FOTO: REPRODUçãO

Por: Bruno Carvalho

Crítica | La La Land: Cantando Estações

Qual é o problema de sonhar? Esse é o tema recorrente de La La Land, que não é apenas um musical: é uma obra-prima do diretor Damien Chazelle (Whiplash) que traz uma linda, elegante e eloquente homenagem ao Cinema. E se existe uma cidade que respira a sétima arte e o audiovisual em todos os seus aspectos, essa é Los Angeles, a principal estrela do longa e por isso suas iniciais até compõem o título.

La La Land abre com um grandioso número musical em um engarrafamento típico das manhãs nas freeways que evidencia que todo mundo está ali diariamente (Another Day of Sun) perseguindo o estrelato na Cidade dos Anjos. Dentre eles a jovem aspirante a atriz Mia (Emma Stone) e o músico Sebastian (Ryan Gostling), que em comum possuem o sonho de um dia poder viver de suas respectivas artes e se destacar da multidão (Someone in the Crowd).

Com belos e elaborados números musicais, La La Land inicia sua ode à era de ouro de Hollywood que ocorreu entre os anos 1930 a 1950 (City of Stars). Assim, os clichês que Chazelle coloca aos montes são imediatamente transformados em belos poemas que comentam não apenas o fazer-Cinema, como também, de uma forma ou de outra, os filmes produzidos por MGM, Warner, Universal, tanto na era clássica quanto na pós-clássica.

Falando sobre a importância do resgate da Arte, seja do Cinema ou da Música que hoje chega diretamente em nossos pequenos dispositivos, Chazelle (também roteirista) traz diversas passagens comentando as constantes perdas que são ignoradas por uma sociedade em constante agitação. Isso fica evidenciado na cena em que um colega do namorado de Mia diz ter comprado um ótimo home theater porque está “cada vez mais impossível ir ao cinema”, seguido do fechamento do Rialto, um tradicional estabelecimento de rua que exibia filmes clássicos e que, por óbvio, não consegue ceder à pressão dos grandes multiplexes com seus blockbusters e sites de streaming com sua comodidade.

Mas o grande trunfo de La La Land é a química que Emma Stone e Ryan Gosling levam à tela, desde às pequenas interações até os números elaborados e empolgantes, que nos atira para fora da sala com um sorriso no rosto. Sempre eloquente e adorável, Stone atinge aqui o melhor momento de sua carreira e surge como uma representação das grandes divas do Cinema, ao passo que Gosling traz irreverência e energia, tanto nas cenas dramáticas, como nas pontuais e bem-vindas doses de humor.

Se a função básica do Cinema é a de nos tirar do mundo real – ainda que por duas horas – e ajudar a deixar os problemas, contas, chateações do lado de fora, La La Land cumpre isso e eleva o nível a um patamar invejável, solidificando ainda o realizador Damien Chazelle como um dos nomes que a Cidade das Estrelas deve guardar com grande estima nas próximas décadas. Permita-se sonhar, rir, cantar e chorar e assista a La La Land onde ele foi feito para ser visto: nos cinemas.

Deixe uma resposta

ss