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Por: Bruno Carvalho

Crítica | O morno piloto de Preacher

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Entender a diferença entre públicos ao adaptar uma HQ para o formato televisivo é fundamental. Eles se sobrepõem em parte, é verdade, mas nem todo mundo que sintoniza é um iniciado. Esse é o primeiro erro de Preacher, nova série da AMC criada baseada na obra homônima do selo Vertigo e produzida por Evan Goldberg e Seth Rogen.

A sinopse – o pastor Dominic Cooper, da cidadezinha de Annville no interior do Texas, recebe uma entidade extraterrena desconhecida e se associa a dois parceiros (uma ex-namorada, Tulipa e um vampiro irlandês Cassidy) e parte numa jornada para combater o mal que dizimou sua cidade natal – parece incompleta. Não é isso que vemos neste piloto e, ao final de 1h10 de episódio, não é possível saber ao certo quem são aquelas pessoas, quais as suas motivações e pra onde (eles e) a série caminhará(ão).

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Eu não li a HQ e não tenho conhecimento prévio de sua história. Deixo isso claro antes que apontem o dedo “está criticando sem conhecer!”. Esse texto não é sobre a obra original e sim sobre a sua adaptação. É claro que eu me informei sobre o que é a Gênesis, qual é a do Cassidy, Tulipa e Jesse depois, mas entendo que essa função era do piloto, que devia se sustentar sem o material de base. Com tanto tempo de exibição, faltou abordar melhor todo esse ensemble. O piloto diversas vezes é arrastado e em outras atropelado, inclusive trazendo personagens icônicos como Cara-de-Cu e apenas jogando-o na tela com pouco contexto ou sem uma função narrativa clara, apenas pra dizer: “olha, nós temos o Cara-de-Cu, venham!”.

Esteticamente a produção é irrepreensível e adota traçoes Quentintarantianos na composição de diversas cenas e diálogos, com sequências de ação fantásticas (uma que lembra muito o filme Kingsman), o emprego de interessantes raccords temáticos e situações inusitadas (especialmente uma envolvendo o cinetólogo Tom Cruise). Pelo que folheei, faltou um pouco mais de gore, que é a principal característica da graphic novel e uma maior interação entre o trio de protagonistas, já que a série optou por introduzir todos ao mesmo tempo. Lado outro, Dominic Cooper, Joseph Gilgun, Ruth Negga e Ian Colletti estão ótimos.

preacheramcFOTO: SONY

Tem uma boa série aí em Preacher, mas seu piloto poderia ter sido mais ágil ao estabelecer o que vamos assistir ao longo desta primeira temporada, especialmente quando estamos falando de capítulos que são apresentados na frequência de um por semana em vez de sequenciais como em serviços de streaming. Ansioso pelo próximo eu não estou com base no que eu vi.

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16 respostas para “Crítica | O morno piloto de Preacher”

  1. Giliard Gomes disse:

    Começou bem dizendo que não tem base do material de origem, as HQs, antes de comentar sobre o texto, acho que iria gostar muito mais do que viu se tivesse conhecimento das HQs (a não ser que seja como ALGUNS fãs das HQs que são chatos pra caralho a ponto de reclamar que o olho do Jesse não fica vermelho quando ele usa A Palavra).

    Correção de “parte numa jornada para combater o mal que dizimou sua cidade natal”, bom, não é nada disso, acho que deve ter muitas sinopses por aí, mas você teve a infelicidade de pegar a pior delas. Nos quadrinhos ele é possuído por Genesis, “filho” de um anjo com uma demônia (já visto na série), no momento da possessão, a igreja em que ele estava pregando é explodida matando todos os fieis ali presentes. Essa entidade fugiu do Paraíso e anjos são encarregados de recuperá-la (tem o Santo dos Assassinos nesse meio), quando ela fugiu, Deus também fugiu deixando o Céu. Jesse sabe através dos anjos que Deus fugiu, aí sim ele começa uma jornada, mas para encontrar Deus e ter respostas porque ele abandonou seu posto (isso deverá ocorrer mais para o fim da temporada).

    As HQs são basicamente construídas assim, com os personagens já criados e colocados na história logo de cara e só vamos entender o porque eles e porque são assim através de flashbacks futuramente.

    O episódio Piloto além de mostrar o trio principal, se sustentou numa história que não existe nas HQs (Donnie e sua mulher masoquista), são novos personagens, e pelo que li, a temporada irá focar nos personagens e em Annville, o que faz sentido, pois há vários personagens que precisam ser construídos e se encaixa com aquilo que eu disse, que a jornada (road trip) deles só irá começar lá pra frente.

    O Cara de Cu é um caso a parte, e ele também não é profundamente explorado no inicio das HQs, meio que se é criado o personagem ali, mas rapidamente o descartam (na edição 4), ele só volta lá pela edição 30 – ele é um personagem que não tem nada com a história principal, em suma, ele não é relevante. Nas HQs a fama dele foi criada pelo Jesse e Cassidy mas o que ele fez ser um personagem conhecido (dentro da própria história e fora dela, é o que ocorre quando ele está longe do trio principal).

