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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 6×05: The Door

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Jack Bender. Para quem acompanha o Ligado em Série desde os primórdios, esse é um nome memorável. Bender foi o responsável por comandar os melhores episódios de LOST e também os mais importantes da mitologia da série. Assim sendo, não deixa de ser conveniente que Bender tenha sido escalado para comandar esse belíssimo The Door, que já pode ser considerado não só como um dos melhores da série, mas também como um dos mais reveladores sobre alguns dos mistérios da trama. Numa curiosa coincidência (ou não), o capítulo também tem um elemento em comum com o inesquecível The Constant: episódio de LOST dirigido por Bender e que trazia uma premissa similar de viagem no tempo “na mente” e as suas inevitáveis consequências.

Inicialmente Hodor era apenas um personagem simpático e adorável, um dos alívios cômicos da série – algo bastante necessário para contrabalancear o clima constante de dor e perdas. Era difícil imaginar que ele um dia poderia se revelar como uma essencial ferramenta no desenvolvimento da trama ou que sequer tivesse uma história tão interessante, mas os showrunners David Benioff e D. B. Weiss tinham planos bem mais ambiciosos. Hodor se transformou diante dos nossos olhos em um dos personagens mais trágicos da história (o que não é pouca coisa, considerando o histórico de Game of Thrones). Ele era um jovem e inocente garoto cuja vida foi completamente destruída pela guerra entre os White Walkers e os Filhos da Floresta. Mais uma peça descartável na grande guerra que está por vir em Westeros.

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Apenas a morte de Hodor já seria o suficiente para causar lágrimas nos espectadores, mas tudo ocorreu porque Bran acidentalmente bagunçou a mente do garoto enquanto ele obedecia os pedidos de Meera: “Hold the Door”. O Hodor que conhecemos existiu durante a sua vida inteira apenas para cumprir uma derradeira missão: salvar a vida daquele que arruinou sua própria. Uma despedida emocionante e digna tanto para o personagem quanto para o ator Kristian Nairn (ao contrário dos desfechos frios e decepcionantes de Doran Martell, Roose Bolton e Osha).

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Sobre os demais eventos desse núcleo: foi bastante surpreendente a revelação de que os Filhos da Floresta criaram os White Walkers, seus piores inimigos, com o intuito de utilizá-los contra os homens. As mortes de Leaf, Summer e do Corvo de Três Olhos também foram bem encenadas, embora seja lamentável que não voltaremos a ver o lendário Max von Sydow na série. Mas a partida de Hodor esteve longe de ser o único evento marcante do episódio. The Door também acertou ao deixar os núcleos mais problemáticos de lado (Dorne, Ramsay, Sam e, em menor grau, Porto Real) e continua avançando a trama em um ritmo frenético com o qual os fãs dos livros não estão acostumados.

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Na Muralha, fica cada vez mais evidente que as peças estão se movendo para o que promete ser o grande clímax da temporada: a batalha entre os exércitos dos Starks, liderados por Jon Snow e Sansa, e os exércitos dos Boltons, liderados por Ramsay. Por falar em Sansa, à primeira vista podemos até questionar se foi sensato ela ter rejeitado a oferta de Mindinho (embora ela tenha todos os motivos do mundo para não confiar mais nele), mas  se ela continuasse a ser a vítima facilmente manipulada, seria um erro terrível por parte dos roteiristas. Por enquanto, a personagem permanece forte e decidida, beneficiada pelo talento de Sophie Turner.

