headey, que em sua breve interação com Tommen, consegue mais uma vez confundir os sentimentos do espectador em relação à sua personagem (um elemento recorrente na série, como já vimos nos casos de Jaime e Theon).

Outro grande momento que presenciamos foi Tyrion interagindo com os dragões aprisionados de Daenerys – o que acabou culminando em um divertido e, ao mesmo tempo, impactante monólogo do personagem sobre a obsessão que ele tinha com dragões na infância  (todas as frases dessa cena foram retiradas fielmente das páginas dos capítulos do personagem em A Dança dos Dragões). Peter Dinklage mais uma vez dá um show ao conseguir transmitir emoções tão complexas numa cena em que ele contracenou com praticamente nada. Em contrapartida, o breve momento de Arya em Braavos trouxe apenas um pequeno avanço em sua situação com os Homens sem Rosto, mantendo-a de certa forma desconexa da trama.

Arya-ep-2

Enquanto a premissa de Ramsay matando o pai, a madrasta e o futuro irmão já era algo esperado, a execução do responsável pela morte de Robb Stark no Casamento Vermelho deixou a desejar. Poderia e deveria ser um momento mais satisfatório para os fãs e tanto o ator quanto o personagem mereciam uma despedida mais memorável (embora o fato de Roose morrer de maneira semelhante à Robb tenha sido um detalhe bacana). Já Ramsay estabeleceu-se aqui de uma vez por todas como o vilão mais odiado dos Sete Reinos, superando as monstruosidades do finado Rei Joffrey.

Por derradeiro, Home nos trouxe a chance de rever a “querida” família Greyjoy. Balon era um personagem que já deveria ter partido da série há muito tempo, mas esse detalhe é facilmente perdoado diante da presença marcante de Patrick Malahide. Também conhecemos um dos personagens mais esperados pelos fãs dos livros, Euron Greyjoy – e o ator dinamarquês Pilou Asbæk não decepcionou, já estabelecendo maravilhosamente bem as características e os objetivos de seu personagem (será que temos um novo Pedro Pascal?).

Home, conforme adiantei acima, já se estabelece como um dos melhores episódios da série e que abre as portas para que o resto desta sexta temporada faça jus às expectativas dos fãs.

5stars

Observações:

  • Sim, Jon Snow voltou… mas ele talvez não seja mais a mesma pessoa que nós conhecemos. Na terceira temporada, fomos apresentados à Beric Dondarrion, um personagem que morreu e foi ressuscitado por Thoros de Myr em seis ocasiões diferentes – e os livros estabelecem que a cada ressurreição, Beric perdia aspectos de sua personalidade e até mesmo suas lembranças, chegando ao ponto de não se lembrar de mais nada sobre o seu passado. Também há o caso de Catelyn Stark, que após ressuscitar (nos livros), transforma-se em Lady Stoneheart, uma mulher cruel, vingativa e injusta, que não tem nenhum vestígio das qualidades de sua personalidade original. Assim sendo, esse novo Jon pode ser diferente: sua personalidade talvez seja mais sombria e vingativa, como nos casos de Beric e Catelyn, e pode até se esquecer de todas as suas lembranças do passado. Isso seria algo bem interessante, do ponto de vista dramático e que certamente será utilizado pelos showrunners D&D.
  • Uma teoria elaborada pelos fãs dos livros, e que ganhou força nos últimos anos, afirma que Tyrion é um Targaryen, filho bastardo de Aerys Targaryen e Joanna Lannister (em A Dança dos Dragões e The World of Ice and Fire, descobrimos que Aerys tinha uma obsessão doentia por Joanna). Provavelmente, muitos fãs irão acreditar nisso após esse episódio. Outra teoria, que é bem mais crível, é a de que Tyrion seja uma das “três cabeças do dragão” – e podemos já ter visto a primeira pista disso.
  • Sansa sorrindo quando Brienne fala que Arya não estava “vestida como uma lady” é um momento sutil, mas belíssimo.
  • Balon morrendo antes da cena da ressurreição de Jon pode ser uma maneira dos roteiristas lembrarem o espectador do poder da magia de Melisandre.
  • Mais uma vez não tivemos nenhuma locação nova no mapa de abertura, mas é um prazer rever Pyke.
  • Para quem não lembrava, o primeiro flashback da série foi a sequência envolvendo a jovem Cersei e a feiticeira Maggy, na quinta temporada.

