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Por: Redação Ligado em Série

#Westworld e a importância do faroeste na história do Cinema!

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Todo domingo às 23h subimos no cavalo e montamos com tudo em Westworld, série da HBO que traz todo o clima do velho-oeste para a TV numa odisseia obscura sobre a disseminação da consciência artificial em robôs. Na produção de J.J. Abrams, Jonathan Nolan e Lisa Joy, o westwern desempenha um papel central na trama: é no parque ambientado com esta temática que visitantes vão para exercer suas mais secretas fantasias e onde tudo ocorre.

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Mas por que o faroeste? Mais do que o simples desejo infantil de brincar de “bang bang”, o western é germinal para o Cinema e para o audiovisual como conhecemos. Cientes disso, os realizadores de Westworld reimaginaram esse universo para a tela da HBO de forma a explorá-la em todas as suas vertentes. Pra você que tá antenado em Westworld, preparamos um guia essencial com tudo que você precisa saber sobre o gênero e seus principais filmes ao longo da história do cinema.

Mudo

O cinema não havia completado nem uma década de existência quando Edwin S. Porter realizou o curta-metragem O Grande Roubo do Trem, em 1903. Muitos o consideram o precursor do faroeste, já apresentando temas como bandidos versus mocinhos, perseguições a cavalo e as roupas típicas com chapéus e armas a tiracolo. O gênero continuou marcando presença ao longo dos anos, até a invenção do cinema falado com o lançamento de O Cantor de Jazz, em 1927.

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As estrelas western desse período eram William S. Hart e Gilbert M. “Broncho Billy” Anderson, os  mocinhos em seus respectivos filmes, além de Tom Mix, um cowboy na vida real que se deixou levar pelo cinema e realizava a maior parte das cenas de ação. Não havia muito inventividade nos filmes da época, que tiravam suas histórias das revistas pulp de faroeste – revistas baratinhas dos início dos anos 1900 que deram origem também ao nome Pulp Fiction. Eram produções filmadas nos estúdios ou na Costa Leste dos Estados Unidos, antes mesmo de Hollywood se estabelecer na ensolarada Califórnia, e que agradavam as plateias.

Filmes imperdíveis:

The Covered Wagon (1923)
O Cavalo de Ferro (1924)
Tumbleweeds (1925)

Filmes B

Os anos 30 não começaram fácil. Hollywood precisou pagar caro para fazer a conversão para o  cinema falado, um hit instantâneo do público. Além disso, o impacto da Grande Depressão  de 1929 chegou à indústria. Por isso, a década foi marcada por faroestes de baixo custo, lançados um atrás do outro por estúdios menores, como Columbia, Universal e Republic (esta hoje parte da Viacom). Eram pensados para o público infantil que proliferava nas matinês, e por isso traziam heróis de cara limpa, sem vícios como fumo e jogos de azar, que reprisavam muitas vezes os papeis em exaustão em filmes-seriados – considerados um dos precursores das séries de TV.

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Foram os anos dos astros Hoot Gibson, Harry Carey, Ken Maynard, e do personagem Cavaleiro Solitário – que apareceu recentemente no filme sofrível com Johnny Depp. Uma espécie de subgênero, cunhado de “Horse Operas”, colocava os caúbois para cantar, e Roy Rogers foi o maior deles, tendo estrelado mais de oitenta filmes do estilo.

Filmes imperdíveis:

O Caminho do Deserto (1935)
Soberanos da Sela (1937)
O Guarda Vingador (1938)
Aventuras de Red Ryder (1940)

A Era de Ouro

jesse-james-posterMuitos puristas consideram este período, e somente este período, como o que verdadeiramente trouxe o western para o cinema. Os filmes-seriados foram para a TV e abriram espaço para uma nova geração de atores e diretores, dispostos a apresentar histórias e personagens com mais nuances e variações. As produções Jesse James e No Tempo das Diligências foram primeiras tentativas certeiras nesta direção, ambas lançadas em 1939. Porém foram os astros John Wayne, James Stewart e Gary Cooper que ajudaram a firmar o gênero como algo lucrativo e também capaz de produzir longas de respeito, com ídolos se afastando da imagem de bom moço para versões ultramasculinizadas dos heróis. Wayne encontrou nos diretores John Ford e Howard Hawks excelentes parceiros, de onde saíram alguns dos maiores clássicos faroestes, imbatíveis no quesito até os dias de hoje.