Do outro lado do Mar Estreito, a jornada de Arya também ganhou um respiro muito bem vindo. Longe da Casa de Preto e Branco, Arya (e o espectador) assiste uma peça sobre os eventos ocorridos em Porto Real na primeira temporada, mas ali Tyrion e Ned são retratados como monstros e imbecis, ao passo que Joffrey e Cersei viram pessoas nobres e bem intencionadas. A cena, além de divertida, também mostrou como os habitantes de Essos não tem a menor ideia do que realmente ocorreu em Westeros (ou pior ainda: nem se importam). Simultaneamente, a peça também deve ter lembrado à Arya que, por mais que ela tente negar, sempre estará presa ao seu passado e a sede por vingança (e o fato da sua futura vítima ser a intérprete de Cersei não deixa de ser uma bela e amarga ironia). Creio que Arya finalmente irá decidir parar com o seu treinamento e voltar para Westeros, algo ressaltado pelo momento no qual ela interroga Jaqen sobre o que a atriz fez para merecer a morte.

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Ainda em Essos, vemos Daenerys se despedindo (pela 76ª vez) de Jorah, após descobrir a sua infecção por escamagris. Dessa vez, a iniciativa é do próprio Jorah e a despedida é melancólica, mas não amarga. Emilia Clarke entregou uma de suas melhores atuações, retratando bem a tristeza e o desespero pelo destino de seu ex-braço direito. Resta apenas saber se essa é a última vez que veremos Jorah e torço para que esse não seja o caso.

Em Meereen, Tyrion criou mais uma aliança discutível: aliar-se à religião do Deus Vermelho, comandada por uma nova sacerdotisa vermelha, Kinvara. A personagem acredita que Daenerys é “O Príncipe que foi Prometido”, ao passo que Melisandre acredita que esse papel cabe à Jon Snow (Teríamos aí: “Gelo e Fogo”?). A cena foi bastante interessante, pois revela novas facetas de Varys (e eu particularmente gostei da sua expressão de receio e até medo quando ele descobre que Kinvara sabe do seu passado).

Encerramos com Pyke, onde a trama dos Greyjoys finalmente voltou a se tornar relevante após uma ausência de três temporadas. Alfie Allen e Gemma Whelan entregam ótimas performances, como esperado, mas o novato Pilou Asbaek também continua a causar uma boa impressão como Euron Greyjoy. A premissa de Euron , Yara e Theon partindo para Meereen com o intuito de conseguir o apoio de Daenerys é fascinante, com várias possibilidades. Vale citar que o momento “pista-recompensa” já tinha ocorrido na estreia de temporada, quando os navios que Daenerys planejava utilizar para viajar para Westeros foram queimados.

“The Door” é mais uma prova de que, por mais irrepreensíveis que sejam seus aspectos técnicos (e realmente são), são os seus detalhes artísticos e a sua narrativa que fazem de Game of Thrones um dos grandes triunfos da TV, evidenciados neste episódio pelo comando firme e certeiro de um experiente diretor de séries. Jack Bender sabe pegar o que os roteiristas escreveram e levar para a tela de forma única, arranjando  linhas, traços e espaços em forma de momentos épicos na telinha. Se isso tudo já ocorreu na metade da temporada, imagine o que temos pela frente na reta final desta excelente temporada.

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Observações:

  • Mais uma vez, nenhuma locação nova no mapa de abertura. Até o momento, a temporada inteira foi situada em lugares que já tinham sido estabelecidos na série, o que mostra que os roteiristas não estão dispostos a expandirem o (já) enorme universo da trama.
  • Tivemos atores recém-chegados no episódio, e bastante conhecidos: Izembaro, que interpretou o Rei Robert na peça “The Bloody Hand”, é vivido pelo ótimo Richard E. Grant, dono de uma longa carreira na indústria de cinema e TV: Bram’ Stoker Dracula, The Age of Innocence, Doctor Who, Downton Abbey, Girls, etc. Já a intérprete de Cersei é vivida por Essie Davis, mais conhecida como a protagonista da série Miss Fisher’s Murder Mysteries e do longa The Babadook.

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16 respostas para “Crítica | Game of Thrones 6×05: The Door”

  1. Thiago Chaves disse:

    Episódio sensacional!

    A única coisa que me incomodou bastante foi a a trama dos Greyjoys. Os irmãos não precisavam fugir coisa alguma. Era só matar o tio ali mesmo (e quem mais estivesse do lado dele). Até porque ele confirmara que tinha matado o rei, oras pois.