16 respostas para “Crítica | Game of Thrones 6×02: Home”

  1. Belo texto!

    Só achei que deveriam ter matado os traidores (que furaram Jon) logo, principalmente, aquele menino chato…rs

  2. Lely disse:

    Ramsay anti-herói? De jeito nenhum…. Apesar de ter matado Roose Bolton ele é um vilão da pior espécie, chaotic evil até a raiz.

  3. Fernanda disse:

    Gostei bastante do episódio, porém discordo do que disse em relação ao roteiro. Não acho que está fluindo bem, as falas estão muito expositivas, um pouco forçadas. Eles já foram melhores. Eu até entendo a necessidade de recapitular algumas coisas pelas falas, mas o “previously on lost” serve justamente para isso. abraços!

  4. “ressureição” do jon snow fraca demais. basta lembrar o que foi necessario pra trazer o khal drogo na forma de dom lazaro venturini.

  5. Lucas Caluza disse:

    Parabéns pela crítica.
    Acredito que a trama dos Greyhoys está caminhando para algo como Hamlet. O filho reconquistando o trono, após o pai ser assassinado pelo tio.
    Se for, cairá muito bem no contexto de GOT, ainda mais após a evolução deste personagem.

  6. Anderson Lima disse:

    Não achei o episódio tudo isso não.

  7. GodderDam disse:

    e veja no que deu… a magia da melisandre é completamente diferente da usada com o Drogo. Até onde se sabe nos livros, bastava Thoros beijar o defunto do Lorde Beric pra ele voltar à vida (o livro não cita o rito completo, mas para o assunto comentado ser o beijo especificamente, já dá uma ideia de que nada muito estranho/diferente disso foi feito, pois se não o beijo não seria o tópico da “fofoca”).

  8. a forma que a melisandre revive jon snow é um baita de um deus ex-machina, pois em nenhum momento da série foi estabelicido que ela poderia fazer algo do gênero.

    além disso, se jon morrer novamente basta tirar umas madeixas dele, pô-las no fogo recitar umas palavras que ele volta.

    tudo o que passa nos livros é bem diferente e gostaria de conhecer os argumentos pelo que a série apresentou.

  9. vinland disse:

    Na verdade como foi dito no episodio, a serie nao mostrou em nenhum momento que ela poderia ressuscitar alguem, mas desde a entrada da personagem, a serie deixou bem claro, que ela tinha potencial para tal, no futuro.

  10. vinland disse:

    O Episodio foi muito bom, e deu muitas ideias de aonde a historia quer chegar nessa temporada. Realmente Sansa, perguntar sobre o paradeiro da sua irma, foi uma cena timida, mas muito bonita de se ver.

    Ja vi em muitos sites, das pessoas reclamando que na serie, nunca haviam mencionado que Melisandre poderia ressuscitar alguem, mas em varios momentos, a serie deixou bem claro, que ela tinha potencial para fazer algo do tipo. O fato de ela mesma nao acreditar no potencial que ela possuia, enriqueceu, mais ainda a cena.

    Otimo episodio, e os dialogos continuam afiadissimos ainda. GOT ainda consegue ser melhor que a maioria das series no ar hj em dia.

  11. Berguinho Freitas disse:

    Hehehehe vdd aquele moleque enjoado tem que ser o primeiro a morrer pelas mãos de um novo Jon Snow.

  12. pra mim o único potencial apresentado é a capacidade de mandar alguém pra fogueira ou então produzir as sombras assassinas.

    se usar o argumento do thoros de myr & beric dondarrion no caso da melisandre todos os sacerdotes vermelhos que aparecerem na serie poderão fazer o mesmo com quem lhes der na telha.

  13. Daniela disse:

    Cara acho que isso é puramente uma questão de quem o deus vermelho tá afim de ressucitar. Ponto.

  14. João Paulo Farias Gomes disse:

    Acredito que foi revivido apenas pra satisfazer o público…
    Uma pena, pois não existe motivo na série para isso ocorrer. Nem mesmo os envolvidos na cena teriam motivos para isso…
    Indo nesta linha de ressurreição quantos personagens poderiam ser revividos…

  15. Leonardo Damaso disse:

    Tem meu voto
    So vejo a série não tenho conhecimento profundo
    Mas esperava algo do tipo compartilhar o poder da pedra vermelha
    A Melissandra mostrando sua face dando a entender o esforço para reviver

  16. Leonardo Damaso disse:

    Marketing $$$

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