quinta-feira, junho 6 2024

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Não há uma hipérbole quando dizem que Fábio Porchat “está em tudo”. No ínterim de menos de um ano, vimos ele em O Grande Gonzalez na FOX, Desafio Celebridades no Discovery, nos filmes Contrato VitalícioMeu Passado Me Condena 2Vai Que Dá Certo 2, apresentou o Prêmio Multishow e agora estrela seu próprio talk-show, o Programa do Porchat, que vai ao ar de segunda à quinta na Record e no canal TBS. Isso tudo enquanto ainda participa das esquetes do Porta dos Fundos e comanda, ao lado da roteirista Rosana Hermann, um programa de viagens na Internet, o Porta Afora.


Crítica: Programa do Porchat estreia bem fazendo a ponte entre TV e Internet


Foi em seu camarim nos estúdios da emissora da Barra Funda que ele nos recebeu para falar de talk-shows e séries. Ele é solícito, simpático e me pareceu extremamente comprometido com tudo o que faz. E faz bastante coisa mesmo.

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Virado depois de apresentar o prêmio Multishow na noite anterior no Rio, Fábio já estava em São Paulo dando expediente na pré-produção do programa do dia:

Eu me envolvo em todos os âmbitos. Não consigo chegar aqui e falar ‘o que tem pra hoje?’ Gosto de chegar cedo, conversar com os roteiristas de manhã, ver os quadros, as entrevistas, trocar ideias… Me preparar mesmo para o programa.”

Perfeccionista, Porchat foi aprender sobre o universo que estava entrando, já que veio da Internet, passou pela TV paga (que é outra metodologia) antes de chegar à TV aberta. Ele contou que foi a Los Angeles conhecer o Late Night:

Fui na Ellen, no Kimmel, conversei com showrunners, vi toda a estrutura, como eles se preparam, como vão atrás dos convidados, conversei tambéem com diretores, redatores. Foi uma experiência muito boa pra ver o que eles tinham a dizer e como funcionavam. Em fevereiro do ano que vem vou voltar lá pra ouvir eles novamente, mas agora já com a experiência de ter um programa.”

Questionei o que ele aprendeu e ele contou:

“Falaram pra mim pra eu fazer o que eu sei fazer, sem inventar. Não sabe imitar? Não imite. Sei fazer stand-up e esquete. Eles disseram também que o público de um late show quer ver o apresentador fazer o que ele sabe bem, não importa quem é o convidado. O convidado é um plus. Foi legal ter ouvido isso.

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Fábio também contou que uma produtora do Conan deu uma dica valiosa: faça o programa de segunda a quinta e guarde a sexta para você respirar e programar coisas para a semana seguinte, senão você não vai ter vida. “Ela tinha razão, isso é fundamental”

Na conversa, eu tentei não fazer as perguntas que ele sempre ouve, sendo “como você faz pra fazer tudo isso?” sendo a mais frequente. Por isso, questionei, “o que você sacrificou pra ter um programa diário na TV aberta?”

“Hoje o Programa do Porchat é a minha prioridade. Me toma muito tempo, fico de segunda à sexta em São Paulo. Avisei no Porta que agosto e setembro não ia conseguir pisar lá, parei de fazer filmes e minha coluna no jornal. Deixei de fazer muita coisa; o peso da TV aberta é maior.”

Além de visitar os programas estrangeiros, ele contou que também conversou com talentos nacionais: Marília Gabriela, Luciana Gimenez, Jô Soares, Roberto Justos, mas é outro universo. Lá fora, por exemplo, não existe isso de um canal ter que ceder o artista para o outro.

“É bom pra The Walking Dead que o elenco vá no Jimmy Kimmel e é bom pro Jimmy Kimmel que o elenco vá lá, mesmo sendo canais diferentes. Todo mundo ganha com isso. Aqui é uma ‘pamonhice’, é essa mentalidade que falta aqui. Já chegamos no nível da Globo não ceder um talento da casa pra ir no Multishow, da própria Globosat. É só agora que isso tá mudando, mas muito aos poucos…”

Fábio disse que sua limitação contratual hoje é só na TV aberta: “Eu não posso aparecer no SBT do nada, mas consigo transitar livre em TV fechada, Internet e filmes“.

Após a conversa, Porchat precisa passar o texto e ir para o estúdio – que fica bem próximo do seu camarim – gravar o monólogo do programa do dia. A entrevista já está pré-gravada – às vezes até com uma semana de antecedência. É feito assim para que a produção possa montar o programa com maior conveniência. O monólogo é gravado no dia para ficar tópico, e por isso ele precisa realizar diversas trocas de figurino – a do monólogo, a da entrevista e a das esquetes. Sobre a liberdade que a Record dá, ele comentou:

“Tá super tranquilo. Já falei de Edir Macedo e funcionou, falei de política bastante e não deu nada, trago quem eu quero pra cá, brinco com a emissora… Eu tenho uma liberdade aqui que eu achei que não fosse ter, de falar de tudo, divulgar o que eu quero – até peças de amigos – já divulguei filme da Globo Filmes e não teve problema algum. As pessoas falam muito do lance da religião, mas a TV aberta não é um lugar bom pra isso. Prefiro deixar pra Porta dos Fundos. Lá eu consigo fazer e ter a exposição que eu quero. Batem muito nessa tecla por eu estar na Record, mas não lembro da última vez que o Jô ou o Danilo discutiram religião, não é esse o lugar.”

A plateia do Programa do Porchat não é composta só pelas caravanas de praxe da TV aberta. Ele quis fazer o mesmo esquema que é feito nos EUA, onde o interessado pode se inscrever na Internet e comparecer no dia agendado. “É legal ter a plateia que quer estar lá e não a que foi pra ganhar um sanduíche“, brincou.

“Vim pra Recordo e não sumi, pelo contrário, apareci. No Prêmio Multishow as pessoas vieram conversar comigo dizendo que me assistem. É isso que a TV aberta tem ainda de muito diferente de todas as outras mídias: ela chega em todo o lugar. Tem também a exibição no TBS que é de passar o programa mais cedo. Minha vó e o Hassum só assistem pelo TBS e adoram.”

Mas a pergunta que não quer calar é: E AS SÉRIES? TÃO EM DIA?

“Tenho assistido The Walking Dead, pesado esse primeiro episódio, né? Voltei a ver Black Mirror agora com essa nova temporada, mas descobri lá atrás. Gosto dos desenhos do South Park, Family Guy, Simpsons… Quando me dizem que o Porta pegou pesado eu pergunto: você já assistiu South Park? Eu gosto do Bojack Horseman também.

Eu gosto muito de séries e de ter um panorama geral, mesmo que se for pra ver dois episódios e abandonar. Westworld: gostei desse aqui, vi o começo e vou segurar pra ver tudo nas férias. Game of Thrones também tá reservado pra ver tudo de uma vez. Um que eu não perco: John Oliver.

Depois do papo, Porchat seguiu para o seu imenso estúdio fixo montado na Barra Funda pra gravar seu programa. O convidado do dia? João Kleber, uma lenda da TV.

Programa do Porchat é exibido de segunda a quinta à 0h15 na Record e reprises no canal TBS de segunda à sexta sempre às 19h30.

2 comments

  1. Boa entrevista. É um programa que me surpreendeu positivamente, diferente de C E R T O S. T A L K S H O W S. D O. S B T.

    In other news: Roberto não é Justos. :p

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