    Ah sim, além do Jorah se despedindo pela 76ª vez. Ninguém aguenta mais isso, eh.

  2. Ótima review, Allan!

    Se me permite acrescentar um ponto, Jack Bender também foi responsável por outro icônico episódio de LOST, “Trough the Looking Glass”. Curiosamente nesse episódio também nos despedíamos de um personagem querido, que se sacrificava para salvar os amigos. NOT PENNY’S BOAT.

    Sem dúvida escolheram a dedo a direção desse episódio!

  3. Anderson Lima disse:

    Para mim Max von Sydow não tem anda de sensacional.

  4. Emerson disse:

    Po, essa temporada de GoT veio pra cravar a série como “melhor coisa que a TV fez” nessa área. Sensacional, cada um dos capítulos.

  5. Bruno Xavier disse:

    No núcleo dos Geyjoy foi uma solução de roteiro, no entanto fez sentido, eles não poderiam tentar mata-lo naquele momento por que a maioria estava a favor de Euron e haviam aceitado ele como rei. Já os que a apoiaram, provavelmente parte daqueles que embarcaram em prol do resgate de Theon fugiram com ela. Gostei dessa disputa para fazer aliança com Dany.

    Um excepcional episódio o melhor até agora, e um dos memoráveis de toda a série.

  6. Paulo Henrique disse:

    Como matar o tio? Ninguém estava os apoiando, todos louvaram Euron, apesar de tudo.

  7. Thiago Chaves disse:

    A massa estava maleável ali. Primeiro eles apoiaram ela, depois não. Era só ela ter matado ele no mesmo instante em que ele confirmou o assassinato de seu pai.

    E ela “roubou” todos os navios. Ou seja, o grupo que apoiava ela não era tão pequeno assim, né.

  8. laysguerrero disse:

    Realmente essa temporada está infinitamente melhor que a última. Acho que ter alcançado os livros foi a melhor coisa que aconteceu para os roteiristas, unido com bom senso deles também para focar no que importa e não só na polêmica.
    Os últimos 10 minutos de The Door foram extremamente tensos, umas das melhores cenas que já assisti na tv. E fica evidente que Game of Thrones entrou numa linha reta para seu fim.

  9. Giovani disse:

    Dorne mais morta que o Hodor.

  10. vinland disse:

    Acho que eles devem focar em Dorne, mais pro final da temporada, ou apenas na proxima. Acho que inserir esse arco chato de Dorne a essa altura, seria estragar o ritmo frenetico que a temporada esta tendo.

  11. EricBJJ disse:

    Só quero sabe como ficará na versão dublada e no livro em portugês sobre o HOld the doOR… Vão ser perder na tradução???

  12. Renato Lustosa disse:

    Vai ter que mudar o nome dele pra Gurapo huehueheuh

  13. Alex Alves disse:

    Ele é muito foda, o personagem que achei bem mediano acho que criei muitas expectativas do corvo. Veja Intacto com ele é ótimo

  14. Bruno disse:

    O Euron é um cara vivido e bom guerreiro, não era fácil simplesmente matá-lo

  15. Cyntia Machado disse:

    Sou nova aqui e já estou amando! Pra mim, esse também foi o melhor episódio da série, até agora! Chorar e rir horrores ( Brienne e Tormund) no mesmo episódio em GOT… isso nunca aconteceu comigo, rs geralmente é só chororo.
    Só não gostei muito da parte dos Greyjoy. O tio chega, confessa que matou o rei, fica por isso mesmo e ainda vira rei? Regicidas já foram mais “mal tratados” ( Jaime que o diga).

  16. Ana Maria Ballardin disse:

    Acho que sei como detonar TODOS os White Walkers: sabe aquela faquinha que a Leaf fincou no primeiro? bem acho que é só tirar ela do pilantra que todos morrem…que me dizem vocês? eu não li os livros, só estou na série.

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