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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Independence Day: O Ressurgimento

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Vamos ser realistas: Independence Day: O Ressurgimento não era uma sequência necessária. O filme original pertence à sua época, onde os efeitos visuais estavam começando a permitir que destruições realistas acontecessem e fazia com que o público saísse maravilhado pelas novas capacidades técnicas do cinema. De lá pra cá muita coisa mudou e hoje ver cidades sumindo por conta de ameaças variadas (extraterrestres, desastres naturais ou supervilões) já não é mais um argumento isolado muito bom para se vender ingressos.

Mas a nostalgia é.

20 anos após o ataque de 1996, planeta Terra se uniu na luta contra os alienígenas – as guerras acabaram e utilizamos a tecnologia deixada por aqueles seres para evoluir todos os nossos sistemas de defesa, transporte e comunicação. Mas uma antiga nave que aterrissou na África do Sul (a única que conseguiu pousar) emitiu um pedido de socorro, atendido com um atraso de duas décadas pela nave mãe ainda maior (e Roland Emmerich conseguisse convencer a FOX de que estava na hora de revisitar a franquia).

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Em termos de estrutura narrativa, O Ressurgimento peca exatamente nos mesmos pontos fracos dos filmes do diretor alemão, incluindo Godzilla 2012: simplicidade, ausência completa de desenvolvimento de personagens e uma incapacidade inerente de fazer com que o público se importasse com a plástica e distante destruição em massa. Mas o diretor surge aqui consciente de suas limitações e faz escolhas com este capítulo que felizmente entregam um filme envolvente e divertido, com o bônus de fazer um esforço para trazer um elenco mais diversificado e menos branco e até mesmo um casal gay (que nunca se beija, é fato).

O grande mérito disso, claro, é o grupo de veteranos que retorna para reviver os antigos personagens que marcaram uma época. Ainda que a ausência de Will Smith (que gravava Esquadrão Suicida) seja sentida, estão lá Jeff Goldblum, Judd Hirsch, Brant Spiner e Bill Pullman, assim como as intensas sequências de perseguição com caças, os bizarros alienígenas e seus exoesqueletos e muita ação no chão, no ar e no espaço. A destruição de cidades, foco de grandiosas cenas no longa original, aqui sabiamente tomou poucos momentos de tela, embora muito bem executada.

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O elenco jovem liderado por Liam Hemsworth e que inclui Jesse Usher e Maika Monroe é apenas um instrumento para conduzir a trama que todos sabemos de onde vai sair e pra onde vai chegar. Mas isso não é necessariamente algo negativo, pois Independence Day sabe como entregar toda aquela farofada numa roupagem que inevitavelmente te traz sorrisos no rosto do espectador, por mais clichê pareça. Até nos momentos de patriotismo norte-americano exacerbado (que irritavam no original) o filme dá uma bela dosada, até porque o foco agora é agradar os chineses, o que explica as presenças de Chin Han (Marco Polo) e Grace Huang.

Grade destaque, contudo, é mesmo de Jeff Goldblum, que faz desse exemplar quase uma sátira dos filmes catástrofe que lotaram cinemas duas décadas atrás: “Eles gostam de destruir os pontos turísticos”, exclama em determinado momento. Contando com um terceiro ato que se passa em um ambiente claro, evidenciando os excelentes efeitos visuais das naves e uma perseguição especial no deserto, IDR me entreteve por duas horas e vinte minutos que se passaram tão rápido como assistir a um episódio de série de TV.

É o melhor filme do mundo? Certamente não é, mas é um filme que tem plena consciência disso e tira o melhor com o que tem.

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3 respostas para “Crítica | Independence Day: O Ressurgimento”

  1. vinland disse:

    Gostei da sua critica. Bem isso que achei do filme. foi legal assistir o filme no Palestra.

  2. A exibição no estádio é dia 23… Viajou no tempo?

  3. Andre luiz santos disse:

    Bruno voce acha que tera sequencia? Um terceiro filme a se desenrolar dos momentos finais deste?

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