Filmes imperdíveis:

Jesse James (1939)
No Tempo das Diligências (1939)
Red River (1948)
Sangue de Heróis (1948)
Legião Invencível (1949)

Western Noir

No período pós-Segunda Guerra Mundial dos anos quarenta e cinquenta, os westerns assumiram temas melancólicos e intensos. Os filmes foram imbuídos de cinismo, complexidade, pessimismo e heróis falhos e um tanto fora da lei. Mesmo com uma pegada mais densa, os faroestes continuaram a ser sucesso nas bilheterias, e os astros de outrora continuaram a ser as estrelas, incluindo Wayne.

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O diretor Anthony Mann se uniu à James Stewart para um ciclo de cinco westerns com temas como vingança, paranóia e obsessão, entre eles O Preço de um Homem. Até as mulheres puderam se aproveitar da ousadia do período para ganhar seu espaço. Joan Crawford é a estrela de Johnny Guitar, que tem um duelo mortal de armas com sua rival.

Filmes imperdíveis:

Matar ou Morrer (1952)
Os Brutos Também Amam (1953)
O Preço de um Homem (1953)
Johnny Guitar (1954)
Rastros de Ódio (1956)
O Homem que Matou o Facínora (1962)

Spaghetti Western

Na década de 1960, o western encontrou um novo lar na TV. Os estúdios de Hollywood passavam por uma grande crise com seus filmes, e havia uma vontade de sair de gêneros bem-definidos e tentar algo novo. Enquanto eles tentavam se encontrar, a solução para um novo estilo de faroeste veio do outro lado do Atlântico. O italiano Sergio Leone se juntou à uma nova estrela, Clint Eastwood, para a “Trilogia dos Dólares” que em nada lembrava os westerns até então.

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Feito com um baixo orçamento, Por um Punhado de Dólares trazia um anti-herói para as telas, sem vergonha de se aproveitar da rivalidade de duas gangues para ganhar dinheiro. Vingança, violência, sujeira, caçadores de recompensa e mais entraram para o vocabulário por conta deste subgênero intitulado Western Spaghetti.

Posteriormente acabou originando longas também nos Estados Unidos, como Meu Ódio Será Tua Herança, dirigido por Sam Peckinpah.

Filmes imperdíveis:

Trilogia dos Dólares:
Por um Punhado de Dólares (1964)
Por uns Dólares a Mais (1965)
Três Homens em Conflito (1966)
Meu Ódio Será Tua Herança (1968)
Era uma Vez no Oeste (1968)

O Legado

Após o Western Spaghetti dos anos 60, o gênero definitivamente entrou em declínio. Uma nova leva de cineastas encontrou nas histórias urbanas e de pegada mais realista um filão que o público abraçou, seguido pela leva de blockbusteres fantasiosos de Star Wars, E.T., Indiana Jones e afins. Desde então, um ou outro filme surge para nos relembrar sua existência. Um foi dirigido e protagonizado pelo próprio Clint Eastwood em 1992: Os Imperdoáveis, vencedor do Oscar de Melhor Filme. Wyatt Earp, de Kevin Costner, e Appaloosa, uma Cidade sem Lei, de Ed Harris, também foram elogiados pela crítica, mas não chegaram a atrair multidões para os cinemas.

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Nos anos 2000, o faroeste não escapou da onda das refilmagens. Os Indomáveis, clássico dos anos 50, recebeu uma nova versão estrelada por Russell Crowe e Christian Bale, e o recém-lançado Sete Homens e um Destino reconta o clássico faroeste Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez é um remake de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Até John Wayne entrou na roda. Seu Bravura Indômita foi refilmado pelos irmãos Cohen, agora com Jeff Bridges no papel. Em 2016, o gênero volta com tudo graças à estreia de Westworld na HBO. Gravada no Paramount Ranch, Universal Studios e Warner, a série aproveita as maiores cidades cenográficas do velho-oeste em Hollywood para recriar esse universo numa roupagem atual, mas sem perder as inúmeras referências.

Filmes imperdíveis:

Os Imperdoáveis (1992)
Wyatt Earp (1994)
Appaloosa, uma Cidade sem Lei (2008)
Bravura Indômita (2010)
De Volta Para o Futuro – Parte III (1988)

Curtiu? Então não perca Westworld, série que mergulha de cabeça no western, todo domingo na HBO.

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4 respostas para “#Westworld e a importância do faroeste na história do Cinema!”

  1. Giliard Gomes disse:

    Por mais faroeste na TV e cinema!

    Ainda preciso do fim de Deadwood pela HBO, que disseram que será um filme.

    Ótimo post, Renata!

  2. Anderson Lima disse:

    Não curto faroeste não.

  3. xtrmntr28 disse:

    espero há 89 anos pelo fim de Deadwood.

  4. Edson Aguiar disse:

    Para quem gosta do gênero recomendo fortemente Slow West (2015). Filme de estreia do diretor John Maclean. Esse filme é realmente uma grata surpresa pra quem gosta do gênero Western.

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