    Quanto ao gore, vamos lá, se comprarmos o episódio Piloto com a primeira edição de Preacher, a série tem muita mais, eu garanto! Fratura exposta, tripas e corpo mutilado, arrancar o próprio coração, beber sangue através de uma garrafa de champanhe encravada na própria fonte (peito da pessoa) e ainda sem falar na Tulipa dando uma mordidinha na orelha (e seu estilo MacGyver).

    Entendo e apoio a ideia de que são necessárias várias mudanças de um meio para o outro para que isso possa fluir bem na TV, talvez não irá terá os palavrões e a blasfêmia tão grande como nas HQs, mas ok, agradeço à AMC por ter culhões de querer adaptar algo que a HBO não quis justamente por ser muito violento e polêmico (ironia, não?). Meu único problema com o episódio foi na direção da dupla de comédia, não coisa muito grande, mas fiquei incomodado com algumas transições de cenas. A direção de arte está muito boa, retratam bem o Texas com aquele clima árido naquelas cores em tons pastéis – bem lembrou de Fargo por ser o oposto (gelado!). Rogen e Goldberg de fato se inspiraram em Tarantino, mas foi além do que isso se inspirando também no ídolo do Tarantino, Sergio Leone.

    Gostei muito do que vi, e estou aguardando ansiosamente por mais!

    EXTRA: trilha sonora maravilhosa, Willie Nelson e Johnny Cash num mesmo episódio foi tão <3

  2. Luiz Augusto Dias disse:

    O episódio foi razoável eu esperava mais, ficou devendo um pouco, mas tem tudo pra ser uma boa série, pelo menos melhor que a série do Constantine.

  3. Não é por nada, mas seu comentário foi melhor, mais instrutivo e bem construído do que a resenha. Acho falta de vontade quando o resenhista apenas diz que determinada obra tem que se sustentar sozinha e não se dá ao trabalho de pesquisar de forma correta pelo que originou o que está resenhando. Valeu pelo comentário!

  4. vinland disse:

    Primeira critica que vi, de alguem que nao gostou de Preacher.

  5. Henrique Bastos disse:

    Cara, sem conhecer a HQ fui assistir a serie pela curiosidade, curti bastante o episodio piloto e após ver as criticas negativas fui ler pelo menos a primeira HQ pra ter uma noção (não curto ler HQS), e ai que não entendi mesmo as criticas negativas até porque por se tratar de uma “Adaptação” oque a maioria dos fãs retardados de HQS não entendem oque significa, o piloto ficou muito bom. Como o Carlos disse, seu comentário foi muito mais instrutivo e muito melhor formulado sobre o episodio piloto.

  6. Heloísa Gomes disse:

    Amando seus comentários, moço <3

  7. Micael Tobias Wirth disse:

    Sem dúvida o comentário foi melhor do que a resenha.

  8. Glauco Lopes disse:

    Rapaz ia comentar mas vc falou tão bem que não existe nada mais pra falar somente aplaudir vc!!

  9. Glauco Lopes disse:

    kkkkkk mais um caso clássico de gente que fala sem conhecimento de causa!! Li as HQ pois amo elas e sou devoto fiel de Ennis e Dillon!!

  10. Junior disse:

    Não conhecia a HQ, o primeiro episódio não me prendeu, mas o segundo melhorou muito, e pronto, me conquistou..

  11. Tatiana Lamas disse:

    Bruno Carvalho…
    Leia a HQ. Leia a HQ novamente e, por fim, LEIA A HQ, moço…

  12. Ricardo Herbert Paz disse:

    Meu caro Giliard, matou a pau, eu ia replicar, mas vc fala por todos que leram
    a HQ e assim como vc estou amando a série, creio que a essa altura vc ja deve ter
    visto o Ep 02, e deve estar tão extasiado quanto eu. Obrigado por suas palavras.

  13. Gustavo Chicone disse:

    parece a Glória Pires tentando fazer crítica de filmes.

  14. Peter Silva Pereira Pinto disse:

    Olha, ate curti o primeiro epsodio , achei melhor do que esperava, aquele começo me deixou com um pe atras, mas o desenrolar foi bacana, introduziu personagens carismaticos, ate mais que o (protagonista) de forma direta sem muita enrolação. A seria me pareceu a usar uma formula de trazer o problema a tona primeiro e o explicar ao decorrer de seus muito episodios, na critica e dito que foi morno pôs não explicou quem eram os personagens em destaque ou por que eram, mas como toda serie eles tem que reter informações para render historia posteriormente , isso e um recurso comum em historias de Hqs , series e ate filmes sequenciados, por conta disso tenho uma opnião diferente da sua resenha .

    Um ponto que devo adicionar e que também não havia lido a HQ, mas mesmo assim conseguiu minha atenção, enfim , achei bem fluido e ate melhor que alguns começos de outras series .

  15. Victor Ravazzano disse:

    Acho a HQ sensacional!!! Comecei a ver a serie e não gostei do piloto! Mas dei chance, finalizei a 1 temp. ontem! E achei FODA!!! pra mim ficaram legais as mudanças! Uma serie que só tem a crescer! Me lembra o sentimento que tive com Breaking Bad, começei n curtindo e a serie só foi melhorando! Espero que seja assim também! Tem muito material bom pra se basear!!!

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