FOTO: WARNER BROS.

Por: Davi Garcia

Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam

animaisfFOTO: WARNER BROS.

Um autor cria uma saga que rapidamente se torna querida e ganha uma legião de fãs de todas as idades mundo afora. Alguns anos depois do capítulo final da história, esse autor decide reexplorar aquele universo para contar outras que precedem àquela. Se o nome desse autor for George Lucas, a expectativa criada é respondida com uma trollada chamada A Ameaça Fantasma, mas se for J.K. Rowling a recompensa atende por Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Contando com semelhanças e pequenas referências suficientes o bastante para nos lembrar que essa nova saga está ligada, ainda que indiretamente, à do garoto bruxo e seus amigos, o filme escrito por Rowling e dirigido por David Yates (que comandou as câmeras nos quatro últimos filmes de Harry Potter) porém tem identidade própria e consegue fugir da fácil tentação de simplesmente fazer mais do mesmo.

Assim, diferente da franquia original cujos personagens passam por um processo de amadurecimento que acompanha a história, Animais Fantásticos, por outro lado, já estabelece os seus logo de cara como figuras adultas e experientes naquele universo de magia. Aliás, que universo. Porque graças aos bons efeitos que dão vida aos tais animais do título – o pelúcio, por exemplo, é um baita ladrão (literalmente) de cenas – e ao design de produção inspirado daquela Nova Iorque dos anos 20 onde a trama se passa, fica fácil embarcar na deliciosa aventura que a metade inicial e mais divertida do filme explora.

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E se na segunda parte o filme se revela menos divertido quando diminui o tom aventuresco para explorar a introdução de uma ameaça que, imagino eu, deve ser mais desenvolvida nos próximos quatro capítulos dessa nova saga, o roteiro de Rowling, contudo, é inteligente ao usar esse pedaço da produção para abordar temas políticos (um elemento marcante da saga original). E ela o faz, por exemplo, quando expõe a diferença entre o ministério da magia de Hogwarts (bem mais progressista) e a versão americana chamada Macusa que além de pregar a separação rígida entre os mágicos e os não-mágicos aceita até a pena de morte como recurso. O que, claro, pode ser encarado até como uma crítica (nada) sutil à própria sociedade americana.

Nesse contexto, aliás, a defesa pela tolerância, que é um elemento marcante de Harry Potter, ganha fortes cores também nesse primeiro capítulo de Animais Fantásticos graças à forma como seus personagens improváveis e absolutamente diferentes entre si – mas ao mesmo tempo complementares – são desenvolvidos ao longo da breve jornada em que encaram a ameaça do medo representado tanto pelo antagonista que se manifesta como obscuro quanto pelo vilão com forte viés fascista revelado no ato final.

Com um protagonista cuja falta de carisma é compensada pela boa composição de um sujeito deslocado no que tange ao relacionamento humano (uma característica que Eddie Redmayne imprime bem ao assumir uma postura física quase sempre desequilibrada para seu Newt Scamander), Animais Fantásticos acerta também ao dar espaço e importância a um coadjuvante (o Kowalski de Dan Fogler) não mágico que além de trazer carisma e alívio cômico, funciona tanto como novidade quanto como reflexo de um espectador tão curioso e fascinado com aquele mundo quanto qualquer um de nós poderia ficar.

J.K. Rowling, estou oficialmente impressionado.

4stars

2 respostas para “Crítica | Animais Fantásticos e Onde Habitam”

  1. Dinha disse:

    Não tem como
    não ficar.

  2. Anderson Lima disse:

    Precisava falar de George Lucas?

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